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4 perguntas que fiz para Cris Luckner na Live “Os primeiros 100 dias como UX Writer”

Evento organizado pela comunidade Ladies That UX.

No dia 16 de novembro de 2021, assisti mais uma aula incrível pra conta, ministrada pela primeira referência que tive na área de UX Writing: a Cris Luckner (conheci quando eu ainda era uma Analista de Marketing de Conteúdo ansiando para migrar pra Produto e ter o famigerado cargo em inglês: o de UX Writer).

📚 O tema da live era “Os primeiros 100 dias como UX Writer”.

Hoje, ela está lançando o primeiro livro dela sobre esse tema: o manual “Os primeiros 100 dias trabalhando com UX Writing”. Aqui: https://crisluckner.kpages.online/100dias

No dia, fiz mil perguntas a ela e Cris, incrível e gentilmente, respondeu todas… Maravilhosa, essa mulher.

Para quem não pode acompanhar a live ou gosta de leitura como eu, transcrevi aqui nesta postagem a fala dela ao me responder. Usei a ferramenta de digitação por voz do Google Docs haha (meu histórico de jornalista ainda me persegue e vez ou outra mato a vontade de escrever, transcrever conversas e fazer entrevistas ping-pong).

Print do evento no qual perguntei o que mais queria saber e a Cris respondeu. Link da live aqui.

Antes de tudo, quem é a Cris Luckner

Para quem não conhece, ela é uma das maiores referências na área de UX Writing (quando tudo era mato, ela estava lá falando de UX Writing). Hoje, ela é UX Design Manager do Nubank e tem uma vasta experiência na área de Design de Conteúdo. Nos esbarramos quando fiz o curso de UX Writing pela Mergo (simplesmente 2 dias de teoria e prática incríveis)!

O evento

O objetivo era falar sobre os desafios dos primeiros 100 dias de um UX Writer. Exatamente como eu estou hoje na Psicologia Viva (entrei há 3 meses). No final do evento, ela abriu para perguntas e, como vi que tinha espaço, fiz as 4 perguntas que mais martelavam na minha cabeça desde que migrei de fato para Produtos e Redação UX.

Vamos às perguntas…

1) Cris, para você, qual a diferença entre UX Writing para Design de Conteúdo?

Cris Luckner: “No mercado, essas duas coisas são sinônimos, tanto lá fora quanto aqui no Brasil. Atualmente, está mais como uma questão de nomenclatura de empresa para empresa.

Houve um movimento recente em que empresas como Shopify, Facebook, Uber (se não me engano), fizeram uma mudança para trocar o nome dos cargos de UX Writer para Designer de Conteúdo (e isso foi algo que aconteceu no Nubank também, pois percebemos que Design de Conteúdo fazia mais sentido para nós).

“Como eu particularmente vejo: eu acho que UX Writing é, de fato, a escrita dentro de interfaces. Tem as técnicas, tem o microcopy, tem objetivos… E é uma das habilidades que a gente tem que ter quando falamos de Design de Conteúdo.”

Já Design de Conteúdo tem a ver com ‘pensar na jornada’, entender o contexto do sistema em que aquela jornada está incluída, com o que que ela se conecta… Então tem a ver um pouco mais com uma atuação que eu acho mais “empoderada” […] Sobre você construir uma narrativa, conseguir influenciar a experiência, fazer conexões, pensar de maneira mais sistêmica…

Mas no mercado é, realmente, só a maneira de chamar. A sua atuação não vai mudar se seu cargo for UX Writer ou Designer de Conteúdo.

O “guarda chuva” é maior quando falamos de Design de Conteúdo. Eu acho que coloca o UX Writer de uma maneira mais “paralela”/ “par” com um Product Designer, UX Research etc, porque quando a gente fala só de “writing”, parece que é só colocar palavras e pensar na escrita.

“E eu acho que, quando eu começo a pensar que a atuação poderia ser mais ampla, eu me sinto como se conversasse com meus colegas, com ‘pô, aqui a foto não está comunicando bem. Vamos pensar num outro ícone para comunicar melhor o que quero dizer? Será que essa informação não tinha que vir em um gráfico?’. Esse tipo de coisa, nós, Designer de Conteúdo, podemos ajudar a pensar.”

É uma maneira de resolver problemas, entender como eu posso pensar no melhor conteúdo para resolver aquela questão para o meu usuário. Pensar num gráfico, numa animação, em um vídeo pra esse conteúdo… Isso tudo começa a dar uma visão mais ampla pra gente.

No fim, é menos sobre ‘o quê a gente vai fazer’ e mais sobre ‘quem vamos ajudar’ ou ‘no que esse usuário vai fazer’… Ficar só focado em pensar no texto talvez nos faça perder a função de atender a uma necessidade do usuário.”

2) Você acha que um UX Writer precisa, nesses 100 dias (iniciais), entregar guia e glossário?

Cris Luckner: “Entenda as suas prioridades. É a sua prioridade? É isso que vai trazer mais resultados para o seu usuário e para o seu negócio agora? Antes de fazer, tenta entender se é isso que vai trazer impacto. Meça esforço versus impacto. Quanto tempo você vai levar para criar isso versus o impacto que isso vai trazer para o seu usuário e negócio.”

3) Tem um tipo de usuário que, devido à LGPD, não consigo entrevistar. Consigo entrevistar stakeholders e dados secundários: Google Analytics, BI, redes etc. Estou fazendo “UX”?

Cris Luckner: “Eu acho que você tá fazendo UX sim! Realmente a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) protege o cidadão nesse aspecto. Antes, nas empresas, tinha um trato um pouco mais direto com o usuário, mas hoje tem essa diretriz que eu acho incrível, ainda que ela traga algumas barreiras, aí, para gente acessar esse usuário.

No seu caso, eu acho que seria uma maneira legal também você achar o vocabulário dessas pessoas. Será que elas já não estão se expressando de alguma forma ao buscar o atendimento? Será que elas estão na loja de aplicativo falando o que elas acham na avaliação dos produtos que você trabalha?

Acho que dá para usar dado secundário sim. É sempre interessante, mas lembra que você está falando de dado quantitativo, né. Você vai conseguir entender o que acontece e quantas vezes acontece. Mas você talvez não vai conseguir entender porque acontece ou como acontece. Isso descobrimos quando a gente faz as pesquisas qualitativas.

“Se você pudesse casar essas pesquisas (quantitativa e qualitativa)… Mas se você não tem como acessar essas pessoas, tenta buscar nesses outros canais ou, então, se atém mesmo ao dado quantitativo, que fica tudo certo!.”

Várias empresas, inclusive, parecem que estão dando mais importância ao dado quantitativo do que para o qualitativo. Eu acho que o ideal é ter um equilíbrio, mas você está fazendo ‘UX’ sim hahaha”.

4) O UX Writer pode participar das entrevistas e testes que não são focados em conteúdo ou só os que são voltados para conteúdo mesmo?

Cris Luckner: “Karol, não só pode, como deve! Aqui tem de novo uma questão de priorização também. Mas pera! Vamos voltar aqui antes! Dizer ‘esses testes que não tem “foco” em conteúdo’ pra mim já está errado haha. Conteúdo é parte da experiência. Não seria teste focado em conteúdo se você estivesse testando só wireframe, sem nada dentro, só pra ver a interação/fluxo mesmo.

Se quiser saber se a pessoa clicou e funcionou, beleza, é diferente. Agora, se tem um teste de usabilidade, o conteúdo tem tudo a ver! O conteúdo vai facilitar ou dificultar a usabilidade.

Então, nesses casos, eu acho que sim, todos esses testes precisam contemplar a presença do UX Writer. Claro que vão ter testes que vão contemplar a terminologia, o significado etc, mas tem outros testes que vão só vão tocar na “superfície” do conteúdo. Claro, existem essas diferenciações. Não estou falando que todo teste a gente precisa super aprofundar no conteúdo…

Vai depender do objetivo, da pergunta que quer ter respondida no final do teste. Mas é legal que um teste de usabilidade também consiga demonstrar que o problema que está tendo ali, de usabilidade, é por causa de uma palavra, por exemplo.

Por isso eu já acho legal você já ir conversar com o pesquisador para mostrar as perguntas que você tem enquanto UX Writer e que possam ser incluídas no roteiro.

“E sobre poder participar ou não… Não só pode como deve! Você vai ver a riqueza que isso vai trazer para o seu trabalho… O quanto vai facilitar a sua vida, porque, daí, na hora de escrever, você vai ter ouvido os usuários falando, vai saber que palavras eles usam, que sentimento eles expressam, sabe?”

Sobre prioridades, às vezes é um único UX Writer no time e tem, sei lá, três “campos” rodando ao mesmo tempo. Tem, sei lá, 20 entrevistas para participar. Eu tento fazer uma priorização e participar de 1/3 das entrevistas que estão acontecendo. Se não posso ir a todas, priorizo as que posso.

É isso! Essas foram as perguntas que fiz para a Cris ao vivo. Quem quiser dar uma olhada mais completa, a live ficou registrada. Só acessar o link aqui.

Saiba mais:

Ladies That UX São Paulo | Perfil da Cris no Linkedin | O meu perfil (Karol) no Linkedin

#ux #uxwriting #contentdesign #transicaodecarreira

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Conteúdo em português da Comunidade Ladies That UX

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Karoline Rodrigues

Karoline Rodrigues

UX Writer no Grupo Conexa: Psicologia Viva, iMed e Conexa Saúde. UX Writer/UX Researcher freelancer em agências pelo Brasil. Dorameira nas horas vagas.