O que significa?

Quando as pessoas se deparam com uma palavra na linguagem Ílus, imediatamente me questionam sobre o significado. Acho interessante esse hábito introjetado nas pessoas, pois, sempre querem saber o significado das coisas, mas quase nunca estão preparadas para ouvir o significado das coisas. Isso, pois, algumas coisas — eu diria as mais interessantes — só podem ter seu significado compreendido quando há atenção e dedicação para compreendê-lo. Porém, a indagação: “O que significa isso?”, tornou-se apenas uma indagação de sociabilidade.

As pessoas não perguntam porque querem verdadeiramente saber, perguntam para socializar. Eu sei disso, pois, quando alguém me pergunta sobre o significado de uma palavra em Ílus, eu respondo: “É um significado bem complexo” e, o ouvinte que havia questionado, apenas diz um clássico “Hum…” ou um “Entendi…” e tudo fica por isso mesmo. Ora, ele não queria de fato saber o significado, pois, se quisesse, pediria novamente para eu explicar a complexidade do significado, pois, há interesse em compreender.

É muito mais doloroso o falso interesse do que o desinteresse explícito. Há como haver simpatia e empatia sem o falso interesse. E isso não se dá só comigo, referente à Ílus, isso se dá com todas as coisas e pessoas. Há, em todo o tempo, o puro falso interesse. Não estou dizendo que as pessoas fazem, por maldade, demonstrar um falso interesse; tampouco estou dizendo que elas, ao perguntarem, não querem saber de absolutamente nada. Na verdade, elas perguntam para socializar e também para saber, mas elas não estão preparadas para saber, pois, o motivo primeiro da pergunta foi a socialização e não o interesse genuíno.

Quando o motivo que move a pergunta é o interesse genuíno, aí sim há a capacidade de saber e compreender o significado. Quando o motivo que move a pergunta é a socialização, aí o ponto principal é socializar e o saber fica em segundo plano. Para que possamos perceber qual dos dois está predominante em nós mesmos, sempre devemos nos perguntar se temos mesmo interesse em saber determinada coisa ou se estamos apenas querendo socializar.

Com essa auto-indagação, geramos mais autoconhecimento e entramos em outro nível mais profundo de socialização, saímos da superfície, adentramos o universo desconhecido do outro e aprendemos muito mais sobre a existência em si.

Retorno ao ponto que mais falo em minhas análises: o meu desejo é que todas as pessoas passem a buscar autoconhecimento e, com isso, passem a compreender melhor a existência de si mesmo e dos outros, bem como a singularidade de cada um e o universo de possibilidades e conhecimentos que há nessas singularidades. Com isso vem o valor da sinceridade empática, da simpatia real, do interesse genuíno, da ação pautada na verdade do sentir.