A Jornada do LAB Hacker — 3ª Geração (2019–2020)

Diego Cunha
Dec 23, 2020 · 6 min read

Em comemoração ao sete anos de existência do LAB Hacker (2014–2020), chegamos ao fim de uma trilogia de textos. Se anteriormente, falamos da primeira geração (2014–2016) e da segunda geração (2017–2018), vamos agora à terceira, a atual fase atual dos trabalhos.

3º Geração do LAB Hacker (2019–2020)

O LAB Hacker como um colaborador na inovação

Esta fase é marcada por uma inflexão crítica da atuação do LAB, para ser um colaborador da inovação dentro da Instituição. Muito questionamento e reavaliação de seu papel contrastando-se as lições e limitações de experiências anteriores com expectativas de caminhos a seguir. É um período em que o Laboratório Hacker busca experimentar mais intensamente e estruturar metodologias de trabalho colaborativo (Design Thinking, Sprint, Scrum, etc).

Neste ciclo, houve um difícil aprendizado com nova tentativa de desenvolvimento de uma ferramenta para a visualização de discursos parlamentares, o PARLA. Diferentemente de tentativas anteriores, essa aplicação deveria ser voltada para dispositivos móveis. O lançamento do Parla foi depois percebido com autocrítica na equipe, uma vez que deveria ter sido apresentado tal como realmente era: um protótipo, um experimento — ainda sem possibilidade de ser plenamente um serviço funcional.

Apesar do LABHacker ter tido uma experiência com testes de usuários em seus protótipos, avaliou-se ser preciso também uma metodologia para o processo inicial de formulação, envolvendo melhor parceiros e outros atores. Uma oportunidade para aprofundar essa autocítica aconteceu com a vinda da nova diretora do LABHacker, Patricia Roedel, a qual trouxe um olhar de fora e uma abertura para inquietações de parte da equipe quanto à necessidade de novas metodologias de trabalho.

É preciso pontuar que uma característica diferenciada do LABHacker em relação a outros laboratórios de inovação é a presença de uma equipe de desenvolvedores e designers, o que possibilita gestar um produto ou um serviço, da ideação ao teste, em um ciclo completo. Quer dizer, mais ou menos, porque a efetiva implementação desse produto ou serviço depende de outros atores em meio a toda organização. Justamente neste ponto — de envolvimento de parceiros — era necessário avançar na estruturação do papel do LAB Hacker.

As intensas discussãos levaram à seguinte definição de processo de trabalho: a cada dois anos, os projetos serão definidos de forma colaborativa com representantes da sociedade civil organizada no evento “Nós do Lab”. Os protótipos a serem desenvolvidos — com a identificação e o devido apoio de parceiros — serão apresentados depois para serem efetivamente transformados em produto ou serviço com a decisão da alta direção da Câmara dos Deputados.

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Proposta de fluxo de trabalho, com uma definição mais clara do envolvimento de parceiros e a limitação do papel do LAB na implementação das tecnologias.

Então, no meio de 2019, ocorreu a 2ª edição do evento “Nós do LAB”, com uma rodada de planejamento aberto e colaborativo para ouvir a sociedade e decidir projetos que o laboratório deveria experimentar/desenvolver ao longo de 2019–2020. O evento durou seis dias, distribuídos em três eixos temáticos: participação, transparência e cidadania. O formato do evento previu a realização de três encontros presenciais com mais de 6 pessoas , incluindo 32 servidores, 23 representantes de órgãos públicos, além de 5 parlamentares. Foram utilizadas metodologia e facilitação para a discussão colaborativa, mapeamento de problemas e geração de ideias.

No dia seguinte a cada encontro presencial, houve debate online com 7 especialistas sobre os resultados, desafios mapeados e soluções propostas. Ao final, foi feita a sistematização e priorização das ideias e desafios apresentados.

Utilizando metodologias ágeis, o LabHacker promoveu oficinas de Design Sprint 2.0 de maneira intersetorial e multidisciplinar para compreender melhor os problemas apontados e obter as diretrizes para a geração de protótipos de possíveis soluções.

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Oficina de Design Sprint aprofundamento do desafio “Conhecer melhor o cidadão” em suas diversas interfaces com a Câmara.

No segundo semestre de 2019, foi também lançada a nova versão do Wikilegis, que permite a participação popular na elaboração de projetos de lei e outras propostas legislativas. O conceito da nova ferramenta, fundamentalmente, centrou-se na possibilidade de comentários livres nos textos das proposições legislativas, por meio de trechos selecionados pelos participantes. Uma vantagem almejada para o cidadão seria este poder expressar livremente sua ideia, sem precisar se preocupar em seguir as regras do processo legislativo.

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Nova versão do Wikilegis: usuários podem fazer comentários livres em cima dos trechos que selecionarem

Buscou-se também melhori na consolidação das contribuições advindas do público externo, com mais facilidade na apreciação e monitoramento por parte dos responsáveis, sejam consultores legislativos, servidores de comissões, funcionários de gabinetes ou os próprios parlamentares.

A nova versão foi fruto de oficinas para melhor entendimento das necessidades e adequação à necessidade de consultores legislativos, que são muitas vezes os responsáveis pela redação técnica das proposições.

Em janeiro de 2020, com uma renovação da equipe técnica de desenvolvedores, o LABHacker promoveu o LABootcamp: um período de quatro semanas imersivas para troca de conhecimentos e treinamento de novas habilidades da equipe, com concentração na área de Desenvolvimento e de Design. Houve momentos abertos à participação do público externo, com palestras diversas e oficina de prototipagem. Também tivemos um Hackathon interno para aplicação dos conhecimentos em um projeto.

Ao longo do ano de 2020, com o acirramento da pandemia no mundo e seu impacto do Brasil, o LABHacker também entrou em trabalho remoto e precisou repensar suas formas e estratégias de trabalho. Para um dos projetos, foi preciso começar a experimentar os testes com usuários à distância.

Neste ciclo de 2019–2020, também tivemos o desenvolvimento o projeto Plenário Fácil, como resposta ao seguinte desafio proposto no evento Nós do LAB: “Como podemos melhorar a linguagem de comunicação da Câmara com o cidadão?”. Depois de uma etapa de Design Sprint, a solução foi desenvolver um protótipo de um site que o buscou pudesse acompanhar, em tempo real, das sessões no plenário.

Essencialmente — de uma maneira bem resumida — o Plenário Fácil traz uma experiência parecida com a de sites jornalísticos que permitem acompanhar uma partida de futebol, com informações minuto a minuto, explicações e vídeos de momentos cruciais. No caso da Câmara dos Deputados, o protótipo visa facilitar que o cidadão entenda, por exemplo, as fases da sessão, os itens da pauta em discussão, o resultado de votações, assim como acessar os trechos de discursos.

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Plenário Fácil: o protótipo permite ao cidadão acompanhar as sessões minuto a minuto, com explicações, resultados de votações, trechos de discursos e outras informações.

O processo foi marcado por um envolvimento ativo de jornalistas da Câmara — que permitiram testar e conceptualizar a área de interface de edição e gestão dos conteúdos — e por duas rodadas de testes remotos com cidadãos, em vários perfis. Neste projeto também, foi proposto e aplicada — com adaptações — a metodologia SCRUM. A fase de prototipagem agora encontra-se concluída, tendo sido os resultados entregues e submetidos a outras áreas para a avaliação de implementação.

No ano de 2020, com a gestão do atual diretor Walternor Brandão e por conta da pandemia, tivemos também uma maior produção de eventos de discussão e debates de forma períodica em forma de lives na série LAB Talks, no nosso canal do Youtube. Também foi o ano de contar mais das nossas experiências e aprendizados neste Medium.

Características gerais da 3ª Geração (2019–2020):

Abordagem:

  • Exploração maior de metodologias de formulação e concepção
  • Envolvimento maior de parceiros na priorização e gestão de desafios de trabalho.

Objetivos e Métricas de Sucesso:

  • Realização de evento de Planejamento Aberto — Nós do LAB — com duração de uma semana, contando com a participação de 60 pessoas, dentre servidores, entidades da sociedade civil e parlamentares, por meio de rodadas presenciais e virtuais.
  • Realização de seis oficinas presenciais de Design Sprint para aprofundamento dos desafios propostos pela sociedade e setores da Câmara.
  • Geração de protótipos associados aos desafios, dentre eles — com o ciclo concluído — o Plenário Fácil.
  • Entrega de nova versão do Wikilegis, ferramenta de coleta de sugestões para Projetos de Lei.
  • Eventos de discussão on-line e uma nova série de textos no Medium.

LABHacker

Laboratório Hacker da Câmara dos Deputados

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