Para Facilitadores

Fabiana Maia
Nov 5 · 3 min read
Terra Luminous

Eu facilito cursos, vivências e retiros há muito tempo, e eu encontro na facilitação um desafio muito grande de coerência, porque eu falo justamente sobre não violência, ter escolha, equivalência, poder compartilhado, e muitas vezes eu me vejo nesse lugar de facilitadora, ou “a professora”, que está ali na frente de “alunos”, e fica muito fácil encaixarmos isso no modelo mental tradicional de quem está oferecendo conhecimento e quem está recebendo.

E é muito fácil o poder sobre os outros (poder estrutural, altamente gerador de violência) ser constituído nesse contexto, da sala de aula ou da turma de facilitação de um curso. Por conta disso, eu venho pesquisando como eu posso ser mais coerente como facilitadora.

Eu percebi que tem algumas estratégias que podem me levar para essa experiência da não violência e da transgressão desse poder estrutural. Essas estratégias são muito fáceis de serem usadas e construídas dentro de um contexto de aprendizagem, e eu não estou falando somente para formações de comunicação não violenta, mas me refiro também a facilitação de outros cursos, sobre outras tecnologias de transformação social.

Algumas estratégias que eu venho descobrindo são:

ACORDOS

Eu não começo um curso sem que a gente possa em roda definir quais são os acordos, ou seja, quais são os combinados que nós iremos fazer como coletivo que podem garantir que tenhamos as nossas necessidades atendidas ao longo da nossa experiência juntos. Isso é interessante porque eu já fui questionada por pessoas que facilitam comigo:

“Pô Fabi, vamos levar os acordos prontos, a maioria deles se repetem, nós já sabemos quais são os acordos, vamos levar prontos que assim ganhamos tempo.”

E aqui para mim tem uma armadilha. Se eu levo os acordos prontos, eu já estou quebrando o processo participativo. Eu não sei quais serão as necessidades daquele grupo, e ao levar prontos, além de perder a riqueza da construção em conjunto, eu corro um grande risco em perpetuar o ciclo de violência durante a formação.

TOMADA DE DECISÃO

Tomada de decisão em grupo é muito importante também, por exemplo:

Ah, precisamos sair mais cedo, é feriado, e vai ter muito trânsito, então nós precisamos mudar os horários previamente combinados.

Como a gente faz isso de uma forma não violenta?

INTERRUPÇÕES

Quando alguma coisa está acontecendo na sala, que incomoda o facilitador, como fazer a interrupção?

No meu caso, por exemplo, algumas vezes é quando uma pessoa se empolga muito para falar sobre a não violência, e ficamos alguns minutos filosofando sobre a não violência, a violência, e tudo o que envolve isso, e de repente eu percebo que estamos falando sobre, mas não estamos praticando.

Então, como eu posso fazer uma interrupção desse diálogo (as vezes, desse monólogo) super empolgado, cheio de vida, que está interessando muito aquela pessoa (e talvez até algumas outras pessoas), mas da perspectiva da facilitação eu percebo que não estamos ganhando tanto quanto se estivéssemos em uma prática?


Essas são algumas das estratégias que venho investigando para me tornar mais coerente enquanto facilitadora.

E você, gostaria de compartilhar outra estratégia ou tem alguma experiência legal para compartilhar?

LabCNV

Fabiana Maia

Written by

Psicologia Integrativa, CNV, Luminous Coaching

LabCNV

LabCNV

Laboratório de Estudos e Práticas em Comunicação Não-Violenta.

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