Festival Repense Cerveja é proposta de reflexão

A inovação é necessária para manter a engrenagem do mercado cervejeiro rodando. O público sempre quer novidades. Entretanto, repensar a cerveja não necessariamente precisa ser uma coisa “maluca”, afirma Bernardo Couto, cervejeiro da 2Cabeças e organizador do evento. “Você pode fazer uma coisa mais básica e curtir aquilo ali”. É possível produzir estilos tradicionais com uma pegada diferenciada. Encontrar o equilíbrio entre o clássico bem feito e os novos estilos, é o caminho ideal. Este é o espírito do festival Repense Cerveja, que propõe uma reflexão sobre as receitas, os ingredientes, e as práticas de produção. Sair do lugar comum e ver o mundo de possibilidades que as artesanais oferecem, é o convite que ele faz a todos.
“Nós escolhemos o lugar do evento, negociamos as cervejas e cuidamos de toda organização e logística. Esse ano optamos pela Casa de Espanha para evitar problemas com a chuva e outros imprevistos”.

O festival, que ocorre no próximo sábado, dia 2 de setembro, teve sua estreia em 2015. Sua concepção foi sendo “maturada” à longo prazo. “A vontade de ter um festival próprio sempre existiu, mas nunca botamos pra frente”. O embrião foi evoluindo a partir das conversas da 2Cabeças com as cervejarias que produzem algumas de suas colaborativas. Começaram a pensar numa espécie de caravana, viajar e produzir várias cervejas ao mesmo tempo. Depois, lançar tudo de uma só vez. Só que ao invés de usar um bar, fazer isso em um evento próprio. Estava amadurecido o conceito do Repense.
No primeiro ano de evento foram lançadas cinco cervejas. No segundo, foram dez. Nesse ano serão novamente dez. “Queremos manter essa média. Mais que isso complica toda a parte da logística”. Isto porque que as cervejas são produzidas em diferentes fábricas, em vários Estados. A produção é concentrada em torno de três semanas antes do Repense. Bernardo diz que a estrutura da 2Cabeças lhe permite fazer todas as viagens e se dedicar mais ao festival nesse período. “O foco de uma cigana está mais na parte de marketing e distribuição, não necessitando participar ativamente do dia a dia na fábrica”.

A elaboração das receitas, criadas exclusivamente para o evento, ocorre junto das cervejarias parceiras, que irão produzir. Uma preocupação é o equilíbrio entre os estilos, para não ter muitas cervejas parecidas.
“Se uma cervejaria fecha com a gente a produção de uma Imperial Stout, por exemplo, dificilmente vamos aceitar a ideia de outra cerveja mais escura nesse sentido”.

O sistema de torneiras liberadas, mediante a cobrança de uma entrada fixa, vai continuar. Isso faz parte da estratégia da organização e ajuda diretamente na logística de serviço das cervejas. No primeiro ano, os chopes eram servidos por voluntários. Já no ano passado, as pessoas iam diretamente à torneira para se servir, com a devida supervisão e auxilio, em caso de necessidade. Nesse sistema, a chance da cerveja acabar diminui, pois eles podem trazer uma quantidade de barris compatíveis com a de ingressos vendidos para o dia. Fora o benefício de evitar a formação de filas.

O público do evento, em geral, é exigente e busca novas experiências. São pessoas já iniciadas no universo artesanal e que estão acima da média, em termos de conhecimento cervejeiro. Eles podem ficar tranquilos, porque o anúncio das 10 torneiras já foi feito. Destacamos algumas abaixo:
- 2cabeças + Canediguerra — NE IPA com muito lúpulo Belma, com adição de goiaba e baunilha, com dry hopping
- 2cabeças + Rockbird — Whisky Sour Ale com casca de limão e chips de carvalho
- 2cabeças + Lagos Cervejaria — Via Lactos. Uma Berliner Weisse com tamarindo
O público, e também as próprias cervejarias enxergam a 2Cabeças como uma referência, em termos de inovação. E Bernardo reconhece isso. Produzir colaborativas e ofertar constantemente novidades, são fatos que ajudam a difundir a ideia. O Repense, portanto só ratifica ainda mais esse selo.

