Nossa discussão sobre o BlockChain foi uma Parada muito legal!

Estreando nosso evento de prospecção de novas tecnologias, a Parada Hacker, convidamos três especialistas para debater BlockChain. Walker de Alencar, Jean Lucas e João Barguil explicaram o que é e como funciona essa tecnologia, a blindagem do cofre da moeda virtual BitCoin.

BlockChain é, em poucas palavras, um grande “livro digital” que guarda todos os registros das transações eletrônicas ocorridas em uma rede. Cada computador da rede armazena uma cópia do “livro” — um conjunto único de registros guardados na forma de blocos encadeados (daí o nome, BlockChain: cadeia de blocos).

A transparência do BlockChain é o seu principal trunfo. Todos os registros desse “livro” são públicos e gerados de forma distribuída na rede (crowdsourcing). São também armazenados e validados pelos participantes do sistema, de maneira descentralizada. As verificações das transações ocorrem por meio de pesados cálculos matemáticos, efetuadas graças ao poder de processamento criptográfico via crowdsourcing.

Uma tentativa de adulteração de qualquer bloco demandaria a alteração do mesmo bloco em todos os computadores da rede, já que todos eles guardam cópias idênticas do BlockChain. Ou seja, não adiantaria crackear um dos computadores da rede, pois todos os demais teriam de ser crackeados em uma fração de tempo consideravelmente pequena. E o poder computacional para fazer isso seria virtualmente inalcançável.

Walker foi bastante didático. Fez uma comparação da criptografia usada no BlockChain com os dígitos verificadores do CPF (nosso Cadastro de Pessoa Física na Receita Federal). Os dígitos verificadores são calculados por um algoritmo, com base nos nove primeiros dígitos. Se alguém informa um CPF com os dígitos verificadores incorretos, ele não será reconhecido como válido — seja pela própria Receita Federal ou um banco, por exemplo.

A criptografia utilizada no BlockChain funciona de maneira parecida: criam-se “dígitos verificadores” muito longos, com base em algoritmos, para assegurar que uma determinada informação é verdadeira. Se a informação for falsa, os “dígitos verificadores” acusarão a falsidade e a informação será descartada. Além disso, uma vez armazenada em um BlockChain, a informação permanecerá inalterável. Assim, seria possível prevenir a falsificação de informações e fraudes de diversos tipos em documentos eletrônicos.

Também discutimos com os especialistas como o BlockChain poderia ser útil dentro do Poder Legislativo. Poderíamos tornar Urnas Eletrônicas mais seguras? Proteger os votos do painel eletrônico de plenários e comissões parlamentares contra crackers? Rastrear os registros de informação do Orçamento Público, desde sua origem até a aplicação final? Poderíamos substituir processos por documentos eletrônicos? Ou os abaixo-assinados para leis de iniciativa popular, já que é tão difícil conferir as assinaturas? Se você quiser ver a íntegra dessa discussão, ela começa aos 39 minutos do vídeo abaixo.

João Barguil e Jean Lucas destacaram que o uso do BlockChain para proteger votos poderia esbarrar no problema de manter os votos anônimos, já que o BlockChain é um registro público. Em contraponto, discutimos que o registro do título de eleitor não precisa ficar associado ao voto registrado na urna. Mas, ainda assim, como o BlockChain é um registro público em tempo real, a informação poderia ser acessada durante o dia da eleição; e o monitoramento dos votos em tempo real, afetar o próprio resultado. Contudo, após a coleta, e já na fase de iniciar a contagem, os votos de cada urna poderiam ser registrados no BlockChain, para descartar qualquer possibilidade de fraude.

O uso do BlockChain para proteção e rastreio da informação referente ao Orçamento Público foi muito bem recebido pelos especialistas. Walker citou a dificuldade de monitorar um valor transferido do Governo Federal, passando pelo Estado até ser aplicado em uma escola municipal. O BlockChain poderia resolver o problema. Além disso, essa tecnologia simplifica bastante o trabalho de auditorias, tanto pelas instituições de fiscalização quanto por cidadãos.

Servidor da Câmara dos Deputados, Marcos Aurélio, que trabalha no Centro de Documentação e Informação, perguntou sobre a possibilidade de usar o BlockChain para dar segurança a documentos digitais. A resposta? Sim! E uma pergunta que se seguiu foi bem interessante: como podemos usar a prova criptográfica da autenticidade do documento perante um juiz? Jean Lucas lembrou bem: a aceitação da prova criptográfica pelo Poder Judiciário precisaria ser legislada previamente.

Já o servidor Gustavo Cavalcante, do Centro de Informática da Câmara dos Deputados, estava interessado na estrutura de informática por trás do BlockChain. A pergunta foi bem direta: se o BlockChain está distribuído em uma cadeia de computadores, o que acontece se desligarmos algum dos elos dessa cadeia? E o que aconteceria se a tecnologia atual não estiver disponível no futuro? Jean Lucas apontou que, como o BlockChain funciona de forma semelhante a um torrent (P2P), a própria dispersão da rede ajuda a reduzir os riscos de perda de informação.

O debate foi bem interessante, e aprendemos muito sobre BlockChain. Confira a íntegra no vídeo e aproveite! Como Walker Alencar aferiu, são poucos os especialistas em BlockChain no Brasil. Aqui você encontra três deles reunidos, numa discussão muito interessante.