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Laboratórios de Inovação no setor público brasileiro

Quantos somos, onde estamos, por que mudamos e o nível de maturidade que buscamos.

Os laboratórios de inovação existem há décadas, séculos, não com essa mesma nomenclatura. A inovação, antes chamada de invenção, acompanha e remonta a história de nossa civilização. Invenção faz lembrar Da Vinci. Inovação, Schumpeter. Inovar não é tão novo assim, tampouco os laboratórios. Eles já funcionavam nos séculos 18 e 19, nas áreas de Ciências Naturais, Sociais e Tecnológicas. Os primeiros Centros de Inovação foram criados por empresas no início do século passado (Philips, 1925; IBM, 1945). Os Laboratórios de Inovação no setor público surgem no início do século 21. No Brasil, o primeiro foi criado pela Universidade Federal do Espírito Santo em 2010.

O setor público brasileiro tem 139 laboratórios de inovação: 76 no Poder Judiciário, 46 no Executivo, 5 no Legislativo, 8 no Ministério Público e 4 nas Universidades Públicas. O LABHacker é o terceiro da lista pela ordem de criação. Esse número foi apresentado pelo Doutor e Mestre em Administração Pública e Governo pela Fundação Getúlio Vargas/SP, Hironobu Sano, em setembro de 2022.

O professor Hiro é autor de um estudo bem completo sobre os laboratórios de inovação no setor público brasileiro. Além de definir e mapear, o autor apresenta as características, origens, objetivos e graus de inovação de cada um deles, entre outras análises. (https://repositorio.enap.gov.br/bitstream/1/5112/1/69_Laboratorios_inovacao_governo_completo_final_23062020.pdf).

Aqui também, no Medium do LABHacker, tem um texto sobre o mapa da inovação no governo e como usá-lo (https://medium.com/labhacker/o-mapa-da-inova%C3%A7%C3%A3o-em-governo-no-brasil-e-como-us%C3%A1-lo-ec42e16b58b). Nesse texto, o diretor do LABHacker, Walternor Brandão, faz um importante alerta sobre a importância de se definir bem o foco de atuação dos laboratórios de inovação no setor público.

Maturidade da Inovação

Fonte: Gerd Altmann/Pixabay

Onde deve estar localizada a inovação nas empresas e instituições públicas? Num laboratório? Incorporada nas áreas administrativas? Descentralizada e pulverizada em diversos setores?

Uma das frases mais proferidas sobre inovação diz que: quando a cultura da inovação é incorporada pelas pessoas, pelos diversos setores da organização onde você trabalha, os laboratórios cumpriram a missão e podem ser desfeitos.

Mas será que é possível alcançar esse objetivo? O professor Hironobu Sanu participou do Lab Talks sobre o mapa e os rumos dos laboratórios de inovação no setor público brasileiro. Ele atualizou algumas informações do mapeamento realizado em 2019 e nos apresentou os níveis de maturidade da inovação na gestão pública.

Nível de maturidade da inovação na gestão pública

Os níveis de maturidade observados pelo professor Hiro têm muito a ver com o foco e modelo de atuação dos laboratórios de inovação. Quanto mais abertos eles forem e voltados a participação do cidadão e colaboração de outras instituições, a maturidade da inovação sobe de nível.

A inovação quando passa a ser tratada como parte do planejamento estratégico de uma instituição alcança o nível máximo de importância e, por que não dizer, tem a maior chance de ser incorporada às práticas de gestão da instituição.

Os passos e a trajetória da inovação

Criar um laboratório de inovação no setor público é uma decisão que envolve diversas escolhas: onde atuar, com quem se relacionar, por onde começar e o que e como se quer inovar. Construir um modelo de gestão parece fácil, mas não é. A experiência e o tempo ajudam a (re)orientar e (re)posicionar os laboratórios nas instituições em que atuam. Muitas vezes é preciso mudar de direção. Erros e acertos são determinantes para alcançar a maturidade desejada. Uma trajetória que depende de muitos passos, desvios de rota e superação de muitos obstáculos para ser alcançada.

O LABHacker tem uma origem que o define. Nasce de um Hackathon em 2013. Vários cidadãos hackers vieram à Câmara para desenvolver soluções tecnológicas para conhecer, acompanhar e fiscalizar a Câmara dos Deputados. Participação, Transparência e cidadania. Eixos temáticos do Nós do LAB. Evento que reuniu, em 2019, representantes da sociedade, servidores e parlamentares para debater e sugerir o que a Câmara deveria fazer para atuar melhor em cada um desses eixos. Um espaço aberto à cocriação.

Oficinas com metodologias ágeis foram realizadas no LABHacker com todos os envolvidos nos desafios apresentados. Soluções e protótipos foram desenvolvidos e entregues aos patrocinadores internos da Câmara. A devolutiva do planejamento colaborativo para a sociedade foi entregue em 2021. O LABHacker realizou três lives “Nós do LAB — o retorno”. Uma para cada eixo temático. Cidadãos, colaboradores externos e internos debateram os protótipos (MVP) com a equipe de desenvolvimento do LAB.

O LABHacker aprendeu uma lição após essa jornada: não é possível um laboratório de inovação desenvolver protótipos e implementar produtos. A infraestrutura tecnológica e gestão de um produto não cabem a um laboratório de inovação. Existem patrocinadores e setores específicos na Câmara para executar essas tarefas. O que podemos fazer nesse processo é idear e buscar soluções alternativas para desenvolver produtos tecnológicos estáveis e escalonáveis em conformidade com as políticas institucionais. Aproximar a academia do desenvolvimento de produtos e as startups do modelo de gestão dos produtos são algumas das possibilidades em estudo.

No Lab Talks que fizemos com a diretora do CoLAB-i do TCU, Maria Paula Beatriz Estellita Lins, ela nos explicou por que o TCU reorientou sua estratégia para gerar inovação. Antes atuava na área meio, ou seja, para gerar inovação em processos e projetos internos. Decidiu atuar na área fim, junto aos seus clientes, e passou a inovar, por meio da cocriação, com os gestores externos da administração pública.

Muitas vezes a área de atuação dos laboratórios de inovação está em algum processo de trabalho ou produto que já existe e que não conseguimos ver ou mapear, sejam eles da área meio ou fim. Não se trata de um erro reorientar a estratégia. Faz parte do aprendizado. Faz parte da jornada. É como pivotar um negócio. O certo é que, quanto mais alinhada estiver a estratégia da inovação à missão da instituição a qual o laboratório está inserido, mais chances ele terá de alcançar os resultados esperados.

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Laboratório Hacker da Câmara dos Deputados

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