Em meio a ira de estudantes com aumento de preços, Xerox do Itamar olha para o futuro


Publicado originalmente em 8 de agosto de 2014

PRAIA VERMELHA — A decisão da Xerox do Itamar (BM&FBOVESPA: ITAM4) de elevar em 50% os preços do seu serviço de fotocópias tem provocado revolta entre os estudantes da Escola de Comunicação da UFRJ.

O aumento foi anunciado há 2 semanas em um comunicado ao mercado arquivado na Comissão de Valores Mobiliários e na Secretaria de Fotocópias e Serviços Estudantis do Ministério da Educação, mas os alunos só notaram a diferença na última segunda-feira, 2 de agosto, quando retornaram às aulas para o período de 2014.2.

“Saí da aula de Teoria [da Comunicação] II e vim aqui direto pra tirar xerox do livro A Ideologia Alemã, já com o dinheiro na mão. Para minha surpresa, vi que teria que gastar o dobro”, disse o aluno Murilo Anchieta, do 2º período, se confundindo com as contas. Para Sabrina Freitas, do 3º período, “a Xerox do Itamar está agindo de maneira gananciosa, tirando dinheiro dos alunos para aumentar seu lucro”. “Vou ter que realmente ler as xerox pra compensar o aumento”, conta Rafael Lima, também do 3º período. Nenhum aluno acima do 4º período foi encontrado na Xerox para comentar o caso.

“É apenas o 3º aumento em vinte anos. Nenhum outro segmento da economia conseguiu segurar seus preços por tanto tempo”

Em entrevista exclusiva ao Laguinho Business Journal, Itamar Albuquerque III, CEO da Xerox do Itamar, diz que entende o descontentamento mas afirma que o aumento é justo. “É apenas o 3º aumento no Plano Real, ou seja, o 3º em vinte anos. Nenhum outro segmento da economia conseguiu segurar seus preços por tanto tempo”, justifica o empresário. De fato, como mostram dados de arquivo do Laguinho Business Journal, em 1994 o custo da cópia era de R$ 0,05, passando a R$ 0,07 em 1999 e R$ 0,10 em 2005.

“Estávamos há quase 10 anos praticando os mesmos preços no serviço de xerox, um recorde nos quase 120 anos da empresa”, explica Itamar. “Estamos segurando o aumento há dois anos e talvez pudéssemos segurá-lo por mais um, mas o cenário internacional do mercado de fotocópias não nos permite abrir mão de receita. Sabemos que xerox de textos estudantis não existirão mais daqui 10 anos, e precisamos estar preparados e capitalizados para a mudança.”

A Itamar Fotocópias e Docinhos S.A., razão social da Xerox do Itamar, foi fundada em 1896 como Empreza de Mimeographos da Guanaraba por José Itamar Albuquerque. (Itamar III é o quarto descendente de José Itamar a controlar a empresa.) A companhia se dedicou exclusivamente a cópias até 1976, quando passou a aproveitar seus pontos de venda em locais privilegiados para o comércio de alimentos e produtos voltados ao público discente.

A participação do setor de fotocópias no lucro da empresa tem diminuido nos últimos 3 anos consecutivos. As estimativas do mercado apontam que, mantido o preço de R$ 0,10, as xerox passariam a dar prejuízo para a companhia em 2015. Justamente por isso, investidores reagiram bem ao aumento: as ações subiram 12,3% desde 25 de julho, quando foi anunciado o novo preço. Com isso, as ações da Xerox do Itamar podem fechar seu primeiro ano com valorização positiva desde 2010.

“A maioria das pessoas nem tira xerox, estão reclamando só porque são chatas”

A reação dos consumidores da empresa, no entanto, pode ter um impacto negativo nos resultados. O evento “Boicote à Xerox do Itamar — PREÇO JUSTO” contava com 346 confirmados no Faceboook na noite dessa quinta-feira. Os usuários da rede social postavam mensagens como “xerox mais cara, menos leitura, menos educação, um país mais pobre #triste” e “pago mais caro no Cópia Café mas não compro mais mate no Itamar”. O Cópia Café, curiosamente, é um antigo concorrente da Xerox do Itamar que abandonou o setor em 2009 devido à baixa receita, passando a atuar somente como café e lanchonete.

Como o próprio Itamar explica, a importância das xerox está em queda há anos e eventualmente o setor deixará de existir. “Justamente por isso, não esperava uma resistência tão grande ao aumento. A maioria das pessoas nem tira mais xerox, estão reclamando só porque são chatas”, desabafa ele.

Sobre o futuro, Itamar mostra não ter medo das mudanças e cita a própria história da empresa como ponto de sustentação. “Há mais de um século nosso negócio é pautado pela boa relação com os clientes, que são os alunos e professores mais brilhantes do Brasil. Trabalhamos para servir a eles. As coisas mudam, mas, no final, o que realmente importa são os momentos de diversão e alegria que passamos ao lado de pessoas que amamos”.