Bem-vindos ao Kria, Grégory e André!

Fundadores da Razor Computadores

Glauber Ferreira
Jan 26 · 9 min read

No final de 2020, nossa comunidade investiu R$1.800.000 na Razor Computadores, startup de hardware lá de Passo Fundo, Rio Grande do Sul. O negócio começou como algo despretensioso e foi fundado pelos irmãos Gregóry e André Luiz Parisotto Reichert, que sonhavam em ter “a melhor loja de assistência técnica de Passo Fundo”. Em poucos anos, porém, eles construíram uma fabricante de computadores de alta performance, que atende grandes empresas, profissionais especializados e o governo. Para continuar esse processo de crescimento, a Razor fez uma rodada com a comunidade Kria, em outubro do ano passado, superando a meta máxima de captação em poucos dias.

Na foto, Grégory (à esquerda) e André (à direita)

Nome completo: Grégory Parisotto Reichert
Idade: 25
Primeiro computador na vida: IBM Aptiva

Nome completo: André Luiz Parisotto Reichert
Idade: 30
Primeiro computador na vida IBM Aptiva

Greg: Desde criança sou apaixonado por computadores. No ano em que nasci, em 1995, meu pai comprou um IBM Aptiva, meu primeiro grande amor, e desde os 10 anos eu brincava de desmontar e montar computadores. Isso já deu muita briga em casa, inclusive. A máquina para mim era um brinquedo, comecei a aprender a ajeitar mesmo quando já tinha estragado tantos computadores e fontes que o pai já não aceitava mais pagar o conserto (risos).

Eu sempre quis criar algo grande, apesar de a minha noção de grande ter mudado com o tempo. No começo, minha ambição era ser a referência de informática em Passo Fundo. Para isso, montei uma loja que era também uma assistência técnica — e eu ia de porta em porta para oferecer nosso trabalho. Isso foi evoluindo gradualmente e cada vez mais ganhando corpo. Foi um trabalho de formiguinha bem consistente.

Quando começamos a montar e vender nossas próprias máquinas, tínhamos a preocupação de oferecer um nível de excelência altíssimo; nós sempre nos comportamos com um profissionalismo típico das grandes empresas, mesmo tendo como mercado de atuação apenas a cidade de Passo Fundo, no começo. Esse foco na experiência do cliente sempre fez parte do nosso DNA.

André: No começo, a Razor basicamente consistia no trabalho desenvolvido pelo Greg. Apesar de participar indiretamente desde o início, entrei oficialmente em 2017. Uma de nossas maiores preocupações sempre foi a experiência do cliente, então a gente sempre colocou uma “régua” muito alta. Buscávamos oferecer um serviço melhor do que aquilo que era oferecido pela Dell, Samsung, etc. Não nos portávamos como uma empresa pequena, mas sim como uma empresa grande que em pouco tempo estaria competindo com os grandes players do mercado — não apenas com as empresas locais de Passo Fundo.

Penso que o ponto de virada foi quando o e-commerce se popularizou no Brasil. Nesse momento, nosso mercado passou a ir muito além de Passo Fundo. Começamos a vender nossa marca para clientes no Brasil todo, então nosso faturamento deu um salto imenso. Com esse boom, também tivemos de lidar com uma nopva complexidade da operação, passando por diferentes questões típicas de uma companhia de grande porte como, por exemplo, logística, questões tributárias, de produção, entre outros. O detalhe é que tínhamos de enfrentar todos esses desafios com um time de 5 pessoas na época. O Greg tocava boa parte dessas novas áreas que precisavam ser desenvolvidas.

Greg: Fazer uma empresa crescer, com todos esses desafios que o André mencionou, também traz aquela insegurança de saber se o negócio estaria de pé na semana seguinte. A gente sempre viveu no limite. Aprendemos a viver na escassez e isso forjou muito nosso jeito de fazer negócios hoje em dia.

Na foto, máquinas Razor

André: Apesar da popularização do processamento remoto feito em nuvem, sempre haverá demanda por um processamento potente local. Exemplos legais disso são as ferramentas de reconhecimento facial, que demandam uma resposta imediata dos servidores. Um atraso de milisegundos pode ser fatal para um sistema de segurança instalado em grandes cidades, por exemplo. E cada vez mais nós temos assistido à migração da capacidade computacional para notebooks — justamente pela tendência dessas máquinas serem utilizadas cada vez mais como uma ferramenta de trabalho (edição de vídeo, engenharia, desenho industrial, etc).

Greg: Talvez um lado bom do protecionismo brasileiro em relação à tecnologia seja o fato de conseguirmos competir com grandes marcas internacionais de igual para igual. As grandes marcas, para serem competitivas, precisam nacionalizar a produção. E ao fazer isso a competição se dá em outro nível e não apenas no preço. Nesse ponto a gente sempre se diferenciou pelo atendimento, pela personalização do cuidado com o cliente, de realmente conhecer nosso público como a palma da nossa mão.

André: Nessa linha, ouso dizer que nosso principal ativo seja o canal centralizado. Nossa experiência de venda é extremamente poderosa: um exemplo é a ferramenta que calcula o preço da máquina a partir das necessidades das diferentes pessoas que atendemos. Por exemplo: se alguém nos procurar dizendo que precisa rodar um programa X a uma tal velocidade, com um orçamento Y, sabemos exatamente qual máquina montar, qual a configuração ideal, etc. Isso é um valor muito grande que oferecemos para nossos clientes. Por isso, em médio prazo, queremos nos posicionar como uma referência para quem busca essas informações na internet (com conteúdos direcionados). Hoje, se você precisa de uma máquina de alta performance, é provável que dias de pesquisas sejam gastos até que se encontre as informações necessárias para garantir uma compra segura e bem informada. Com a Razor, queremos que essa demora no processo de compra seja reduzida — e nosso time de consultores atua justamente aí: levando informações qualificadas e direcionadas.

Nosso objetivo é fazer com que a Razor esteja no ecossistema de computadores por inteiro. Queremos que o estudante de engenharia, ao ter contato com os software da Adobe na faculdade, também tenha contato com as máquinas Razor. Daí no futuro, quando ele estiver buscando uma máquina para ser sua ferramenta de trabalho, o primeiro nome que virá à sua cabeça será Razor. Quando ele estiver buscando conteúdo técnico na internet, a primeira opção de pesquisa será Razor. E assim construiremos um ecossistema de negócio que vai muito além das máquinas.

Na foto, participantes do Scale-Up da Endeavor (André e Greg ao centro)

Greg: Passamos por um pouco de tudo, desde a dificuldade para lidar com questões fiscais até escassez de peças para montar nossos produtos. Uma vez que tive de tirar um passaporte de emergência às pressas e embarcar para a Alemanha em menos de uma semana, só para poder comprar dois processadores para o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas.

André: Questões fiscais aprendemos meio que no laço. Nem os contadores sabiam direito. Tivemos de encontrar pessoas que entendessem bem das nuances da indústria de PCs. E até colocar todos os sistemas de pé, e organizar todas essas questões, sofremos muito.

Greg: No começo, enfrentei um problema societário com um co-fundador da Razor que, depois de um certo crescimento da empresa, não estava se sentindo mais uma engrenagem fundamental para a empresa. Isso gerou um clima muito pesado, muito difícil para todos. Pouco a pouco, chegamos à conclusão de que a melhor saída seria eu comprar a parte dele da empresa. Mas foi uma decisão que pessoalmente me afetou bastante.

André: Nessa linha do Greg, digo algo parecido. Quando entrei éramos 5. E havia um sentimento em mim de que, de um jeito ou de outro, essas 5 pessoas estariam com a gente por toda a trajetória da Razor. E saber que nem todo mundo teria condições de permanecer no time me incomodava muito, porque, de certa forma, eu havia feito um compromisso com aquela pessoa, eu havia lhe prometido o Jardim do Éden. E desligar essas pessoas que fizeram parte do time inicial foi algo bem difícil. Mas, ao mesmo tempo, isso ilustra nosso compromisso com as pessoas que se entregam de verdade ao propósito da Razor. Tudo isso faz parte do processo de amadurecimento natural de uma empresa. Com a evolução da companhia, com a transformação da cultura, há sempre uma exigência cada vez maior por performance. Apesar de toda gratidão que tenho com a galera que nos ajudou no início, pouco a pouco tive de aprender a lidar com tudo isso, a conviver com esse desconforto.

Greg: Há 1 ano e meio, à medida que sentíamos a necessidade de mais capital para manter nosso ritmo de crescimento, começamos a viabilizar uma rodada de investimentos. Inicialmente partimos para os contatos locais, depois abrimos o leque — chegamos a falar com mais de 130 empresas e fundos de investimento. E a cada interação a gente ia aprendendo mais sobre nosso negócio, entendendo onde estavam nossos pontos fracos e nossos pontos fortes. Vimos que para levantar investimento no Brasil, enquanto empresa de hardware, seria necessário ter um business muito sólido, com indicadores muito consistentes. Trabalhamos duro nesse sentido e fomos aperfeiçoando a forma como apresentávamos o negócio. Nos tornamos mais maduros, o que culminou em uma rodada de investimentos no Kria no momento certo.

Aprendemos a importância de ter um bom know-how sobre o negócio, conhecer todos os números, ter as respostas na ponta da língua — e saber responder às perguntas dos potenciais investidores. Ao fazer isso, você venderá melhor seu sonho, seu negócio. E esse foi um dos grandes aprendizados que tivemos durante nosso processo de captação

André: Com o passar dos anos, aprendemos também a melhorar aquilo em que somos bons, que é justamente criar esse customer experience de primeira, de aperfeiçoar nosso canal super personalizado. Nosso produto, per se, é excepcional — usamos componentes de primeira linha em nossas criações -, mas o valor que é percebido de maneira mais imediata é justamente esse diferencial em relação ao valor que aportamos aos nossos clientes. Tudo isso também ficou muito claro e bem comunicado à medida que evoluímos no processo de captação de investimento.

Greg: Realizamos uma oferta pública de investimentos por acreditarmos muito no potencial de rede que poderíamos construir. Quando abrimos a rodada com o Kria, tínhamos captado, em 15 dias, R$ 300 mil em nossa pré-rodada. Quando a oferta pública foi aberta, estávamos inseguros se iríamos conseguir atingir a meta de captação. E, de repente, atingimos R$ 1,1 milhão em menos de 24 horas. Daí até o total da nossa meta de R$ 1,8 milhão foi uma questão de dias. Ficamos muito surpresos com o potencial de conexão oferecido pelo Kria. O pool de investidores que participou da nossa rodada também nos surpreendeu muito. Pessoas dispostas a somar forças com a gente. Para se ter uma ideia, um desses investidores fez parte do time de fundadores da Linx, que recentemente foi vendida para a Stone por R$ 6 bilhões. Esse tipo de coisa não tem preço. Não apenas recebemos R$ 1,8 milhão de reais em investimentos; recebemos o capital intelectual de 150 pessoas que agora vão somar com a gente nesse nosso sonho de provar que é possível construir uma marca de hardware genuinamente brasileira.

Na foto, time Razor

Para conhecer mais sobre a Razor, visite https://razorcomputadores.com.br/

Kria

Invista, em comunidade, em negócios de alto potencial de retorno

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