2º Ato Por Todas Elas é a expressão de que o Junho feminista apenas começou

“A cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil, nós dizemos não à cultura do estupro, dizemos não à violência contra as mulheres. Eles achavam que seria 33 contra uma, mas são 33 contra todas nós!”

Foto: Tuane Fernandes

Mesmo com céu azul e sol brilhante, o vento frio cortava o rosto de quem caminhava no centro de São Paulo. Às 16h algumas mulheres começaram a se juntar no MASP. Cartazes começaram a ser confeccionados e rostos pintados. O local foi se enchendo de mulheres para o 2º grande ato Por Todas Elas que aconteceu na tarde desta quarta-feira (08).

O primeiro ato, que aconteceu no último dia 1, teve participação de aproximadamente 30 mil pessoas. Segundo as organizadoras, o ato de hoje teve como objetivo incentivar as mulheres a seguirem ocupando as ruas em permanente estado de mobilização, mostrando que a primavera feminista não tem fim.

Foto: Tuane Fernandes

“O ato de hoje é, mais uma vez, o nosso NÃO à violência, a violência que sofremos diariamente. A primavera feminista segue florescendo. Uma vida sem violência é um direito de todas as mulheres e nós viemos hoje para unir nossas vozes e repetir para todo o Brasil: machismo mata, feminismo liberta”, declarou Maria das Neves, diretora da União Brasileira de Mulheres (UBM) e uma das organizadoras do ato.

Logo antes da noite começar a cair, as mulheres fizeram uma roda e de braços dados cantavam: “Companheira me ajuda que eu não posso andar só. Eu sozinha ando bem, mas com você ando melhor.” Aos poucos, mais de 3 mil mulheres se dirigiram para a Av. Paulista. A presença das mães era massiva e, como de costume, um cordão de isolamento foi formado e de mãos dadas as mulheres protegiam as mães com suas crianças.

Foto: Tuane Fernandes

Dadá Ganan, mãe e coordenadora do Núcleo Mulher do Coletivo Democracia Corinthiana, nos contou porque veio ao ato com seu filho Sócrates: “A gente tem que acordar para o que está acontecendo. A cultura do estupro é um reflexo da sociedade. Não podemos nos cansar de vir pra rua pra lutar. Meu filho só tem 5 meses e trago ele porque a desconstrução começa é desde cedo. Um dia ele vai ver que tava lá pra mudar alguma coisa. Venho tanto como mãe e como representante do coletivo. Porque democracia é essa luta para ter os mesmos direitos. Lutar para que as mulheres possam ir e vir com a roupa que quiser e do jeito que quiser com os mesmos direitos dos homens.”

Dadá Ganan, mãe do Sócrates e coordenadora do Núcleo Mulher do Coletivo Democracia Corinthiana. Foto: Mídia NINJA

O ato desceu pela Rua Augusta e no meio do percurso, em direção à praça Roosvelt, aconteceu uma intervenção organizada por algumas atrizes. Nuas e com sangue espalhado por todo o corpo, elas correram entre os manifestantes gritando. Depois se sentaram e contaram até 33, em referência aos trinta e três homens que estupraram uma adolescente na semana retrasada no Rio de Janeiro. Por fim, deitaram como se estivessem mortas. Muitas pessoas se emocionaram com a intervenção que de acordo com umas das organizadoras, a atriz Carol Maluf, teve um processo orgânico de escolha das atrizes, que foram selecionadas durante o ato. A proposta da ação é “impactar as pessoas através da arte, nesse momento tão importante para nossa sociedade”, expôs a atriz.

Foto: Tuane Fernandes

Ao chegar na praça Roosvelt, elas se distribuíram pelas escadas e iniciaram jogral:

O estupro e a violência contra a mulher, é com cada uma de nós. Não aceitaremos as amarras do patriarcado e do fundamentalismo com os nosso corpos. Lutaremos por igualdade salarial, lutaremos para evitar a supressão política das mulheres. Lugar de mulher é onde ela quiser! Agora uma mensagem para o Temer: não queremos o MinC de volta, não queremos a secretaria de mulheres de volta, queremos a democracia de volta! Uma nova onda feminina veio para ficar! Eles nunca mais ousarão calar as mulheres brasileiras. Nós somos livres: o machismo mata, o feminismo liberta. Fora Temer!
Foto: Melito/Mídia Ninja

O ‪#‎ForaTemer‬ continuou como pauta recorrente no segundo Ato Por Todas Elas, assim como foi no primeiro — que ocorreu na semana passada. “O ato não se resume apenas no Fora Temer, mas com certeza tocamos muitas vezes nesse ponto pelo fato de o governo de Michel Temer não nos representar. O que fica claro na escolha de seus ministros que são homens brancos. Somos a maioria da população brasileira e é ridículo não ter uma mulher lá. Alguns assuntos devem ser discutidos por nós, mulheres, porque vivemos o machismo todos os dias em qualquer lugar que formos”, afirmou Carolina Ferreira, feminista e participante do ato. Carolina se refere a 51,4% da população brasileira que são mulheres, das quais 53% delas se declara negra, contudo, no Governo interino e ilegítimo apenas homens brancos, velhos e ricos compõem a linha de frente dos ministérios.

Grande parte das mulheres que participaram do ato de ontem, ficara sabendo do mesmo de forma orgânica pela internet. O que é uma expressão de que, como afirmou Maria das Neves, a primavera feminista seguirá florescendo.

Em colaboração com a Mídia Ninja (https://ninja.oximity.com/article/2%C2%BA-Ato-Por-Todas-Elas-%C3%A9-a-ex-1)

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