Como escalar design?
Carros feitos por um mesmo fabricante têm cheiros iguais, as superfícies do interior têm texturas similares, os volantes exigem um esforço físico parecido, os sons da seta e do limpador de para-brisas são quase idênticos, os botões ficam em posição familiar e as interfaces dos painéis usam uma mesma linguagem visual. Olfato, tato, audição e visão são cuidadosamente estimulados para expressar os valores da marca.
Os apps da Google são (finalmente) coesos em linguagem visual, interação e voz. Espaço, cor, movimento, tipografia, iconografia, redação e navegação são aplicados de forma consistente para expressar os princípios da linguagem de design da empresa e garantir uma experiência familiar e previsível.
Um bom ecossistema, seja físico, como na indústria automobilística, ou digital, como na indústria de software, combina produtos que funcionam juntos. Eles compartilham atributos que os tornam interconectados e imediatamente reconhecíveis, como se fizessem parte de uma família.
Indústria bancária
A indústria bancária experimenta uma tendência de especializar produtos digitais, de construir softwares direcionados a problemas e contextos de uso específicos. É natural, o portfólio de serviços bancários digitais se tornou muito grande, e o esforço de oferecê-los em um só app ou site resultou em experiências subaproveitadas, sem foco e às vezes difíceis de digerir.
Foi provavelmente por isso que sentimos a necessidade de construir apps dedicados à seguridade, cartão de crédito e investimentos, por exemplo. Eles ilustram bem como o modelo tradicional de oferecer um app ou site como únicos pontos de contato foi virado do avesso.
O movimento faz sentido: Nubank, Easynvest, Creditas e GuiaBolso são exemplos de como produtos digitais dedicados a contextos de uso específicos tendem a ser mais precisos, claros e confortáveis de usar.
O problema é que o ecossistema de produtos digitais do BB atualmente não é coeso. Nossos produtos não falam a mesma língua. De forma geral, eles não são representações autênticas e coerentes dos valores da nossa marca. E os clientes percebem isso, mesmo que não consigam articular.
Sistemas de Design
Inconsistências acontecem com muita facilidade em produtos digitais, especialmente em empresas gigantes como a nossa, porque às vezes passamos tanto tempo focados em problemas individuais que não conseguimos dar um passo para trás e analisar o cenário com um todo.
Outros gigantes como Microsoft, Airbnb, Uber e Spotify, que também sentiram dificuldades em escalar design entre seus milhares de engenheiros, PMs e designers, têm documentado seus esforços em promover consistência entre seus produtos.
E o que todos eles fizeram pra tentar chegar lá, sem exceção, foi investir na criação de sistemas de design: uma coleção de princípios, padrões, ferramentas e componentes que permitem iterações rápidas entre as disciplinas de design de produto usando um vocabulário compartilhado.
O design sempre se apoiou em sistemas para permitir a criação de produtos de forma escalável e repetitiva. Desde a produção de peças gráficas e editoriais até o desenho industrial, sistemas de design são essenciais para a construção de produtos melhores e em menor tempo.
Mas apenas recentemente os sistemas passaram a ser explorados na criação de produtos digitais. E isso se deu porque engenharia, design e negócio perceberam a necessidade de se aproximarem na tentativa de suprir a crescente exigência por maior qualidade e velocidade de produção. Um sistema de design se encaixa perfeitamente aqui, porque ele oferece um vocabulário compartilhado entre essas disciplinas, e nos ajuda de duas grandes formas:
1) a criar produtos melhores, porque softwares coesos expressam de forma mais autêntica os valores da marca, além de serem mais fáceis e agradáveis de usar; e
2) a construir softwares de forma mais rápida, escalável e repetitiva, porque design, engenharia e negócio conversam a mesma língua.
Existe um movimento no BB de criação de um sistema de design próprio, impulsionado principalmente pelo projeto de redesenho do app de mobile banking. Ele se baseia nas diretrizes de design publicadas pela Diretoria de Marketing e Comunicação e as estende na tentativa de oferecer uma linguagem compartilhada para criação de produtos digitais.

No momento, três produtos estão sendo desenhados a partir do sistema: a nova versão do nosso app de mobile banking, a Plataforma BB mobile e o Console do Labbs.
O sistema, ainda em fase preliminar de desenvolvimento, orienta a aplicação de disciplinas como estratégia de conteúdo, tipografia, iconografia, espaço, cor, movimento e interação, na tentativa de ajudar a empresa a desenhar, em escala, experiências familiares, alinhadas a nossa estratégia corporativa e, com sorte, memoráveis.

