A SAGA DE BOLSONARO — EVOLUÇÃO DA DISPUTA DOS DISCURSOS NO TWITTER
Ontem, lançamos a análise dos primeiros reflexos nas redes sociais sobre o incidente do ataque ao candidato Jair Bolsonaro na tarde de quinta-feira em Juiz de Fora/MG, que você pode ler neste link.
Em uma primeira avaliação, podemos identificar três grandes clusters (grupos ou bolhas, redes de interação): i) o apoio explícito a Bolsonaro; ii) as condolências de centro com repúdio à violência; iii) as críticas originadas à esquerda, normalmente em formato irônico/humorístico centrada em memes.
Com o passar do choque inicial, o avanço das investigações e o esclarecimento do quadro de saúde do candidato, os discursos on-line também se tornam mais claros e aptos a indicar o caminho a ser seguido nos discursos políticos.
A partir da análise de 20.000 tweets classificados em grupos pela rede de retweets e likes coletados na noite de sexta-feira (07/09) identificar dezoito grupos discursivos distintos, conforme a tabela abaixo:

A primeira conclusão possível é: Não houve uma efetiva comoção nacional. A quantidade massiva de piadas irônicas e, em menor escala, críticas à vítima, demonstram a forte divisão de opiniões e posicionamentos. O caso de Eduardo Campos, em 2014, tanto lembrado por alguns analistas políticos se mostra bem distinto, o que enfraquece a tese de que este crime trará uma ampla vantagem eleitoral à vítima.
Outro ponto digno de nota é a dissociação das narrativas que apontam culpados dos fatos oficiais de conhecimento público.



Até este momento não há informações oficiais sobre qualquer apoio/instigação ao criminoso, o que não impediu aproximadamente 14% dos tweets analisados de apoiarem Bolsonaro a partir de uma culpabilização de Lula ou da Esquerda em geral.
De outro lado, 1,8% duvidam da realidade do ataque. Também vale notar os 13% que aproveitaram para criticar o que chamam de violência no discurso de Bolsonaro, alegando que este fomentou um clima de ódio que culminou neste ato.
Houve, portanto, um fortalecimento das trincheiras e posições políticas prévias dentro de cada bolha/grupo, em atenção ao viés de confirmação — a tendência de analisar um fato de modo a enquadrá-lo em suas preconcepções.
Destaca-se a forte união e integração discursiva e de apoio mútuo do grupo pró-bolsonaro com redes muito bem articuladas, enquanto as respostas de oposição foram mais dispersas, como se vê nas redes abaixo:

Em contraposição a esta união dos apoiadores do Deputado, atacando a esquerda, diversas formas de críticas veladas em memes foram relativamente bem sucedidas e, somadas, superam a proporção relativa dos apoios, vejamos alguns exemplos.

De todo este debate, pode-se depreender algumas teorias a serem experimentadas pela continuação das análises:
1. O ataque reforçou e reafirmou a repulsa dos apoiadores de Bolsonaro pelos grupos de esquerda, em especial Lula/PT e PSOL.
2. As esquerdas tentaram teses de dúvida/culpabilização da vítima, sem grande repercussão ao centro.
3. O ataque não gerou uma união nacional em torno da vitima, visto pela ampla repercussão dos memes mais neutros e a centralidade das notícias mais objetivas sobre o tema.
Em confirmando-se estas teorias, abre-se espaço para uma candidatura ao centro que procure destensionar a disputa entre as duas trincheiras de apoio à Bolsonaro ou às Esquerdas, como apontou a forte bolha de centro/repúdio à violência identificada logo após o evento fatídico.
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FABIO LIMA é advogado (Universidade de Brasília) e sócio-fundador da Levels Inteligência e Consultoria Estratégica;
LEONARDO VOLPATTI é cientista político e advogado (Universidade de Brasília) e sócio-fundador da Levels Inteligência e Consultoria Estratégica;
GABRIEL CIRITIATICO é estudante de ciência política (Universidade de Brasília) e consultor na Levels Inteligência e Consultoria Estratégica;
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