Sobre Önyam

Compreensão e Significatividade

Önyam é a existência subjetiva (nossa maneira singular de perceber o mundo e nós mesmo) e objetiva (tudo o que há além de nós: coisas, seres, planetas, outras pessoas), ambas se dão sempre em conjunto, não há realidade subjetividade sem realidade objetiva e vice-versa. Mas, Önyam só se revela, de fato, quando estas realidades transcendem, isto é, quando deixam a superficialidade e se aprofundam em si mesmas. Aprofundar-se nas realidades é aproximar-se de Önyam e é isto que pretendo ao escrever sobre os princípios que atuam no todo Önyam atualmente. Penso que isso trará uma nova era de possibilidades para a humanidade.

Foto: Snapwire

O significado da palavra Önyam não pode ser traduzido para a linguagem que nós temos, seja o português ou qualquer outro idioma. Mas, o significado pode ser explicado visando a busca pela compreensão dos termos que estão dentro de sua significação.

Em Ílus, Önyam significa: Obscn öhnm; llihen ahyse erhom; ascens nihis nean; änye nivhezs; ehvenn nom.

Önyam carrega em si as leis que regem a existência, a história Gênesis e os princípios para o existir pleno. Como não posso traduzir literalmente as palavras em Ílus, estarei elucidando seu significado da melhor forma possível

Obscn öhnm.

“No âmago subsiste o abismo veemente, leve seus olhos a ele e permaneça”

A subjetividade humana é como um abismo, pois tamanha é sua profundidade. A humanidade é a subjetividade do universo e, por isso, é tão abismo-profundo quanto os seres humanos. Além disso, o mistério confirma, pois, nunca se sabe o que há no fim de um abismo. Olhar para dentro de si, ou para a existência elementar junto a tudo que a compõe desde seu emergir, é como olhar para o abismo obscuro e misterioso.

Olhando-o e vendo-o, é preciso intensidade para conhecê-lo; intensidade é dedicação, é sentir, é apreender, colher, dar atenção, debruçar-se sobre.

O olhar qual me refiro, é o olhar que buscar ver desta maneira intensa, e não apenas enxergar superficialmente. Disso se trata Obscn öhnm, ver o abismo do que existe nas realidades (aprofundar-se). Somente o olhar-que-vê, através da intensidade, alcança o conhecer e o compreender.

Llihen ahyse erhom.

“Conheça o que vê, eleva a mente pela compreensão; vislumbre a consciência de estar e ser.”

O olhar-que-vê se aprofunda no que vê, vendo-o ele conhece e, conhecendo-o, ele o compreende. A intensidade da dedicação ao conhecer-compreender é que ditará o que verá o olhar-que-vê quando este aprofundar-se.

Tendemos a ver com os olhos que enxergam, por isso não compreendemos o que conhecemos; é preciso aprofundar-se no conhecer (olhar e ver) para que haja compreensão. A intensidade do aprofundar-se medirá o alcance da compreensão.

Para elucidar melhor: as águas na superfície d’um oceano são vistas pelos olhos que enxergam; as profundezas do oceano são vistas pelos olhos que veem, e, para isso, é preciso imergir-se nas águas, mergulhar.

Obscn öhnm e llihen ahyse erhom ensinam a importância das intensas relações, sejam elas individuais ou não. E ensina que o ser humano precisa aprofundar-se em si intensamente, para conhecer a si mesmo e compreender a si mesmo. Da mesma forma, o ser humano precisa aprofundar-se no mundo (pessoas, seres e coisas), para conhecê-las e compreendê-las.

Conhecer é ‘aproximar-se de’, desvendar e aprender sobre. Se um sujeito desmontar um item qualquer, conhecerá os mecanismos de seu funcionamento, conhecerá cada peça que compõe o todo. Para que este sujeito possa compreender o item, terá de montá-lo outra vez e compreender o funcionamento do mesmo.

Com pessoas, é mais árduo, porém, crucial. Alcançar o cerne de cada um é tarefa impossível, dado que cada um possuí sua singularidade; por isso conhecer o outro se dá, n’um primeiro momento, no conhecer a si mesmo.

Quando compreendemos que somos seres singulares que buscam seus próprios sentidos para existir, dotados de sentimentos antagônicos, de memórias e significações, de angústias, alegrias, possibilidades, mortes e vivências; alcançamos, então, o outro que, enquanto ser humano, possui, então, sua singularidade, seus sentidos, sentimentos, possibilidades, angústias etc. Compreendemo-nos e compreendemo-los — neste ponto há consciência.

Consciência é “se dar conta de”. Isso está na percepção empática da condição humana de si mesmo e do outro, mas também está em todas as outras percepções lúcidas a respeito de Önyam.

Ascens nihis nean e a história Gênesis

“Guie o existir pela paixão a prover sentido de ser; pois daí ascende-se enfim, o nada é a possibilidade do tudo-e-quaisquer”

Önyam é tudo o que existe na realidade objetiva e subjetiva. Conhece-se o universo, com seus planetas e estrelas; este universo é Önyam. Antes de haver Önyam, havia o nada.

Pode ser inconcebível pensar que o universo surgiu do nada; esta dificuldade em conceber o ‘nada’ tem raízes na ausência de Obscn öhnm e llihen ahyse erhom. Não havendo esses princípios, a mente não está preparada para alcançar a abstrata realidade do ‘nada’. Este nada não é a ausência de tudo, mas sim a possibilidade de tudo.

O ‘nada’ é, em si, um pleno espaço de possibilidade; dele nasceu Önyam. Em seu princípio, Önyam era Illen Önyam, pois, através de sua inteligência intuitiva não-racional, ela se guiava por seu sentido de existência. O sentido de ascendência.

Na linguagem Ílus, a letra Y representa o sentido de ascendência que esteve desde o princípio em Önyam. O Y é caracterizado por três pontas, duas para cima e uma para baixo; mostra ascendência do nada (campo de possibilidade) ao tudo (Önyam).

Önyam, uma inteligência intuitiva não-racional se guiava pelo sentido de ascendência que, em outras palavras, é o sentido de criação. Guiada por isso, criou mundos, estrelas, fenômenos e elementos do imensurável espaço acima.

Cada criação de Önyam teria o mesmo sentido de Önyam, pois tudo o que emerge da inteligência intuitiva não-racional, tem as características da inteligência intuitiva não-racional. E é uma inteligência intuitiva, pois, compreende o sentido que guia sua existência; e é não-racional, pois, não pode decidir seguir ou não este sentido, não pode pensar sobre esse sentido, não pode questionar esse sentido — apenas o segue infindavelmente pela intuição de segui-lo.

As criações de Önyam, guiadas pelo mesmo princípio de ascendência (criação), desenvolveram ambientes propícios para criar; assim como o nada (espaço de possibilidade) era o ambiente propício para o emergir de Önyam. O planeta Terra foi uma criação de Önyam e, guiada pela Ascendência, conseguiu fazer um ambiente adequado para a existência de seres humanos.

Nem todos os planetas conseguem fazer isso, embora trabalhem para isso; são corpos em um espaço e o limite do espaço onde habitam é fundamental para o sucesso do alcance de seu sentido de criação. A Terra, muito bem posicionada, obteve o necessário para que a vida emergisse nela.

Nós, os animais, as coisas, os planetas e o universo possuem o mesmo sentido: ascendência (criar). Nós, porém, temos a racionalidade e, através dela, conseguimos poderes além da criação; tornamos a Ascendência mais abrangente, agora se trata de criar, de evoluir, de alcançar mais conhecimento e compreensão. Ascender, enfim, para algo além, que ultrapasse, que nos mostre novas possibilidades de ser no mundo, dentro deste todo que é Önyam.

Somos guiados pelo sentido de Ascendência, no entanto, tendo desenvolvido racionalidade, temos a capacidade de questionar e escolher. A racionalidade junto com a inteligência intuitiva nos leva a compreender veladamente que viemos do nada (espaço do possível), mas essa é uma verdade que incomoda a lógica e fere a estabilidade que socialmente temos tentado construir ao redor de nosso ser.

Queremos estabilidade de vida: nada deve mudar, nada deve acabar, tudo tem que ter um racional e eficiente sentido, tudo deve ter uma razão lógica e objetiva, tudo deve alcançar o ideal.

Mas Önyam é puramente intuição inteligente, nós também somos; a razão veio para ampliar as leis que regem Önyam e, com isso, quem sabe, chegar mais perto deste ‘nada’ tão inconcebível.

Quando nos emergimos em angústia, perdemos o sentido da vida, enfrentamos cara a cara o ‘nada’ originário, ele é a possibilidade de renovação, de criação, a possibilidade do tudo.

Pela racionalidade, pelo questionar e o pensar, temos a característica de poder-ser. Diferente das outras coisas, inclusive do todo Önyam que está determinado a ser o que é, os seres humanos podem ser o que quiserem ser; criam inúmeros sentidos para a existência e, por isso, são em si um nada (campo de possibilidades).

Antes dos seres humanos, Önyam era apenas uma inteligência intuitiva com uma compreensão vaga e mediana do sentido de sua existência e, portanto, equilibradamente existia para este sentido. Depois dos seres humanos, Önyam passou a ter uma “consciência coletiva” com todos os princípios que mostram sua significação em Ílus: obscn öhnm; llihen ahyse erhom; ascens nihis nean; änye nivhezs; ehvenn nom.

Önyam continua sendo uma inteligência intuitiva não-racional, todavia, agora tem em si uma parte cuja racionalidade a afeta de alguma forma. Nós, humanos, afetamos Önyam e a movimentamos a todo o tempo.

Somente pela paixão, o ser humano pode alcançar sentidos para sua vida. Paixão é aquilo que atrai, que dá prazer, que é significativo. Önyam já está pré-determinada a ser o que é — dada sua não-racionalidade; nós, humanos, não temos predeterminação alguma. Somos um sempiterno procurar; uma infinda possibilidade; uma constante busca por sentido.

Deste modo, pela paixão, encontramos sentidos para existir.

Änye nivhezs e o Pleno Existir (Autenticidade).

“O equilíbrio mantém estável o sentir, desobstrui a afinação para a sensibilidade emergir plena.”

Alguns os princípios, senão todos, que estão na significância de Önys, existem para guiar-nos ao caminho da autenticidade. Isso significa que são estes princípios existentes para que possamos, através deles, aprendermos a ser consciente do que acontece ao nosso redor e em nós mesmo. Ao mesmo tempo que descrevem o funcionamento da natureza, seja esta humana ou não, busca possibilitar reflexão que leve à autenticidade. Essa autenticidade é o pleno existir, ou seja, o existir realizado, aprazível e ascendente; onde a característica de possibilidade de ser dos seres humanos, é respeitada; e a busca para a compreensão de Önyam (tudo o que há a nossa volta, todas as realidades) é uma busca coexistente e compartilhada por todos.

Os seres humanos captam o mundo ao redor a partir de uma afinação, isto é, uma emoção que dá o tom para as coisas ao redor. Quando algo se manifesta, primeiro percebemos este algo com uma emoção, e, posteriormente, ocorre a racionalização. Essas emoções estão principalmente ligadas à intensidade e a paixão, contudo, é vital entender que tudo é uma única coisa, todos os princípios estão juntos, acontecem juntos, precisam um do outro para tornar a existência autêntica.

Por conta da força impetuosa das emoções captadas através dos cinco sentidos e da intuição; precisamos de equilíbrio para que nada fique destoante. O equilíbrio estava em Önyam antes das emoções humanas, porque precisava disso para realizar o seu sentido de existência, a criação. Com a humanidade e as emoções juntas à racionalidade, o equilíbrio precisa ser cultivado para que as emoções não fiquem extremas. Dada a intensidade das mesmas, isso pode e acontece com frequência.

Por fim, podemos acrescentar que nada disso seria possível se não houvesse, nos humanos, a sensibilidade. Somos sensíveis ao mundo. Decerto que precisamos de mais sensibilidade ao mundo e a nós mesmos, para sermos capazes de conhecer e compreender as realidades; mas ainda cultivamos um nível de sensibilidade que nos permite continuar encontrando sentido para vida, continuar sentindo emoções e sentimentos, continuar buscando ascendência.

Ehvenn nom.

“Não há tempo algum além do vívido agora; jaz a ideia ilusória do ontem e do amanhã”

Ehvenn nom é sobre o tempo. Este tempo divide-se em três partes: tempo-vívido, memória e projeto.

As horas, de acordo com a rotação análoga dos astros, é o rotação-astral, isto significa que não se pode chamar isso de tempo, pois, corresponde apenas a uma rotação dos astros do sistema solar. Basta sair da Terra ou adentrar em sono profundo, que essa rotação se desfaz na experiência subjetiva do tempo-vívido.

Tempo-vívido: o instante que nasce e morre, a cada átimo de segundo, e é percebido pela realidade subjetiva. Todos os indivíduos vivenciam o tempo-vívido, cada um em sua particular maneira. É a partir do tempo-vívido, e só no tempo-vívido, que pode existir a memória e o projeto.

Aquilo que chamamos de “passado”, é memória. Nada além de memória. Por isso não há como “voltar no tempo”, a não ser acessando a memória (individual ou coletiva). E, só mudando (ressignificando) a memória é que se pode mudar o “passado”.

Aquilo que chamamos de “futuro”, é projeto. Projeto é aquilo que construímos no tempo-vívido, e é pelo tempo-vívido que determinamos o futuro e o construímos. Não existe um futuro a qual visitar, existe um imenso cenário de possibilidades que se tornarão o futuro a partir da construção ativa do tempo-vívido. Só há como ir para o “futuro” pela representação mental.

O “futuro” existe como projeto subjetivo e coexistente. Sua presença representativa na mente humana delineia a sua irrealidade, pois, pela representação, ele faz parte do presente e, se a representação do futuro se dá no presente e a construção do futuro se constrói no presente, então, não é futuro. É, na verdade, projeto do atual tempo-vívido.

A mesma coisa se dá com o “passado”. Acessamos a memória no presente, fazemos memória no presente; se acessamos o passado no presente, fazemos no presente aquilo que será passado e, por conta das vivências presentes, criamos um passado que está sempre delineando o presente de nossas vivências, então não se trata de passado, e sim de presente. É apenas memória de um outrora tempo-vívido que sempre que for relembrado, será tempo-vívido de sua peculiar maneira.

O homem sempre quis controlar o tempo, mas nunca pôde. Agora ele pode, pois, se o tempo é apenas o agora, vívido e desperto, somente no agora-vívido-desperto é que temos total controle daquilo que será realizado e, portanto, se tornará memória (passado), e aquilo que há de ser realizado, isto é, um projeto (futuro).

Estando a todo momento consciente de que “estou criando, manejando e controlando o presente, o passado e o futuro no mesmo instante”, dá-nos o poder de cuidar da existência, construir a realidade que nos é mais aprazível.

Estando consciente disso, evitaremos, no tempo-vívido, aquilo que será memória amarga que se fará presente delineando o tempo-vívido. Se uma memória amarga se faz presente no tempo-vívido, impossibilitando, por exemplo, construção de projeto, foi no tempo-vívido da memória construída que se devia ter evitado sua construção.

É claro que não trabalhamos sozinhos na construção do tempo-vívido, afinal, somos seres coexistentes. Às vezes estamos em paz conosco, mas, uma situação desagradável se manifesta através de outras pessoas e nos atinge; uma memória desagradável se cria e, no tempo-vívido recorrente, relembramos da situação e a revivemos de maneira peculiar — às vezes mais intensamente, às vezes menos.

Por isso é importante buscar o autoconhecimento através de Önyam, nela estão os ensinamentos necessários para o equilíbrio e a compreensão. Esses ensinamentos são, na verdade, a essência de Önyam e precisamos nos voltar a essa essência que é de Önyam e, portanto, é nossa, para podermos viver com autenticidade. Assim, ao sermos afetados pelo mundo, não criaremos uma memória amarga no tempo-vívido, pois, sempre estaremos em busca da compreensão dos instantes quais somos agentes ativos (autenticidade, estar como protagonista ativo da própria existência — saber controlar a si mesmo, conhecer a si mesmo, compreender o mundo, realizar a vida).

A morte é um exemplo de situação que ocorre sem que tenhamos controle acerca. Porém, quando falamos de Önyam, falamos de profundidade e compreensão; a morte é uma realidade do tempo-vívido e que, na atual sociedade superficial, não se fala a respeito da naturalidade desta realidade, tampouco, de sua importância para a vida.

Dia após dia convivemos com a morte, sem dar-nos conta dela. Morte é desfecho, isto é, fim e recomeço; tudo acaba e tudo recomeça. O sol morre e nasce, as plantas morrem e nascem, as coisas acabam, as coisas se perdem; as coisas se acham e se constroem. Estamos no movimento da morte e da vida e precisamos aprender a lidar com isso, precisamos parar de nos esquivar deste movimento, pois, não é saudável a fuga daquilo que nos compõe enquanto seres.

Se não houvesse morte, se não houvesse fim — não haveria começo. E, em uma compreensão mais abstrata, nada tem um fim, dado que se eterniza na memória individual e coletiva — momentos que são revividos a cada lembrar. Há morte e há fim para haver recomeço, há memória para manter vivo o tempo-vívido de um outrora, mesmo sendo esta memória um pedaço da vivência e não toda ela.

Há pessoas que vivem dia após dia em suas memórias, impossibilitando que elas morram como deve ser. Relembrar, vez ou outra, possibilita reviver; relembrar constantemente é impedir. O tempo-vívido passa, novas memórias são criadas; o constante reviver impede a novidade, impede a paixão e a busca que guia o cerne humano.


Próximos tópicos da filosofia de Önyam: Símbolo Önyam, Transcendência, Linguagem e Intersubjetividade.

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