Por que mais do mesmo?

Lembro de ter ouvido algumas vezes a frase: “as pessoas só falam repetidamente daquilo que não foi suficientemente dito”. E posso perceber, através disso, a razão pela qual peço tanto aos meus leitores um retorno ao mundo do ser-si.

O “não ser suficientemente dito” significa que existe algo que precisa ser resolvido, existe algo que precisa de atenção e precisa de compreensão. Esse é a razão pela qual é preciso falar sobre isso. Atualmente vivemos no mundo do ruído, existir é fazer barulho e, quanto mais alto melhor. Parar para ouvir é perder tempo, parar para silenciar é fora de moda.

Voltar para o ser-si, então, é impensável. Como posso me voltar àquilo que sequer sei que existo? Claro que todos sabem vagamente que existem, mas a existência não pode ser profundamente percebida se não houver silêncio e afastamento.

Afastar-se de si para olhar para si, como um narrador em terceira pessoa. Sob o silêncio, buscar compreender os próprios modos de ser, avaliar-se e ocupar-se de lapidar-se a si mesmo.

O que é dito por você? O que você tem repetido em sua vida? Olhe para isso é irá descobrir pontos que precisam ser compreendidos e olhados com atenção. Volte-se a si.

Existir é mais. Existir é um peso implícito que, se não cuidado, esmaga com rapidez. Cuidar é prestar atenção, envolver-se a, estar disposto a olhar para. Todos somos capazes de gerar autoconhecimento, basta somente interesse.

Por isso tudo, me repito. E agora, neste “gran finale”, lembrei de outra frase, esta é do Albert Cossery: «Gostaria que depois de me lerem, as pessoas não fossem trabalhar no dia seguinte.»

É isso, exatamente isso.


Laesffer — Parte II, Filosófica Essência. Vol. I