Saideira

De repente, emudeceu.

O último gole secou sua garganta

e o vazio do copo inundou seu peito.

A força das pernas se esvaiu de súbito

e um cansaço febril lhe tomou a alma.

Entre prosas ébrias e olhares vagos

sentia o impiedoso peso da existência.

Não mais era homem.

Era sequer humano.

Apenas um corpo a ocupar o espaço.

Absorto.

Entregue.

Indolente.

Orbitava o pensamento despudorado,

recostar-se ali mesmo.

Despertaria tão somente se extinguissem suas angústias.

Finalmente, junto à conta, um átimo de lucidez.

A gorjeta irresponsável o repreendeu:

Já chega!

É preciso partir.

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