Papo com Marcela, a COO da Devas Invest
Conheça a Devas Invest, um de nossos parceiros institucionais para investimento em startups

Entrevista por Vinícius Sittart
Nos últimos meses iniciamos uma parceria com a Devas Invest, single-family office, para co-investimento em startups. Fundado e liderado por José Acar como CEO e Marcela Correa de Siqueira como COO, a Devas já conta com 12 empresas em seu portfólio, dentre as quais a Cervejaria LEUVEN e a b.drops, ambas do portfólio Kria.
Batemos um papo super bacana com a Marcela! Metódica e fã de esportes — yoga, surfe e até os mais radicais como paraquedismo — ela nos contou sobre sua entrada no mercado de investimentos de risco e os planos da Devas Invest.
Conheça (e invista com a) Marcela.
Para começarmos, conte-nos sobre você e sua trajetória para o mercado de Venture Capital.
Comecei minha vida profissional trabalhando em bancos. Trabalhei principalmente em áreas de desenvolvimento de novos produtos, e tive também experiência na área de marketing, como foco em inovação digital. Já passei por instituições como Banco Votorantim, Redecard, Citi e pelo Banco Pan, que foi inclusive onde conheci o José Acar.
No ano passado fui estudar em Nova York, onde o mercado de investimentos em startups é já bastante aquecido, e frequentei cursos e palestras sobre empreendedorismo e inovação.
No meu retorno ao Brasil no início de 2019, conversei com o Acar, que estava deixando o BTG Pactual (onde era membro do Comitê Executivo) e, analisando o cenário do mercado, identificamos uma boa oportunidade de contribuirmos com o empreendedorismo no país e agregar o smart money, a partir de nossas experiências. Foi assim que nasceu a Devas.
O país tem evoluído muito nos últimos anos, com as pessoas tendo mais coragem de empreender apesar das dificuldades, e que buscam capital para desenvolver os seus negócios. Também acreditamos na importância desse tipo de investimento pro crescimento socioeconômico do país, que apesar do risco atrelado ao investimento nos traz maior retorno, e principalmente nesse momento econômico do país.
E ao investir em startups, o que vocês buscam?
Temos uma tese de que investimos em bons empreendedores: que sejam motivados e engajados, com uma ideia que solucione um problema real e com alto potencial de escalabilidade, com desenvolvimento ou utilização de tecnologia para isso. Precisamos ver que existe um potencial de retorno aliado ao risco.
Mas não temos um setor específico e nem um ticket de investimento médio definido. Isso depende. Procuramos por negócios que conseguimos agregar smart money, seja por meio de business, marketing, inovação digital e que façam sentido com as demais empresas de nosso portfólio.
Atualmente temos 12 empresas com participação no capital societário e estamos auxiliando algumas startups, principalmente do setor financeiro, que estão captando funding.
Como vocês fazem para selecionar e avaliar esses negócios?
Algumas empresas conhecemos participando de eventos, outras por meio de indicações da minha rede ou da rede do Acar.
Não temos um modelo fechado em nossa análise, até porque temos diferentes segmentos dentro de nosso portfólio. O ponto principal aqui é: pessoas por trás e potencial de retorno. Analisamos os números da empresa, balanço, DRE, o estágio que ela está de operação (se já opera) e o quanto o mercado enxerga que existe de retorno no negócio. Mas tem muito da nossa sensibilidade, principalmente trabalhando com o Acar, que é um grande ícone do mercado financeiro.
Como todo mercado que começa a crescer, sabemos que existem boas oportunidades, com bons potenciais de retorno mas também com grandes riscos ao investimentos. Algumas empresas já chegam com um valuation muito elevado para nossa análise. Mesmo acreditando no propósito da empresa, ficamos de fora de negócios que sem operação, querem investimentos altos em troca de participações mínimas.
Uma dica para quem quer investir em startups é ficar bem atento ao mercado, confiar nos empreendedores porque são eles que vão fazer toda diferença, desde que a ideia deles resolva problemas reais e escaláveis, que utilizem tecnologia e observem em quanto tempo terão o retorno do investimento e irão se rentabilizar. Não acreditamos nesse modelo de colocar muito capital atrás de capital para a empresa queimar caixa. Tem que se observar o crescimento, a evolução dos indicadores e quando atingirão o break-even.
Você mencionou o Smart Money. Como vocês contribuem com as suas empresas investidas?
Acredito que muitos empreendedores possuem boas ideias mas por conta do foco na operação, as questões de business ficam de lado. É onde temos experiência: como colocar uma ideia em prática e como escalar. Temos expertise em finanças, controladoria — principalmente por parte do Acar — e eu trago o marketing, mas sem dúvida, conseguimos agregar uma visão 360º, com o nosso background de banco que sempre teve muito contato com diferentes áreas, sabemos que o processo das áreas precisam se conversar. Ao mesmo tempo, com a nossa tese de escolher empresas que tenham sinergia no portfólio, conseguimos contribuir pro crescimento e sucesso delas.
Por parte dos empreendedores, é necessário que estejam abertos para receberem nossos feedbacks, escutar um conhecimento diferente e discutir as ideias. Sozinhos não conseguimos chegar no melhor lugar.
Vocês investiram em duas empresas do Kria. Por que optaram por esse investimento?
Na verdade nosso primeiro investimento foi feito por vocês. A experiência foi excelente: fácil e ágil, e a gente teve todo o suporte necessário, inclusive o seu (Vinícius Sittart).
Gostamos de observar como vocês avaliam e selecionam as empresas, o know how e expertise no mercado e, principalmente, o que elas podem gerar de valor. Foi de fato uma referência pra nós o modelo de contrato que vocês usam e todo o processo de diligência. É uma boa parceria. Esperamos evoluir ;)
Vocês estão investindo na b.drops. O que motivou esse aporte?
Quando observamos a oportunidade, vimos que de fato é um modelo diferenciado focado no público feminino, onde os empreendedores estão preparados para escalar e avaliando os números do mercado de beleza enxergamos uma oportunidade com um alto potencial de retorno.
Estar com os empreendedores cara a cara foi determinante para conseguirmos conhecer melhor o modelo e também definirmos o tamanho de nosso aporte.
Para finalizarmos: como é sua experiência como uma das poucas mulheres liderando um Venture Capital — e que dica você poderia compartilhar com outras mulheres?
Nos Estados Unidos, apenas 11% dos tomadores de decisão em investimentos no mercado de VC são mulheres segundo a pesquisa da All Rise com Venture Capitals de até U$25milhões.
Acredito que o segredo por conseguir liderar uma empresa em um ambiente masculino é sempre se manter preparada e atualizada sobre o mercado. Mostrar o valor que você consegue gerar é a melhor forma de conquistar o seu espaço e fazer com que outras mulheres admirem o seu trabalho e tenham motivação para entrar nesse mercado.
A maioria ainda dos investidores que me deparo no mercado de fato são homens. Em alguns ambientes e reuniões, encontro algumas mulheres, como é o caso do programa do Insper Empreenda em que dei mentoria para um grupo de mulheres que me selecionaram para auxiliá-las nessa trajetória de empreendedorismo.
Mas vi poucas iniciativas no mercado para fomentar mais a inclusão de mulheres e estou disposta a ajudar para crescer a rede de mulheres investidoras.

