#SabatinasEstadãoFAAP: Henrique Meirelles
A série Estadão-Faap Sabatinas com os Presidenciáveis — que entrevista os principais candidatos à Presidência nas eleições 2018 — , entrou na sua segunda semana, nessa quarta-feira, 05 de setembro, com o candidato do MDB, Henrique Meirelles

“Eu posso não ganhar seu voto, mas pretendo ganhar o seu respeito” — Henrique Meirelles
O candidato à Presidência da República pelo MDB, Henrique Meirelles, foi o penúltimo sabatinado pela parceria Estadão FAAP. Durante a manhã o ex-Ministro foi entrevistado pelas jornalistas do Estadão Vera Magalhães, Andreza Matais, e pelo professor de Relações Internacionais da FAAP, David Magalhães, com a mediação da colunista do Estadão, Eliane Cantanhêde.
Como praxe adotada pelas mediadoras durante todas as outras sabatinas, a pergunta inicial feita ao candidato se referia à reconstrução do país. Ao longo de sua resposta Henrique Meirelles contou um pouco de sua trajetória, tanto no mercado financeiro, quanto na vida política, para embasar o seu plano de governo dando ênfase à criação de novos postos de trabalho.
Concluiu, ainda, que um “país quebrado não pode melhorar educação e segurança”, e aponta três itens básicos para que ocorra uma reconstrução do Brasil: contas equilibradas, confiança tanto dos investidores externos, quanto dos consumidores, além de competência, experiência e gestão adequada.
O tom adotado pelo candidato durante a sabatina foi o mesmo encontrado em seu plano de governo: o de se autopromover a partir de suas conquistas profissionais durante seu período como Presidente do Banco Central e Ministro da Fazenda.
O entrevistado foi questionado quanto à sua relação com o ex-presidente Lula e sobre a possibilidade, caso eleito, de extinguir a pena do petista por meio do indulto presidencial, que é uma prerrogativa do cargo de presidente.
A pergunta da jornalista Andreza Matais, informava que, durante o governo Lula, Meirelles solicitou equiparação do cargo de Presidente do Banco Central com o de um Ministro. A solicitação foi realizada no exato momento que haviam sido levantadas suspeitas de ilegalidades que poderiam esbarrar no ex-Ministro da Fazenda.
Meirelles desviou da resposta em relação ao indulto, mas justificou o pedido de equiparação com o objetivo de obter mais autonomia, credibilidade e segurança para o Banco Central.
O candidato deixou escapar, porém, que na área da presidência da instituição financeira havia uma sala que permitia ao presidente driblar os oficiais de justiça e aqueles que tinham alguma reivindicação a fazer. A resposta causou estranhamento à entrevistadora, e o candidato reestruturou seu argumento, afirmando que os oficiais de justiça tinham livre acesso a ele.
A jornalista Vera Magalhães encontrou uma contradição entre o slogan de campanha do candidato. Se o “Chama o Meirelles” representa a solução dos problemas econômicos nacionais, por que o candidato renunciou do cargo de Ministro da Fazenda deixando o país, nas palavras dele, “quebrado”?
O emedebista argumentou que na presidência poderia contribuir de forma mais efetiva na reconstrução do Brasil. Acrescentou ainda que nos 4 anos de governo, caso eleito, pretende criar 10 milhões de empregos, mesmo sabendo que a necessidade de vagas é maior do que o proposto.
Sobre a Reforma da Previdência, o candidato acredita que apenas o teto de gastos, estipulado pela Emenda Constitucional 95, é suficiente para controlar as despesas do governo e uma mudança no sistema previdenciário só seria necessária caso os custos extrapolassem o teto previsto.
“A Previdência não é uma questão fiscal, mas de justiça social.” — Henrique Meirelles
Mencionando a reforma previdenciária, o ex-Ministro afirmou que “a lei atual penaliza os que não completam o tempo de contribuição e que 70% dos que se aposentam por tempo de serviço fazem parte da classe mais rica do país. É o maior programa de transferência de renda de quem ganha menos para quem ganha mais”.
Em relação às outras sabatinas, Meirelles foi o candidato menos confrontado pelos entrevistadores — tendo feito longos discursos sem ser interrompido.
Questionado sobre assuntos polêmicos como descriminalização das drogas, o ex-Ministro declarou que o sistema prisional “não conserta ninguém” e entende não haver necessidade de pena privativa de liberdade para usuários, porém, o uso de substâncias entorpecentes deve ser prevenido por meio de políticas públicas.
“Precisa haver um equilíbrio entre o direito à vida e o direito da mulher” — Henrique Meirelles
Em relação ao aborto, o candidato ficou em cima do muro e confuso. Disse ser favorável ao direito à vida e, no entanto, defendeu também o direito da mulher que não quer prosseguir com uma gravidez indesejada.
Por fim, sobre uma possível indicação de Temer a algum cargo em seu governo, Meirelles preferiu se abster de uma resposta concreta. O candidato não disse que sim, mas também não disse que não.
“Não assumo cargos antes da hora” — Henrique Meirelles
Vale lembrar que existem duas ações em andamento relacionadas ao atual Presidente Michel Temer, entretanto, elas foram suspensas até que termine seu mandato. No caso de indicação à algum cargo público, Temer teria direito ao foro privilegiado.
Além dos assuntos citados na reportagem, o candidato à presidência ainda respondeu perguntas sobre outros assuntos, que você pode conferir no vídeo abaixo.
O LabJor FAAP quis saber o que as pessoas que assistiram presencialmente a sabatina de Henrique Meirelles acharam do candidato e das suas propostas: #FalaPovo
Diego Bonetti é publicitário, estudante de Jornalismo na FAAP e Editor Executivo do LabJor FAAP.
Marina Verenicz é advogada, estudante do curso de jornalismo na FAAP e Editora Executiva do LabJor FAAP.

