Por que precisamos da geração MIMIMI?

Todo mundo fala da geração “mimimi”, pois bem, é essa que nós estamos vivendo, ligue o computador, saia às ruas, eles estarão lá. Formada, principalmente, por jovens que depois de uma fase da sua vida aprenderam e querem contestar tudo, essa geração não perdoa uma foto, vídeo ou post de rede social. É problematização na certa. Pra comprovar como muitos detestam os novos contestadores dos fatos sociais, não precisa de muito esforço, é só olhar a internet com os memes já criados para barrar os debates, “chega de mimimi”, “que comece o mimimi”, “#semmimimi”, etc. Esses últimos meses vimos até youtubers e propaganda de refrigerante na TV discursando que o mundo está cada vez mais chato, porque não podemos falar nada que já se inicia uma discussão. Tem até blogueiro (circulando nas redes) com texto “A geração mais ‘mimimi’ que já existiu (e você tem o desprazer de fazer parte dela)”, pedindo para que pensemos fora da caixa das críticas que fazemos todos os dias (e pensar fora da caixa não é ser “mimimi”?).

E a pergunta que fazemos é do por que pertencer a essa geração? E a resposta é muito simples. Nós vivemos em sociedade. Esta condição faz com que estejamos circundados por pessoas de diferentes origens, culturas, religiões, etnias, orientações sexuais, gêneros, classes. Por essa razão o humano é um animal político, pois ao se relacionar com o outro por meio da linguagem sempre cria uma relação de poder e estabelece assim uma relação social. Agradecimentos a Aristóteles. E … Voilá, a sociedade existe e estamos imersos nela!

Agora, cá pra nós, todos sabemos que discutir política é muito chato, mas é claro, associamos política ao cenário dos partidos, congresso e presidência do nosso país. E como é fácil notar, não está nada legal. E vocês tem razão, não há nada mais entediante que essa discussão, já que os governantes não discutem o que queremos e o que a sociedade debate. No ápice de uma discussão sobre aborto, legalização das drogas ou taxação das grandes fortunas, nos seus gabinetes e palacetes a casta política arquiteta golpes. O jogo desses partidos que estão na ordem do dia é nítido, querem vender nossos direitos em troca da permanência em seus cargos e o lucro de quem eles representam. Afinal, quem vai querer discutir isso? Com perdão da expressão, “é chato pra caralho”!

Ufa, temos um pessoal que quer pelo menos refletir. Nos tempos atuais precisamos, ou melhor, necessitamos ser ou partilhar da geração “mimimi”. É responsabilidade nossa estar por dentro do que acontece. Claro, não precisamos ser os economistas, historiadores ou cientistas sociais (nem esse blog pretende a isso), porém não podemos nos calar diante de tantos temas importantes que se referem a nós e ao outro. No século já passado, um alemão chamado de Bertold Brecht já havia dito que “o pior analfabeto é o analfabeto político” para o escritor é aquele que “não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos” (…), “que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política”, é esse mesmo sujeito anunciado 80 anos atrás que aparece nas redes sociais hoje e que usa a hashtag “sem mimimi” para quem quer começar o debate.

Brecht parecia que estava falando da atualidade ao dizer que “da sua ignorância política, nasce o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”. São esses ou aqueles que acham o mundo chato, odeiam a política, que devemos vencer, nas redes, na sala de aula, no trabalho ou na família. Quando se fala “vencer” é não deixar que suas ideias muitas vezes baseadas no senso comum se disseminem sem nenhuma crítica para o resto das pessoas. É livre expressar, mas nossa responsabilidade é lutar pelo bom senso e fim da ignorância política dos discursos mais reacionários.

Olha, ninguém sabe tudo sobre todos os temas, mas é preciso estabelecer a caixa de diálogo e especialmente escutar esses novos contestadores, indignados e problematizadores. Com toda certeza precisamos ser da geração “mimimi”, é ela que não vai permitir que seja postada uma foto racista na rede social, ela que não irá calar para um discurso machista de um governante e a mesma já se sente imbuída a ir às ruas para protestar (Junho de 2013 está aí para não se deixar mentir).

Somos nós que vamos criar um desconforto na roda de amigos quando sair uma piada homofóbica, seremos apelidados de chatos e “mimimis”, contudo, não seremos aqueles analfabetos políticos que permitem que ainda exista uma sociedade de opressões nítidas ou veladas. Mesmo que no final da discussão quem problematizou percebeu que errou e que não havia necessidade do “mimimi”, todavia, aconteceu o diálogo, aconteceu a política e avançamos em quesito de sociedade. Bem vindos a mais nova geração de seres socializantes!

P.S.: essa é a primeira postagem desse meu projeto, querer discutir temas do dia a dia de forma divertida e irreverente. Há dois motivos: o primeiro é criar uma caixa de diálogo e opiniões, mesmo que divergentes, sobre aquilo que li, ouvi e resolvi postar; e o segundo e me enriquecer e empoderar o leitor de novos argumentos para esses debates que vamos fazer ao decorrer do tempo. Não detentores da verdade aqui, somente aventureiros em busca de novos discursos.