Fonte: Emslichter / Pixabay

O mercado de colecionáveis. Sim, é bem maior do que imagina.

Na primeira parte da série, um mercado em franca expansão, indo onde nunca jamais esteve.

Como falamos no artigo anterior, o mercado de coleções abarca 3 grandes blocos: os colecionáveis, as antiguidades e os souvenires. Mas na prática, vai muito além: há o gigantesco mercado de licenciamento e o de conteúdo, intimamente ligados, pois sem conteúdo ou marca proprietária, não há licenciamento.

Ou seja, se formos buscar o tamanho do mercado de colecionáveis, teremos um trabalho gigantesco. O mercado online de antiguidades e colecionáveis estava estimado em US$ 5 bilhões de dólares em receitas em 2012 (crescendo 8% ao ano). A Paul Fraser Collectibles estima que o mercado de colecionadores seja de 200 milhões de pessoas (sem citarem fonte), com estimativa de dobrar em 30 anos.

Hoje vamos só destacar rapidamente alguns exemplos do que chamamos de mercado de colecionáveis. Em nossa leitura, trata-se do mercado de produtos novos/semi-novos e, em alguma medida, já pensados para o mercado de colecionadores. Isso não significa necessariamente que terá alto valor de revenda — eis a diferença de um mercado de arte para um de colecionáveis. Um sub-ramo desse mercado é o de curiosidades (curio), voltado para itens incomuns ou estranhos que tenham apelo colecionável (tipo uma coleção de apitos que imitam pássaros).

Fonte: http://comics.gocollect.com/

Diferentemente do mercado vintage, onde a antiguidade e raridade da peça importam, ou do mercado de arte onde a peça já nasce única, colecionável é volátil e imprevisível. Um exemplo: uma HQ dos anos 70 pode simplesmente disparar em valor quando a Netflix anuncia que fará uma série do personagem… e depois cair novamente (sim, Iron Fist)!

Isso não significa que seja irrelevante. O mercado de Toys nos Estados Unidos hoje é de US$ 26,5 bilhões de dólares por ano. Se retirarmos os brinquedos somente para bebês e crianças, e aqueles de uso externo, temos um mercado potencial para coleção de quase US$ 16 bilhões de toys NOVOS por ano! Apesar dos números serem fechados para compradores da pesquisa, o Brasil seria o segundo mercado das Américas de colecionáveis de animação (Lego, Mattel, Hasbro etc), com CAGR de 5% durante o período estudado (2017–2021).

Fonte: http://www.businessinsider.com/nike-resell-sneaker-market-analysis-2014-10

Mas a coisa é mais doida do que isso. Olhem esse gráfico sobre o mercado de revenda de tênis no Ebay (ou seja, tênis de coleção). Um mercado secundário em 2014 avaliado em US$ 338 milhões! O interessante é notar que o principal motivo para o surgimento desse mercado foi a estratégia da Nike em limitar as quantidades de venda de boa parte de suas coleções, criando um submercado gigantesco e em franco crescimento.

Ou seja, assim fica clara que uma das características desse mercado é sua incrível pulverização em milhares de submercados que podem simplesmente surgir do dia para a noite. Em quase todos os casos, os valores dependem essencialmente do fator raridade e demanda, o que não significa que não existam coleções de valor muito baixo. Uma caraterística também única dos colecionáveis é que o caráter prazer supera e muito o fator "investimento", que é foco importante dos mercados de arte e coleções vintage. Dá pra se ganhar dinheiro? Sim, mas não com uma só peça — tem que ter volume, quantidade e bom conhecimento do submercado no qual atua.

No próximo artigo, vamos falar do mundo dos vintage collectibles. Até mais e assinem o canal Kollecter para não perderem os próximos capítulos.

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