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Técnicas de Storytelling

Os principais aprendizados do audiobook de Dana Norris: Storytelling Na Prática

Fascinada por histórias, Dana Norris se aprofundou no estudo do storytelling, fundando posteriormente o Story Club e ministrando sobre o assunto em diversas mídias e eventos.

Dana Norris. Storytelling na prática — 10 regras simples para contar uma boa história.
Capa do audiobook

Seu audiobook traz 10 dicas práticas, recheadas de exemplos e exercícios para desenvolver um bom storytelling.

Norris enfatiza que o storytelling é uma habilidade que pode ser aprendida e treinada por qualquer um. Somos seres sociáveis e contamos histórias o tempo todo, até para nós mesmos. Essas histórias refletem a forma como percebemos a vida, então é algo natural para nós.

Regra 1: conheça seu objetivo

Você precisa saber aonde quer chegar, o que espera alcançar com a sua história. Conheça quem é seu público, o que ele já sabe e qual a percepção que tem sobre o assunto para que você possa definir como mudar essa percepção. A partir daí, desenhe os pontos por onde sua história vai passar para gerar o resultado pretendido. Mantenha o objetivo em foco para não se perder e, se tiver mais de um objetivo, escolha o mais importante.

Regra 2: crie um enredo

Boas histórias têm uma estrutura evolutiva, é o que chamamos de arco narrativo. O início é para contextualizar, aí surge um problema, seguido de tentativas fracassadas para resolvê-lo, até que surge uma solução e, por fim, o desfecho.

O problema é o motor de qualquer história. No desenho do arco narrativo, o desenvolvimento do problema é caracterizado pela linha crescente de tensão até o clímax, o ápice do arco, então o arco decai, marcando a resolução do problema. Um desfecho rápido evita que o leitor fique entediado.

Imagem metafórica. Uma ampulheta na horizontal sobreposta a um par de óculos cujas lentes refletem um gráfico com pontos altos e baixos, como montanhas. Dos pontos altos saem setas com etiquetas. Abaixo dos óculos há um nariz.
Ilustração por Design Absurd.

Dicas de elementos que podem ajudar a construir o arco narrativo

1. Há 5 arquétipos possíveis para construção do enredo: história de origem; história de superação (sem sorte com triunfo); história de recomeço (apesar de contratempos, é possível prosperar); superação do monstro (obstáculo específico com alto risco); história da busca (paixão e vontade de evoluir).

2. Gostamos de saber o que vai acontecer numa história, mas também gostamos de ser surpreendidos, o que pode ser feito com a quebra dos padrões estabelecidos ao longo da narrativa. Por exemplo, faça algo duas vezes e então quebre o padrão. Há 5 formas de quebrar padrão: sutilmente; repentinamente (estrondosa); com humor; tragicamente; retorno ao princípio.

3. Uma história não precisa seguir um curso linear no tempo. Use quebras na linearidade do tempo para criar tensão.

Regra 3: reúna seu melhor material

Uma história pode ser contada por diversos pontos de vista. Não há maneira errada de contá-la, desde que alcance o objetivo proposto.

No processo de criação, precisamos nos livrar de julgamentos. Podemos recriar a mesma história a partir de diferentes perspectivas e testar os efeitos que ela causa, para então verificar se alcançou o objetivo a que se propôs.

Imagem metafórica. Um horizonte. No céu, há nuvens e orelhas com asas. No chão, há um peixe com cauda e pernas humanas, calçando sapatos e um chapéu. Ele segura um alto falante na mão direita e arrasta uma mala de carrinho na mão esquerda.
Ilustração por Design Absurd.

Técnica das 10 situações-gatilho:

Pense na história a partir das situações abaixo, isso vai te dar novas ideias.
1. Uma vez em que você estava errado;
2. Uma vez em que você deveria ter dito a algo, mas não disse;
3. Um momento que você não entendeu na época;
4. Uma tradição familiar;
5. Um momento em que tudo mudou;
6. Um momento em que você quis desistir;
7. Uma conversa difícil que você teve;
8. Um momento em que você se esforçou muito, mas não teve sucesso;
9. A primeira vez em que algo aconteceu;
10. A última vez em que algo aconteceu.

Pratique

Simplesmente comece. Escolha uma tema e pratique por 30 minutos. Vale gravar enquanto fala em voz alta, escrever a mão ou no computador. Não se apegue à perfeição: fale sem interrupções e ignore erros ou palavras imprecisas. Se tiver vencido a resistência inicial, pode continuar além dos 30 minutos. Só então ouça ou leia sua história e comece a identificar pontos de melhoria.

Acrescente detalhes

Fornecer detalhes ajuda seu público a imaginar, tornando a história mais tangível.

Em caso de histórias reais, mantenha-se verdadeiro consigo mesmo, contando detalhes que realmente aconteceram, pois as pessoas vão achar que é verdade. Detalhes que você não lembra podem ser citados como suposições.

Faça uso do humor: detalhes podem deixar engraçada até a coisa mais banal.

Regra 4: explicite a sua intenção

Para não perder a atenção do seu público, é importar manter a história com foco, removendo excessos para reduzi-la ao essencial.

5 maneiras de garantir o essencial:

1. Siga os passos do arco narrativo, eliminando o que não se encaixa;
2. Não enrole para começar e evite informações desnecessárias para aquele momento;
3. Elimine qualquer coisa que deixa seu público de fora, que ele não entenda;
4. Pratique; leia em voz alta;
5. Pense no desfecho: deve ser conciso e não incluir informações que não estavam presentes antes.

É importante ressaltar que, mesmo enxugando sua história, ela precisa de detalhes claros e transparentes que permitam completar informações relevantes. Os detalhes também ajudam a transportar os ouvintes para a cena.

8 formas de atrair os ouvintes para a história:

1. Utilize detalhes sensoriais que ajudem a experenciar sensações;
3. Ao apresentar um personagem, acrescente um detalhe único que o represente;
4. Ilustre como um personagem está se sentindo por meio de mudanças em sua postura ou aparência;
5. Quanto menor o detalhe, mais visão da cena;
6. Não tenha medo de parecer esquisito;
7. O enredo mantém o interesse pela história.

Evite:

1. Clichês, prefira alternativas que refletem sua autenticidade;
2. Ditados populares;
3. Coisas que aparecem em várias histórias, comportamentos contados de forma recorrente;
4. Desfechos óbvios.

4 máximas para uma boa comunicação:

1. Seja o mais informativo possível;
2. Seja sincero;
3. Seja relevante;
4. Seja claro, breve e ordenado.

Regra 5: surpreenda no desfecho

Mesmo depois que o problema se resolve, a história ainda precisa de um desfecho. O final é a resolução. A solução para o problema é uma ação, e a resolução da história é sobre o sentimento decorrente da ação.

Sendo assim, o desfecho é o que encaminha o significado da história e a impressão que ela deixa no público. Ele deve assegurar que o objetivo foi alcançado.

Imagem metafórica. Na parte inferior da imagem há uma lesma com uma esfera na boca. Atrás dela há uma casinha. À sua frente há um caminho com curvas que se estende para a parte superior da ilustração. Ao final do caminho há uma bandeira xadrez.
Ilustração por Design Absurd.

4 tipos de desfecho:

1. Elemento surpresa (uma virada memorável ou frase de efeito);
2. Reverberação (eco, repetição surpreendente de outro trecho da história);
3. Avanço rápido, um salto no futuro revelando efeitos surpreendentes;
4. Círculo completo (retoma o início com novo senso de propósito).

Use esses modelos para alcançar seu objetivo: uma história pode ter um resultado completamente diferente se adaptarmos o tipo de desfecho ao público.

Esquematize o desfecho

As informações necessárias ao desfecho devem aparecer ao longo da narrativa, como pistas, mas que muitas vezes só farão sentido quando o final se revelar. E, quando você sabe qual final vai usar, consegue inserir essas pistas adequadamente na narrativa.

Regra 6: todo mundo consegue construir uma história

Independentemente do público, qualquer um pode contar uma boa história se aplicar algumas estratégias, mesmo que seja inexperiente. Para ter sucesso, desenvolver confiança é um passo necessário que começa de fora pra dentro.

10 dicas para melhorar sua confiança

Essas aqui servem para qualquer situação em que precisar se apresentar:
1. O medo do palco é natural, significa que você se importa. Não se importar é que é o problema.
2. Transforme nervosismo em entusiasmo: são os mesmos sintomas.
3. O público está do seu lado: ele perdoará quase tudo desde que você lide com a situação de forma graciosa.
4. Não se preocupe com seus erros: as pessoas não conhecem a sua história, não vão saber que você se confundiu, por isso não se desculpe nem se corrija, apenas continue.
5. Observe outros artistas: como se comportam no palco? O que você pode imitar?
6. Prepare-se para o local: entenda as condições do ambiente e pratique simulando a posição do microfone e segurando os textos nas mãos, se não tiver púlpito.
7. Atenção às suas mãos: não fica mexendo em coisas, haja naturalmente.
8. Pés quietos, evite se balançar ou andar a esmo para não roubar a atenção. Descubra as manias que você tem para evitá-las.
9. Não se preocupe com a reação dos ouvintes, pois não é possível controlá-la. Só está nas suas mãos garantir que sua mensagem chegue até eles.
10. Só você pode contar sua história: só você teve aquela vivência sob aquela perspectiva, só você tem a sua voz e sua experiência. O mundo quer ouvir a sua versão.

Regra 7: vulnerabilidade é potência

A honestidade é importante na narrativa. Demonstrar vulnerabilidade gera vínculo com a plateia, pois parecemos mais reais a eles, assim como nossa história. Não é preciso revelar nosso pior, pois temos medo de sermos julgados, mas é determinante revelar algo.

A vulnerabilidade expõe, mas também dá visibilidade. Os outros podem nos ver em nossa plenitude. Quando compartilhamos algo pessoal e mostramos porque nos importamos, as pessoas se conectam e prestam mais atenção.

Regra 8: respeite seu público

É bem importante entender quem é o público e adequar sua história a ele. Pessoas reagem de formas diferentes e se interessam por assuntos diferentes, use isso para escolher a melhor formatação para a sua história.

Imagem metafórica. Diversas cabeças humanas estão amontoadas sobre um vaso em trapezoidal.
Ilustração por Design Absurd.

5 considerações pra ajudar a avaliar:

1. Perfil demográfico, idade, relação entre vocês.
2. Local em que a história será apresentada (para entender a altura da voz e a necessidade de uso de um microfone).
3. O que o público espera que você diga.
4. Quais os pré-julgamentos deles? Que expectativa eles têm de você?
5. Há outros contadores de história? Use essa informação para balancear seu discurso.

5 perguntas pra decodificar sua audiência:

1. Onde estavam antes de chegar?
2. Em que momento do dia vai acontecer sua palestra?
3. O que sua audiência está vestindo?
4. Quanto tempo disponível você tem?
5. O que eles querem de você? O que esperam de você? Vc está fornecendo o que precisam?

Lembre-se: para conquistar a atenção você precisa ser confiante, claro e criativo. Não faça preâmbulos, vá direto ao ponto. Fale a mesma língua do seu público, use as mesmas referências, criando rapport.

Regra 9: não deixe de praticar

Há pessoas que podem ser ótimos improvisadores, mas isso vem com a prática. Vai se tornando natural para eles produzir narrativas boas, engraçadas e relevantes sem ensaiar anteriormente.

Sem prática, pode acontecer de você engasgar, gaguejar, esquecer, andar em círculos etc, enquanto a história se torna difícil de entender e desconfortável de assistir. As histórias ficam melhores com tempo e esforço e por isso é importar treinar.

Por que treinar?

1. Para descobrir pontos fracos;
2. Para ganhar confiança;
3. Para ganhar flexibilidade para trabalhar novos ângulos;
4. Para trabalhar no desfecho e desenvolver profundidade;
5. Para se apropriar da própria narrativa.

Dicas para praticar

1. Praticar em voz alta ajuda a vivenciar a história por uma nova perspectiva da história, porque você também passa a ser um ouvinte.
2. Recite a história de cabeça: memorize a primeira e última linhas e a estrutura do enredo. Dessa forma, sua fala será mais natural, mas ainda assim impactante.
3. Ao imprimir seu texto para leitura, anote como deseja se expressar em cada ponto da narrativa.
4. Pratique com alguém e peça uma opinião honesta sobre seu desempenho.
5. Se houver diálogos, use vozes diferentes para seus personagens.
6. Observe em que momentos pode aumentar ou diminuir o ritmo, fazer pausas para ênfase etc.
7. Utilize um cronômetro para controlar o limite da sua apresentação. Conforme você repetir o processo, vá se adaptando para caber dentro do tempo previsto.
8. Quando você não sentir mais necessidade de fazer alterações e terminar sua performance no tempo planejado, sua apresentação estará pronta.

Regra 10: prepare-se

Para sentir mais tranquilidade no momento da apresentação, reveja seu objetivo e repasse o conteúdo para verificar se cumpriu sua meta.

10 maneiras de se preparar para sua primeira apresentação:

1. Revise os pontos-chave de memória
2. Planeje o que vestir com antecedência, algo que te dê confiança
3. Organize suas anotações
4. Indique nas anotações os momentos em que deve olhar para o público
5. Planeje sua linguagem corporal
6. Visualize a reação que espera do público
7. Imagine sua reação e sensação quando terminar sua apresentação
8. Imagine os momentos que antecedem sua apresentação, isso pode ajudar a trazer tranquilidade
9. Treine um exercício de respiração para acalmar
10. Antecipe seus tiques nervosos e habitue-se a controlá-los

E aí? Tudo pronto para contar sua próxima história de sucesso? Qual dica foi mais importante para você? Conte-me aqui nos comentários :)

Mulher loira de cabelos médios e olhos azuis sorrindo
Dana Norris

Audiolivro: NORRIS, Dana. Storytelling na prática — 10 regras simples para contar uma boa história. Narradora: Aline Malafaia. Editora: UBK Publishing House. Disponível também em e-book na Amazon, em inglês.

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Conteúdo em português da Comunidade Ladies That UX

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