Desabafos não-binários: o que é ser trans não-binário?

Koda Gabriel
Jul 22, 2017 · 2 min read
Descrição da imagem: Bandeira não binaria. Ela contém listras na horizontal com as seguintes cores (de cima para baixo): amarelo, branco, roxo e preto.

Quando me percebi não-binário eu logo senti que era algo que eu devia contar as pessoas mais próximas de mim. Elas deviam e mereciam saber quem eu sou de verdade. Mas uma pergunta inocente e inofensiva bateu pra alguns deles: o que é ser não-binário? A pergunta em si é inocente dado o contexto, vale salientar. Eram amigos realmente interessados em saber o que é ser não-binário, e não em me confrontar ou diminuir.

Mas então: o que é ser trans não-binário?

Tem quem vai dizer que ser não-binário é ser mulher e homem. Ou é não ser mulher, nem homem, mas um terceiro gênero. Tem quem vai dizer que é ser parte homem, parte mulher, parte qualquer outro gênero. Tem quem vai dizer que é fluir entre os gêneros binários ou não. E eles estão todos certos e todos errados ao mesmo tempo. Que?

É. Somos tipo os não-binários de Schrödinger (desculpa, mas eu tinha que fazer essa piada).

A não-binariedade é um espectro, ou um termo guarda-chuva. Tá, mas o que isso significa? Significa que é uma forma de se referir a todo gênero que não se encaixe nos ditos binários (homem, mulher). Existe quem se denomine apenas não-binário, ou de gênero fluído, agênero, e N outros gêneros que, são sim, tão válidos quanto qualquer outro. É nocivo e doentio criticar uma pessoa simplesmente com base em seu gênero, sendo ele algo que não afeta em nada sua vida. Enfim, assunto pra outro texto.

Vale também lembrar que não-binários são pessoas trans exatamente como as trans binárias. Não existe uma forma correta de ser trans, ou forma única. Existem muitas formas de ser trans, e não-binário é uma delas.

Mas que pronome eu uso com uma pessoa não-binária?

Como tudo nessa vida, o melhor jeito de descobrir é perguntando. Tem quem vai preferir pronomes masculinos, pronomes femininos ou pronomes neutros. O português dificulta o uso de uma linguagem neutra, mas tudo bem conversado é bem resolvido, certo? E não é nada difícil se adaptar, como muitos dizem. É meramente uma questão de empatia e cuidado com o outro.

kodagabriel

Escritos sobre a vida, sobre desesperos ambulantes, sobre tudo que há de bom e o que há de ruim também. De vez em quando solto o verbo pra falar sobre minorias.

Koda Gabriel

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20 anos, bissexual e não binário. Estudante de computação com os dois pés no mundo da escrita, leitura, fantasia e sentimentos.

kodagabriel

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