#SabatinasEstadãoFaap: Geraldo Alckmin

LabJor FAAP
Sep 6, 2018 · 5 min read

A série Estadão-Faap Sabatinas com os Presidenciáveis — que entrevista os principais candidatos à Presidência nas eleições 2018 — chegou ao fim de sua segunda semana com a sabatina do candidato Geraldo Alckmin do PSDB, realizada no dia 6 de setembro de 2018.

O Editor Executivo do LabJorFAAP Pedro Knoth entrevista o candidato Geraldo Alckmin / Foto: Marina Verenicz

O candidato à presidência e ex-governador do estado de São Paulo Geraldo Alckmin, do PSDB, foi o último presidenciável a ser entrevistado na segunda semana de sabatinas realizadas pela parceria Estadão-Faap. As jornalistas do jornal O Estado de S.Paulo Vera Magalhães, Eliane Cantanhêde e Andreza Matais e o professor de direito da Faap Rogério de Castro foram responsáveis pela condução da sabatina.

“Quero ser presidente para mudar o Brasil”

A sabatina teve início com a pergunta padrão dos jornalistas ao candidato do PSDB. Quando perguntado sobre o que faria para reconstruir o Brasil, Geraldo Alckmin afirmou que terá agilidade e rapidez em aprovar as reformas no Congresso Federal, tais como as reformas tributárias e a reforma da previdência, que ele defende. O ex-governador disse que o Brasil, por ser um país caro, perdeu competitividade no cenário internacional e no comércio exterior. Alckmin pretende implantar ainda em janeiro de 2019, mês em que, se eleito, assume a presidência da República, provocando uma série de mudanças macro e microeconômicas para retomar o crescimento do país.

Para frisar o fato de o Brasil ser um país de alto custo em bens e serviços, o candidato comparou o preço dos carros e celulares aqui e nos Estados Unidos, alegando que o carro é duas vezes e meia mais caro no Brasil do que nos EUA e que o minuto de celular é sete vezes mais caro aqui do que nos EUA. Ainda constatou que os juros brasileiros estão quatro vezes acima da média mundial.

Quanto a denúncia dada pelo Ministério Público de São Paulo acusando o candidato de improbidade administrativa — o recebimento de R$ 9,9 milhões da construtora Odebrecht — o candidato afirmou que o promotor entrou em uma ação "equivocada" contra ele, contrariando a decisão do STJ de enviar o inquérito para a Justiça Eleitoral de São Paulo, distanciando Alckmin da força-tarefa da Lava Jato em São Paulo. Alckmin disse ainda que permaneceu íntegro dentro da política:

“Quem está na vida pública tem o dever de prestar contas 24h por dia. Vivo no mesmo apartamento, abri mão de todas as aposentadorias. Tenho uma vida limpa."

O vídeo em que Michel Temer reprova a atitude de Alckmin por criticar o atual governo e se aliar com a base partidária do mesmo foi um ponto de discussão na sabatina. O ex-governador alegou que o PSDB votou no impeachment por achar que era o certo a ser feito, mas que o partido social democrata nunca participou do governo de Temer, pois não votou na chapa Dilma-Temer, não sendo responsável pela eleição do atual presidente do Brasil. Alckmin ainda ressaltou a ineficiência do governo Temer:

“O problema do governo Temer é a falta de liderança e a legitimidade que precisaria ter. O problema do governo Temer não são os ministros, é o presidente."

Alckmin respondia às perguntas na ponta de sua cadeira, citando diversos políticos e autores, tal como Olavo Bilac, patrono das Forças Armadas brasileiras e autor do hino à bandeira. O principal rival da campanha de Geraldo Alckmin têm sido o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, um ex-capitão do Exército brasileiro.

"Eu acho o Bolsonaro um passaporte para a volta do PT"

Ao considerar as provocações que tem feito em campanha ao candidato Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin respondeu que, sua falta de participação nas redes sociais em comparação com o candidato do PSL se justifica pelo fato de ter saído do governo do estado de São Paulo somente em maio, em vez de elaborar sua campanha desde o término das eleições passadas. Disse ainda que o voto de Bolsonaro é o voto "anti-PT" e que o PT mira a campanha de Alckmin e está “poupando” a campanha de Bolsonaro para levar o candidato do PSL ao segundo turno e ganhar as eleições (apesar de haver um empate técnico no segundo turno entre Haddad, do PT, e Bolsonaro). Alckmin afirmou ainda que não ataca Bolsonaro, somente mostra seus discursos em vídeos de campanha, alegando que a população deve saber de todas as informações. “Ele entrou na justiça para tirar os vídeos e perdeu”, diz.

O ex-governador criticou a candidatura de Bolsonaro como sendo fraca em sua base de propostas. "É corporativismo puro. O Brasil precisa de reformas profundas, trombar com o corporativismo. Mas precisa da maioria para fazer isso”, disse Alckmin, referindo-se ao fato de Bolsonaro não ter apoio da maioria dos partidos do congresso em sua chapa, apenas o próprio PSL e o PRTB.

Entre as respostas, o candidato do PSDB citava livros, personalidades políticas e personagens de livros.

“O Brasil não é passagem de droga, ele é consumidor de droga.”

Sobre segurança pública, Geraldo Alckmin afirmou que o país passa por um grave problema na área; criticou as políticas de segurança já existentes, constatando que o tráfico de drogas estava por trás dos aumento e do alto índice de homicídios do país. Relacionou o aumento do problema do tráfico de drogas com as regiões pobres do país e a baixa escolaridade de jovens dessas regiões. Disse que o combate às drogas no âmbito federal deve acontecer nas fronteiras com o próprio governo federal tendo o papel de líder nesta iniciativa. Segundo Alckmin, estas fronteiras devem ser vigiadas e administradas por uma nova Guarda Nacional que utilizaria a coordenação de polícias e órgãos de segurança para obter maior inteligência de informação e trabalhar com tecnologia de ponta:

“As fronteiras brasileiras estão abertas para os narcotraficantes milionários. É dever do governo federal melhorar essa situação."

Sobre a maioridade penal, Alckmin declarou que “não seria necessária a redução, mas as medidas socioeducativas deveriam transformar-se em penas de cumprimento no sistema penitenciário”. Para o candidato seria necessária uma reforma legislativa para isso. Ele também sugeriu um aumento da pena de crimes graves de 3 para 8 anos. Ainda defendeu a revisão da Lei de Execução Penal, contestando a liberdade em feriados e escapes jurídicos que um criminoso pode adotar.

“Quem tem que enfretar o criminoso não é o cidadão comum”.

Quanto ao Estatudo do Desarmamento, o ex-governador tucano declarou-se contra, mas com ressalvas: afirmou que não seria legalizado o porte de arma em regiões urbanas, pensando que a taxa de crimes violentos aumentaria, porém disse que é a favor do porte de armas em propriedades rurais: "Nós precisamos descentralizar o Brasil. Na zona rural é diferente: você não tem assistência do 190, não tem câmeras de vigilância, não tem ronda em volta da região. Porte de arma deve ser facilitado para a zona rural e ponto."

Além dos assuntos citados na reportagem, o candidato à presidência ainda respondeu perguntas sobre outros assuntos, que você pode conferir no vídeo abaixo.


O LabJor FAAP quis saber o que as pessoas que assistiram presencialmente a sabatina de Geraldo Alckmin acharam do candidato e das suas propostas: #FalaPovo


Pedro Knoth é estudante do 6º semestre de Jornalismo na FAAP e Editor Executivo do LabJor FAAP.

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Laboratório de produção de conteúdos jornalísticos do curso de Jornalismo da FAAP | Contato: labjor@faap.br

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