fragmentos mortos

Entro pela porta e relembro quando vejo os cacos.

Te amei demais, pensei, e me matei por ti. Daqui pra frente, outra vida. Mas ainda resta espalhado tudo, tudo de nós.

Principalmente tudo que não fomos.

Briguei com o homem pelo qual acabei morrendo e nasci diferente.

Ódio nem me cabe mais, porque o amor foi embora junto com a outra.

A taça, a garrafa, os pratos jogados. Os livros rasgados. As roupas rasgadas. A pele.

As peles dilaceradas. Descamadas, destituídas da capacidade de sentir.

Matamos o que tínhamos, o que fomos. O carma, o desejo, o toque. Todo aquele pouco que conseguimos ser.

Concisos só na hora de puxar o cabelo, falar ao ouvido, descobrir novas temperaturas pelas pontas dos dedos.

Impressões digitais que não existem mais.

Relembro.

A única coisa certa que fizemos foi desaparecer pra sempre.