Lula: ‘Somente o povo na rua, com luta e um presidente legítimo, vai fazer o país voltar a crescer’

Foto: Ricardo Stuckert

O ex-presidente e pré candidato ao executivo falou para mais de 200 mil pessoas na Greve Geral que parou o Brasil

Mais de 200 mil pessoas escutaram nesse histórico 15 de março o ex-presidente Lula, na Av. Paulista, coração financeiro da maior cidade da América Latina. O petista falou sobre as reformas da Previdência Social e trabalhista, patrocinadas pelo governo de Michel Temer (PMDB) no executivo, e por Rodrigo Maia (DEM), no Congresso Nacional.

“O golpe dado nesse país foi contra o cidadão, para acabar com as conquistas da classe trabalhadora”, disse o ex-presidente, se referindo ao impeachment de Dilma Rousseff, que abriu as portas para a retirada de direitos do governo Temer, através da PEC 241, que congelou investimentos públicos por 20 anos, e da PEC 287, que reforma a Previdência, e está tramitando na comissão especial da Câmara dos Deputados.

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Saudado pelas centenas de milhares de manifestantes, Lula falou sobre as reformas. “O que está por trás disso é que, embora o governo esteja fraco, não tenha representatividade, ele conseguiu botar dentro do Congresso uma força política que quase nenhum presidente eleito conseguiu.

E toda essa força está predestinada a colocar no povo goela abaixo uma reforma da aposentadoria que vai praticamente proibir que milhões de brasileiros consigam se aposentar, e vai fazer com que os trabalhadores rurais desse país, sobretudo os trabalhadores rurais do nordeste, passem a receber metade de um salário mínimo sem ter noção do que esses trabalhadores representam nas pequenas cidades desse país”.

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Sobre o rombo na Previdência, o ex-presidente disse: “O problema não é de dinheiro. Eu gostaria que o [Henrique] Meirelles e o [Michel] Temer estivessem me ouvindo, para eles perceberem que um dia a gente resolveu o problema da Previdência dizendo uma coisa: a política de geração de emprego e renda, de formalização das empresas e das relações de trabalho proporcionaram um crescimento inédito das receitas da Previdência e da Seguridade Social entre 2004 e 2014.

Apenas entre 2008 e 2014 houve um aumento de 54,6% da receita da Seguridade Social, com a queda continuada do desemprego e da informalidade, pela primeira vez na história do Brasil”.

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“A Previdência tem problemas? Têm. Quer resolver? Sim. Ao invés de fazer uma reforma para retirar o direito, faça a economia voltar a crescer, gere emprego, aumente o salário”, avaliou o presidente.

“Nós provamos que os pobres não eram um problema nesse país. Quando incluímos o pobres, ele passou a ser a solução. (…) O governo tem que governar para o povo mais pobre desse país. É preciso parar com essa bobagem de cortar, de vender nossas empresas (…) porque quem não sabe governar, só sabe vender (…) O Temer poderia ser presidente de uma associação comercial, pra vender o que é dele, não o que é do povo brasileiro”, pontuou encerrando a sua fala.

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