sessão de auto terapia

picasso tentou pintar como velazquez. ele mesmo disse. e quantos outros não tentaram ser outros e nessa chegaram no único caminho possível: falharam em todas as tentativas e viraram eles mesmos. acho que daí pra frente é que a vida deve começar de fato.

sempre me foi comum, mas agora mais constantemente, a sensação de “trava” intelectual e produtiva toda vez que me deparo com algo que considero incrível.

é uma coisa meio sublime ter contato com algo que te emociona e te engrandece e logo em seguida faz você se sentir medíocre a ponto de questionar sua existência, pois nutro uma angústia de que nunca serei capaz de fazer algo tão grandioso, tão genioso, tão bonito, tão relevante etc etc etc e me travo. daí pra frente a única coisa que funciona é a cabeça e seus surtos ruminantes de auto depreciação.

creio que as coisas mais maravilhosas do mundo vieram de aceitação de ser o que se é. e isso é uma ideia ainda muito poderosa na nossa construção de si, uma ideia que me encanta completamente.

escrevo isso meio que como recurso retórico pra mim mesma, escrever escrever escrever pra ver se a cabeça assimila e termina logo esse único caminho possível que falei antes.

acho que daí pra frente é que a vida deve começar de fato.