
Esquerda ou direita?
Será que esses rótulos servem para algo?
Dia 13 de agosto de 2017 aconteceu em Charlottesville nos EUA uma manifestação que pregava a supremacia branca, nazismo e vários outros tipos de ideias intolerantes. Discurso de ódio da pior estirpe, trajados de uma fantasia que dizia que o protesto era contra a remoção de uma estátua importante da cidade. Chocou o mundo, mostrou que todos ainda temos que evoluir mas, pelo menos nas redes sociais brasileira, criou um dos debates mais imbecis já criados pela internet: se o nazismo é de direita ou esquerda.
Eu não entendo nada de política, história e qualquer outra coisa que realmente estude esse tipo de tópico. Não tenho a menor ideia de que ‘lado’ que o nazismo seja, apesar de ter um leve palpite, e pouco me importo com isso. Afinal é bem claro que é uma ideologia apoiada no ódio e que destruiu a vida de muitas pessoas durante o seu tempo de exercício. Mas porque será que esse tipo de debate, retardado quero ressaltar, aconteceu então?
Pontuando o óbvio, estamos em uma época de polarização. Seja no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo, parou-se de se considerar o meio termo e somos constantemente classificados como esquerda ou direita por algum posição que temos. Ou você está de um lado, ou você está do outro, mesmo que na maior parte das vezes você não esteja em nenhum dos dois.
É unanimidade que o nazismo é algo horroroso. Logo ao classificarmos ele em qualquer um dos lados da discussão, automaticamente nos livramos desse ‘rótulo’ e nos tornamos o lado correto. O ‘time’ (já que é uma discussão que já se tornou muito parecida futebol) que está no lado bom da história. O que tem as ideias mais corretas e que deve ser o grande líder de toda a humanidade.
Idiota não é? Será então que realmente é útil definir alguém como direita e esquerda? Eu acredito no estado mínimo, que quanto menos o estado interferir melhor será. Acredito que cotas são extremamente mal feitas. Que programas sociais tem que ser muito bem planejados antes de colocados em ação, e que a maioria dos que existem hoje são ruins ou horríveis. Mas também sou a favor da liberação do aborto. Da liberação das drogas como maconha e outras coisas muito piores. A favor do estatuto do desarmamento, e que acha que todo ser humano deve ter uma segunda chance. Conseguiu entender o dilema?
Se tivesse que me definir dentro desse espectro binário cairia provavelmente na direita. O que, para boa parte das pessoas que leu o parágrafo acima, não faria o menor sentido pelas últimas linhas. Horas, como alguém que é a favor da liberação das drogas e do aborto pode ser de direita? E é exatamente por fatores como esse que essa definição é tão imbecil.
O ser humano tem essa necessidade de pertencer a grupos. De se ‘situar’ no mundo para então se aproximar de outras pessoas. É entendível o porque a maioria das pessoas gosta de usar esse tipo de classificação, mas isso não a torna menos inútil. No final tanto faz se você é de direita ou de esquerda, ninguém deveria se importar com isso. Precisamos esquecer essa discussão e começar a focar em coisas mais importantes. Foda-se se nazismo é de direita ou esquerda, ninguém deveria nem se importar com isso.
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