Jetsunma Tenzin Palmo, sobre carma.

Pergunta: Algumas vezes o carma é tomado por motivo para não se intervir em situações difíceis, como, por exemplo, quando se testemunha um adulto abusando de uma criança.

JTP: Bem, isso é o mesmo que dizer, caso você tenha uma dor de dente: “Bem, é meu carma ter dor de dente, por isso não irei ao dentista.” Não faz sentido algum, não é? Talvez o seu carma também seja encontrar um bom dentista. Da mesma forma, se alguém está abusando de uma criança, talvez o carma da criança seja encontrar alguém para ajudá-la. Se colocássemos o carma como motivo para tudo que acontece, não faríamos nada, não é? Mas ninguém faz isso. Se você fica doente, vai a um médico. Você não pode simplesmente se sentar e dizer: “Este é o meu carma.”

P: Mas muitas vezes se ouve: “Tudo bem, é o seu carma, é o carma dele.”

JTP: Bem, talvez seja porque tivemos inúmeras vidas, em que plantamos um milhão, um bilhão de sementes negativas e positivas, e nunca se sabe quando elas irão brotar. Mas o que surge não é o mais importante. É o modo como reagimos ao que está acontecendo conosco que importa. Será que respondemos de uma forma inteligente, com ações hábeis, ou não? E simplesmente ignorar uma situação difícil demonstra falta de compaixão, falta de compreensão, falta de apreciação, uma incapacidade de se colocar no lugar do outro e assim por diante. É evidente que, se alguém está sofrendo e uma pessoa pode ajudar, então talvez o carma dessa pessoa seja desenvolver mais compaixão ajudando.

Este post é um trecho recortado do livro No coração da vida: Sabedoria e compaixão para o cotidiano, que pode ser comprado aqui.