
Energia Solar: Tudo que você sempre quis saber | Parte 2
Uma série de três partes apresentando a energia solar sob três perspectivas: a tecnologia, o investimento e o impacto ambiental
Semana passada discutimos sobre os aspectos técnicos da energia fotovoltaica. Explicamos, por alto, a física por trás da tecnologia e falamos sobre sistemas On e Off-Grid e sobre os componentes principais de um sistema de energia solar. Ainda, destrinchamos o processo prático para adquirir e instalar um na sua casa ou empresa.
Nessa semana, falaremos da energia solar sob uma perspectiva financeira, para você que vê essa tecnologia como uma possibilidade de investimento e, principalmente, para aqueles que ainda não tinham pensado nela desta forma.
O Investimento: quanto custa e qual é o retorno com a produção de energia fotovoltaica
O custo de um sistema fotovoltaico
O fator preço foi, por anos, um obstáculo para a disseminação da energia solar entre os brasileiros. Apesar dos preços terem caído pela metade nos últimos dois anos, o custo ainda é a principal dificuldade enfrentada para as vendas no segmento. A questão é que, sem a abordagem financeira e econômica sobre esse tema, ainda é difícil “vender energia solar” só com o argumento da sustentabilidade. É preciso conscientizar os interessados que energia solar é um investimento.
A maior parcela de custo no preço de um sistema fotovoltaico é atribuída aos painéis. Quanto maior a potência do sistema mais placas ele possui e, consequentemente, maior o preço. As placas compõe a maioria dos componentes utilizados e, além disso, as melhores marcas são produzidas fora do país, principalmente na China, por essa razão, o custo desse material varia não só pelo fluxo de mercado mas também pela flutuação do dólar.

No entanto, já existem maneiras de adquirir um sistema fotovoltaico sem se preocupar com o dólar e sem pesar muito no bolso. Nos últimos anos, com intuito de diversificar a matriz energética do país e fomentar a utilização de fontes de energias alternativas, surgiram diversas iniciativas públicas e privadas para oferecer linhas de financiamento especiais a quem deseja aderir a formas sustentáveis de produção de energia.
Mas isso é assunto para nos aprofundarmos em um próximo texto. O propósito aqui é esclarecer o por que energia solar é um bom investimento e discorrer sobre algumas questões financeiras em torno desse mercado.
O valor da sua energia: Quanto vale a energia produzida pelo sistema fotovoltaico?
Para responder devemos analisar quatro fatores:

O primeiro que deve ser levado em consideração é o valor que você paga pela energia que consome. As concessionárias cobram uma tarifa mensal pelo consumo de energia elétrica, que varia conforme região e encargos setoriais. Do ponto de vista econômico, o custo dessa tarifa é o que mais influencia na rentabilidade do empreendimento, pois quanto maior for a tarifa, maior é a economia gerada pelo sistema.
O segundo fator a ser considerado é a inflação energética, isto é, o aumento do preço dessa tarifa ao longo do tempo. Para entendermos o nível desse crescimento e o quanto ele afeta o valor da energia produzida, de 2017 até agora o preço da tarifa cobrada pelas concessionárias registrou um aumento de cerca de 30% em algumas regiões do país. A previsão é que até o final de 2018 este aumento acumulado chegue na casa dos 44%. Isso se traduz na valorização dos investimentos em energia solar, já que a energia que você produz torna-se mais valiosa.
O terceiro fator diz respeito à localização geográfica da instalação. Cada região recebe uma radiação solar diferente devido à sua posição no planeta em relação à orbita do Sol. O posicionamento geográfico impacta diretamente no rendimento da conversão energética dos painéis, ou seja, em quanta energia eles vão produzir ao longo do dia. Aqui no hemisfério sul, é preferível que as placas sejam instaladas viradas para o Norte, assim você se assegura que o seu sistema estará operando com a máxima eficiência, pois estará recebendo bastante radiação solar.
Todos esses fatores têm uma influência direta sobre a rentabilidade dos sistemas, tornando alguns lugares mais propícios a receber um empreendimento fotovoltaico e, consequentemente, mais vantajosos. Por essa razão, um sistema instalado no centro do Rio de Janeiro terá características financeiras diferentes de um sistema instalado no interior do Paraná.
Por fim, o último fator é o nível de complexidade do projeto. Cada projeto tem suas especificidades, que podem se transformar em dificuldades na hora da instalação. Obstáculos como a integridade e impermeabilização do telhado, assim como a organização elétrica ou arquitetônica do estabelecimento, podem acarretar no aumento do orçamento e consequentemente na rentabilidade do projeto.
O importante é ter em mente que cabe à empresa contratada para a realização do empreendimento, durante a visita técnica, efetuar uma análise para apontar qualquer adversidade que possa resultar em alterações no orçamento do projeto.
Responsabilidade com o seu bolso
É fundamental ressaltar que investir em energia solar significa investir em um ativo financeiro que lhe trará alta rentabilidade — que se dá em forma de economia — a um risco baixo. Outro ponto é que a energia produzida pelos painéis fotovoltaicos, no final das contas, sai bem mais barata do que a energia vendida pela sua concessionária.
Quanto mais alto é o investimento, maior é o retorno financeiro. Além disso, o preço por potência instalada torna-se mais barato conforme o tamanho do projeto. Em outras palavras, é financeiramente mais vantajoso instalar um sistema que atenda à toda sua demanda energética, do que um sistema que atenda apenas uma fração dela.
Ok. Mas eu não sei nada sobre investimentos. O que eu preciso saber para realizar um investimento fotovoltaico?
Primeiro, entender o negócio e o mercado. Não precisa se tornar um gênio do mercado financeiro nem do desenvolvimento de tecnologias de captação de energia solar, mas quanto mais informação melhor. Isso vale para qualquer investimento.
“Nunca invista em um negócio que você não entende.”
-Warren Buffet
A análise econômica do projeto é composta principalmente por dois indicadores: A Taxa Interna de Retorno (TIR) e Retorno Sobre Investimento (ROI). O TIR mensura a “atratividade” do investimento levando em conta o fluxo de caixa, nesse caso, a economia gerada pelo sistema para determinar a viabilidade econômica de acordo com a exposição ao risco. Já o ROI, trata da relação entre a quantidade de dinheiro ganho como resultado de um investimento e a quantidade de dinheiro investido.
Para ficar mais simples, vamos dar um exemplo:
Retorno sobre Investimento (ROI): suponha que para fazermos 200 brigadeiros, que serão vendidos por R$ 1,50 cada, temos um custo de R$ 50,00. Nesse caso, teríamos um ROI de 500%, ou seja, para cada R$ 1,00 investido teríamos um retorno de R$ 5,00.
O cálculo do TIR é um pouco mais trabalhoso, pois leva em consideração análises menos diretas. Porém, dois fatores valem a pena serem destacados:
- VPL ( Valor Presente Líquido ), que determina o valor da economia futura gerada pelo sistema, descontado o custo do investimento inicial e considerando a depreciação monetária;
-TMA ( Taxa Mínima de Atratividade ), que determina o mínimo que um investidor se propõe a ganhar quando faz um investimento ou o máximo que está disposto a pagar quando faz um financiamento, à partir da análise do custo de oportunidade de investimento; risco do negócio e liquidez. Liquidez, nesse contexto, significa o quão rápido é possível sair de uma posição específica de mercado e entrar em outra.
Para não deixar o texto maçante e muito teórico, vamos deixar uma referência pra quem quiser se aprofundar no assunto. Mas nada que um “google” rápido não resolva também. Você pode conferir este link ou este.
Agora, voltando para análise e comparação de investimentos. Segundo a Fitch Ratings, uma das maiores agências de análise de investimento do mundo, a grande maioria dos projetos de energia solar é classificada como tipo “A”, ou seja, uma qualificação média-alta e com baixo risco dentro do espectro de análise de crédito. Se você não sabe o que isso significa, não tem problema, vou deixar dois links aqui pra quem quiser saber mais.
Abaixo, usaremos um gráfico para comparar a rentabilidade real de um projeto fotovoltaico no valor de R$ 320.000,00 a um investimento de mesmo valor em renda fixa.

Se depois disso ainda ficou alguma dúvida, chame a gente pra tomar um café e trocar uma ideia!
