
Porque lacrar (não) vai ajudar na sua causa
Lacrar, maneira de dizer que alguém foi bem em algo, ou de provar o seu ponto em cima de alguma história. Algo que nos meus tempos de Ragnarok chamávamos de ‘ownar’ (derivado do termo owned). Isso a pouco mais de 10 anos atrás em fóruns pela internet. Se você já jogou qualquer coisa e participou ativamente desse tipo de discussão tem ideia do que estamos falando por aqui. Mas para aqueles que nunca tiveram essa experiência, é só abrir o Facebook, o Twitter e qualquer outra rede social que você terá uma ideia do que estou abordando neste texto.
Hoje, 2017, a internet decidiu que ‘ganhar’ uma discussão ou simplesmente provar o seu ponto vale mais do que qualquer diálogo. Se adotou o ato de ‘problematizar’ sobre tudo que se vê, sempre pensando em provar o ponto ideológico que a pessoa em questão defende. Problematizar, algo que podemos traduzir como ‘achar problemas em atitudes que, em tese, não existem’. Lógico que é um conceito subjetivo e o que eu chamo de problematização pode ser completamente diferente do que você acha que é, mas esse não é o ponto aqui.
Ganhar likes, compartilhamentos e fazer aquele social positivo com as pessoas que te seguem é realmente atrativo. Faz com que você sinta-se melhor e de alguma maneira te prova que você é uma pessoa relevante para o mundo. Mas será que realmente ajuda a causa pela qual você está, supostamente, lutando? Será que você chegar e criar toda uma crítica social em cima de uma piada realmente faz as pessoas olharem para a sua causa de maneira positiva? Na minha opinião, não.
Não só não ajuda a sua causa como tem o efeito contrário: faz pessoas se virarem contra ela. Em um dos meus textos eu já falei sobre como bater em alguém nunca fará com que ela mude de opinião, e é basicamente o que acontece nesse caso. Mas diferentemente do que acontece normalmente, aqui estamos falando de problemas sociais reais e que afetam uma infinidade de pessoas.
Quando você faz esse tipo de ‘lacre’, a única coisa que você realmente conquista é likes e ódio de pessoas que tenham uma ideia ligeiramente diferente da sua. Foco no ligeiramente diferente, porque são essas pessoas que em uma abordagem menos agressiva seriam o seu alvo. Seu alvo para mudar a opinião e torná-las mais cientes de todos os problemas que, em tese, você estaria lutando contra.
Esqueça essa ideia de agressividade e ‘ganhar a discussão’. Se você realmente está lutando por uma causa, se você realmente quer provocar uma mudança no modo de pensar de outras pessoas, esqueça essa ideia de ‘lacrar’. Você deve conseguir utilizar abordagens que realmente possam ser efetivas. Menos agressivas, mais explicativas e que tentem conversar com o seu leitor/espectador e provocar um choque de realidade nele. Nesses casos você está sempre tentando criar empatia nos outros, não é? Então porque não começa exercitando a empatia você mesmo antes de qualquer coisa?
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