Mente criativa: uma análise comportamental

João Matumoto
Jul 15 · 4 min read

Caracterizar uma pessoa como “criativa” é excludente. Isso porque, ao separar a sociedade em grupos, as pessoas criativas passam a ser caracterizadas como extremamente diferentes das outras. A questão da criatividade é meramente um ponto de vista, uma vez que cada sujeito pode expressar-se à sua maneira, construindo uma realidade individual que pode refletir todo seu estilo de vida e que, portanto, capacita e potencializa seu lado criativo. Porém, como esse termo já é bem estabelecido na linguagem popular, será utilizado neste artigo para melhor entendimento.

Ilustração em tons de azul de uma pessoa em pose de luta, como o Bruce Lee, em referência à citação feita no texto.
Ilustração em tons de azul de uma pessoa em pose de luta, como o Bruce Lee, em referência à citação feita no texto.

A criatividade como um talento

Por mais que uma forma de expressão mais inovadora seja vista pela maioria das pessoas como um dom, a criatividade deve ser entendida como um talento que pode ser aperfeiçoado no decorrer do tempo. Esse aperfeiçoamento não se atinge apenas com estudos, mas também — e principalmente — com a cultura individual: seus valores, sua visão de mundo e seus hábitos de consumo.

Tratando este assunto com um sentido prático, peguemos como exemplo uma sociedade que historicamente cultiva costumes que fomentam uma interatividade maior entre as pessoas, como é o caso do Brasil, conhecido por ser um povo caloroso e com grande empatia ao próximo. Há uma tendência de despertar expressões artísticas que cativam outras nações, que pode surgir tanto da liberdade individual de se criar ou reinventar coisas, como da necessidade do brasileiro em descobrir tal vocação diante de problemas sociais, haja vista que nos momentos de crise se encontra muitos casos de pessoas que se “desdobram” para se sustentar, por ter seu estilo de vida tradicional afetado.

Essas pessoas possuem a síndrome do impostor

Muitas pessoas criativas possuem certa inclinação à síndrome do impostor. Essa é uma situação em que o indivíduo, por mais que possua suas qualidades, sente-se incapacitado e se subestima em relação aos demais, criando uma autossabotagem que não necessariamente o impede de realizar tarefas, mas que o faz questionar constantemente sua vida e principalmente o ambiente profissional em que está inserido.

Isso acontece porque essas pessoas ficam admiradas com a forma como outras bem-sucedidas administram sua vida de forma mais técnica, objetiva e pragmática. Ou seja, o indivíduo de mente criativa se inferioriza ao entender, em sua visão, que há um nítido sentido em alguém diferente ser bem-sucedido, uma vez que é possível analisar aquela ascensão ao sucesso de forma concreta, seja por meio da formação acadêmica ou pela experiência profissional.

É interessante pensar que pessoas com “pouca criatividade” tendem menos a apresentar essa síndrome, pois analisam o conceito da criatividade objetivamente e, de fato, como deve ser (pois costumam ser pragmáticas). É comum uma pessoa se impressionar com um projeto realizado por um artista, visto que sua obra finalizada é algo inalcançável de se executar por boa parte da sociedade. É aí que entende-se o termo “criatividade” do ponto de vista superficial, que nada mais é que criar algo inovador, transformando uma coisa pequena (seja uma ideia, tarefa ou ação) em algo grandioso, que se destaca.

A mente criativa é líquida. A mente técnica é sólida.

Enquanto o sujeito técnico traça seu caminho visando ao bem-estar categoricamente, seguindo um roteiro planejado e revisado diversa vezes, alguém com pensamento inovador encontra-se em situações em que há a necessidade de adaptar-se e passar pelos obstáculos com improviso, mesmo que isso não signifique que ele irá tomar a decisão certa. É importante ressaltar que cada indivíduo possui suas próprias características, o que nos leva a enxergar pontos em comum que podem ser desenvolvidos entre as mais diferentes personalidades.

Bruce Lee já dizia: “Água pode fluir, ou pode destruir […]. Seja água, meu amigo”. Isso significa que a água, enquanto líquido, pode adaptar-se ao ambiente, tomando sua forma de acordo com o local em que é inserida. O pensamento das pessoas expressivas é volátil, podendo apresentar desvios/variações que influenciam em sua tomada de decisão, o que propõe diferentes maneiras de realizar tarefas.

Da mesma forma que as pessoas técnicas se admiram com a volatilidade e pensamento original da mente das pessoas criativas, os ditos criativos ficam impressionados com a capacidade dos outros em executar tarefas de maneira planejada e pela objetividade que podem ser alcançadas as conquistas.

Ser criativo não é sinônimo de ser artista

Pode-se afirmar que as pessoas mais criativas são propensas a trabalhar com arte sob influência de alguns fatores citados acima, a exemplo de como ela se porta diante da síndrome do impostor e os caminhos que ela toma no decorrer de sua vida. Em contrapartida, é leviano pensar que as pessoas técnicas não possuem capacidade de desenvolver a própria criatividade, uma vez que ela é entendida também como um efeito resultante do ponto de vista de cada indivíduo através de sua trajetória.

O que diferencia os dois perfis é meramente uma questão de opções pessoais e profissionais decorrentes do meio em que são inseridos, não a presença ou ausência de um “dom”. Na esfera profissional, ter a mente criativa é expor sua noção de mundo de maneira original, atraindo assim o interesse do mercado. Já no âmbito geral, ser criativo é estar ciente da existência de diversas formas de lidar com as situações e exercitar a mente além do que se espera comumente.

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