Erramos com o Mapa Participativo! E…que Bom!

Um dos projetos em que estamos nos concentrando é o Mapa Participativo, que visa facilitar a visualização de discussões e argumentos em um fórum de discussão e propiciar algum grau de consenso para participação e deliberação de construções colaborativas. No nosso post anterior pudemos explicar em mais detalhes como estávamos concebendo, e estava tudo muito bem, tudo muito bom…apenas com um único problema: não estava colaborativo!

Estávamos fazendo internamente, sem conversar com ninguém. E olha que estávamos nós aqui todos empolgados com as ideias de colaboração, participação, transparência, inovação…falando sobre isso para os vários grupos de pessoas que vinham aqui nos visitar e conhecer nosso trabalho. E…estávamos cometendo o mesmo errinho básico nos fechando em nós mesmos.

Percebemos isso e começou a nos incomodar. Como fazer com que nosso trabalho tenha mais envolvimento e relevância para o cidadão? Como legitimar e melhorar/validar nossas hipóteses? O engraçado é que na equipe já estávamos discutindo diversas abordagens: metodologias ágeis (como o Scrum), Lean-startup e também o Design Thinking. Todas, de alguma forma, se complementam e harmonizam. Pessoalmente, estudar sobre o que outros laboratórios de inovação no mundo estão fazendo, como o Mindlab, o Policylab, entre outros, fez ver que tínhamos muito a internalizar nas nossas práticas no que diz respeito à cultura de experimentar com os cidadãos. Precisamos, é claro, ter um olhar de fora, centrar o serviço no olhar do usuário.

Faltava algum empurrãozinho e esse chegou logo em seguida com o convite para participar do GovJAM. Nossa experiência foi muito bacana — como tivemos a oportunidade de relatar. Ficamos com aquela vontade de experimentar, de testar o que vivenciamos.

Então, tivemos a ideia: testaríamos essas metodologias nas próprias visitas ao LabHacker! No dia 23/06 tivemos uma primeira oportunidade com uma turma de universitários do programa Estágio-visita. Elaboramos uma atividade no dia anterior. Estava claro uma coisa pra gente: não só aprenderíamos com os erros do processo de elaboração do mapa, como aprenderíamos com os erros da própria aplicação da metodologia. Sem grandes expectativas. Sem pretensões. Experimentar.

A ideia básica do teste foi a de dar instruções sobre as atividades que deveriam ser realizadas pelos pessoas, sem explicar, no protótipo. Verificaríamos, assim se os usuários conseguiriam identificar intuitivamente como executar as tarefas. Os objetivos do teste do Mapa Participativo foram:

  • Objetivo 1: O usuário deve ser capaz de reconhecer os pontos da discussão que são mais relevantes, de forma intuitiva.
  • Objetivo 2: O usuário deve ser capaz de escolher o ponto da discussão a partir do qual deseja interagir, sem se sentir “desorientado”.
  • Objetivo 3: O usuário deve ser capaz de organizar o seus próprios argumentos, categorizando sua posição como “a favor” ou “contra”.

Fizemos uma observação filmada de todo o teste que consistiu em dois momentos. No primeiro, pedimos para os participantes encontrarem discussões por meio da navegação no protótipo. Distribuímos fichas com objetivos para cada usuário, recebemos um feedback bastante positivo nesse primeiro ponto: as pessoas gostaram bastante da interface, da navegação, do aspecto estético/lúdico e, principalmente, conseguiram se localizar em meio a várias discussões. Objetivo 1 e 2, ok!

Na segunda parte do teste, tivemos a discussão em si, onde os usuários deveriam conseguir identificar o campo para inclusão de argumentos e utilizá-lo conforme o esperado. O resultado foi um fiasco. As pessoas não conseguiram identificar a utilidade do campo, ficaram confusas sobre o que fazer. Enfim, não funcionou! Objetivo 3, então virou: voltar à mesa de laboratório!

Depois do nosso retumbante fracasso do Objetivo 3, partimos da estaca zero: “como deveria ser essa ferramenta?”. Fizemos um esboço, discutimos horas e produzimos em 3 dias um protótipo bem básico para testar nossas premissas. Partimos para a lógica de retirar todos os elementos da interface tentando encontrar a essência, uma abordagem bem minimalista. Continuamos e aplicamos um segundo teste com a próxima turma dos universitários do Estágio-Visita, no dia 07/07 . Este foi o protótipo que utilizamos no segundo teste:

Tivemos dúvidas sobre a necessidade do botão “Proponha” (se ele na verdade não é uma forma de discordar ou concordar com um argumento/posição). Além disso, modificamos a lógica para possibilitar a participação por meio de apenas um clique (caso o usuário queria apenas selecionar argumentos com os quais concorde ou discorde). Protótipo que utilizamos no terceiro/quarto testes:

Percebemos que o fato do modelo ter menos opções, menos informações, do que outros fóruns na internet foi mais bem aceito pelos usuários. Fizemos o terceiro e quarto testes não apenas com universitários, mas com grupos de pessoas de todas as idades (15–57 anos) que puderam testar a interface e conseguiram participar dos debates categorizando suas opiniões de modo intuitivo. Mais feedbacks.

Temos ainda dúvidas sobre a necessidade do botão “Proponha”, mas já temos ideias de novos testes para avaliarmos isso. Atualmente, estamos trabalhando em uma forma de organizar e indentar os argumentos dentro de uma discussão. Estamos preparando um protótipo para ser testado na semana que vem, que avaliará se conseguimos resolver as principais críticas dos usuários sobre a plataforma.

Vale a pena mencionar que fizemos com cada turma um debate pós-teste explicando os objetivos do projeto e o que eles tinham encontrado no teste. Tudo isso não serviu apenas para nós termos feedback, mas também para as pessoas vivenciarem na prática uma experiência colaborativa e interativa dentro do Legislativo, sentindo na pele as ideias que nos inspiram. Nos maravilhamos de ver que não precisava de muito pra testar e aprender. Basta arriscar e os próprios participantes ajudarão a construir a diversidade de informações e a riqueza inesperada do experimento.

Sim, erramos…e que bom! E vamos errar muito mais ainda, pois sem arriscar, sem experimentar, não tem aprendizado, não tem nada de novo.

*Colaborou para este post Daniel Esashika