Aquele papo sobre a magia da Disney, Mogli e o descaso com as salas de cinema em Salvador.

Durante a nossa infância nos anos 90, fomos presenteados pela dona Disney com o relançamento de todos os seus clássicos iniciando pelos anos 30 com Branca de Neve e preparando o terreno para Alladin, A Bela e a Fera e O Rei Leão é claro.

Um ponto interessante é que a qualidade dos filmes dos anos 30 eram atemporais, por anos a fio pensei que A Espada era a Lei de 1963 por exemplo, que é o meu filme preferido da Disney, era recente, ali da meiuca de 90, a magia incorporada nas animações da Disney tinham um efeito de levar a era de ouro da Disney para os anos 90 sem perder qualidade, seja visual ou narrativa.

A versão live action de Mogli consegue manter essa magia, apesar de focar na fofura e levar o espectador a vomitar arco-iris toda hora, usando e abusando dos filhotes em computação gráfica, a tradição que da Disney em misturar o gracioso com o senso de perigo e violência a todo o momento.

Uma técnica até tradicional das animações da Disney, principalmente nos anos de ouro, entre 40 e 50, foi o caminho que Rudyard Kipling achou para levar a recriar essa versão de Mogli.

junglebook-mowgli-wolf

A trama do menino abandonado, encontrado por uma pantera e criado por lobo que desperta a ira de um tigre recalcado e o amor de um urso lerdão todo mundo conhece, não existe novidade, isso fica por conta da fabulosa tecnologia e com certeza deixou o fantasma do Valdisney feliz da vida.

O único ator real em cena é o estreante Neel Sethi, como Mogli, todo o resto, das criaturas até os cenários são feitos por computação gráfica e só com o pó de magia da Disney, tudo fica tão natural e lindo que não causa estranheza, é muito natural.

hidden-talent-the-big-names-beneath-the-fur-scales-hair-of-your-favorite-jungle-book-ch-827992

Acredito que boa parte dessa naturalidade visual dos animais, vem de uma tentativa inteligente de não querer humanizar os movimentos e expressões dos animais. A dublagem original em inglês também é um show a parte, se Ben Affleck nasceu para ser o Batman, Bill Murray nasceu para ser o Baloo, Ben Kingsley (Bagheera), Idris Elba (Shere Khan) e o Christopher Walken (Rei Louie) esse último, bem diferente da animação e mais ~sombrio~.

Os conflitos morais dos animais são o fio condutor da história, afinal, estamos na selva e a disputa pelo poder entre os animais é latente, Kipling teve a sensibilidade de não transformar Mogli em um Tarzan moderno comandando o rei dos animais, Mogli tanto quanto nós, está descobrindo os caminhos da Selva naquele momento.

Mogli é um filme leve, divertido e muito bem feito, com aquele selo Disney de qualidade e com uma tensão de deixar esses blockbusters no chinelo. A Disney novamente vem para mudar paradigmas das animações e lança uma bela tendência, que pelo menos nessa primeira tentativa, saiu perfeitamente natural.

Infelizmente, assistir Mogli nos cinemas da capital baiana, beira a tristeza de ver um filme feito em HD em uma televisão de tubo de 14”. Mogli é um filme para ser visto em IMAX, toda a beleza, a fotografia a direção são pensados para IMAX, não só ele, mas Os Oito Odiados, Batman v Superman apesar de não valer um ingresso de IMAX, foram feitos para telas grandes amigos.

Repeti IMAX 15 vezes em um parágrafo porque temos que cobrar isso, Salvador é uma das cidades com maior importância cultural do Brasil, principalmente na sétima arte e não ter uma sala IMAX é inadmissível, principalmente com criação de salas vip em todos os grandes cinemas da cidade.

cinema-003

Sala VIP significa o valor do ingresso em dobro com poltrona mais confortável e garçom. A tela é normal, o que mostra a triste realidade de que o cinema está se tornando um lugar para fazer qualquer coisa, até tomar um Chandon Black, menos ver uma obra de arte cinematográfica. É triste, mas é verídico.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.