tristeza
às vezes bate uma tristeza pequena, azul, que se encolhe no cantinho assim que abro a porta.
às vezes entra essa tristeza e ela me olha com olhinhos mareados e diz com voz entrecortada “ainda não está tudo bem, mas vai ficar. mas antes senta aqui, me entende um pouco”.
sempre que ela chega, mesmo que sem licença, deixo ela entrar. faço um chá quente, mesmo que esteja calor, ponho uma música que condiz (e às vezes a única que condiz é o silêncio) e ficamos ali, uma do lado da outra, sem falar.
a tristeza é assim de evitar palavras pra dar espaço pro resto. e ela vai ficando até gastar, até achar que deu. aí levanta, ombros um pouco menos baixos, agradece e sai.
às vezes a tristeza vem. e tudo que a gente tem que fazer é deixar ela agir no tempo dela.
sempre dá certo.