jill magid

descobri recentemente Jill Magid, uma artista contemporânea. pra mim, ela é dessas que curte o processo mais do que a obra final. gosto de gente assim, apesar de, como espectadora, curtir também um bom trabalho pronto. mas o processo… processos são apaixonantes.
enfim, voltando; Jill, até onde li, me parece de uma personalidade invejável. ela é do tipo que ouve um "não" e entende “tenta de outro jeito”. me parece inteligente demais, boa de narrativas, mas, principalmente, me parece ótima em compreender estruturas e como rompe-las exatamente a partir do que essa estrutura toma como “normal”, “legal”, “autorizado”. ou seja, (se for colocar num ~jargão-bacana-contemporâneo-coxa-cool~) disrupção, pra ela, não é de fora pra dentro.
eu sou particularmente sensível a esse assunto, porque hoje em dia há um desejo fortíssimo de destruir tudo, reconstruir outro mundo, mas não vejo quase ninguém tentado entender duas coisas:
. como matar algo que eu não sei como morre de fato porque não sei como funciona?
. o que eu coloco no lugar do vazio que vai ficar? (sim, gente, tem que colocar uma outra coisa no lugar).
o que repetidas vezes acontece na história (com pouquíssimas exceções) é vir alguém “destruir” algo e colocar no lugar uma versão tipo igual, mas pior. ser ~disruptivo~ como desculpa para tomar o poder e fazer mau uso dele é bem complicado. e tem muita gente aí, de todos os lados, fazendo isso.
matar algo até é fácil. matar a ideia do algo, os efeitos do algo, a raiz do algo, a ausência do algo é que será sempre difícil, principalmente se você não se dispor a conhece-lo e entender suas regras internas.
ainda bem que existem Jills. que pena que são poucas.