Entrevistas no Jornal Nacional: Quais as táticas e discursos dos presidenciáveis?

Fabio Monteiro
Sep 5, 2018 · 4 min read

A Levels- Inteligência, através de ciência de dados, analisou as entrevistas ao Jornal Nacional dos candidatos Ciro Gomes, Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin e Marina Silva com o intuito de verificar os principais termos e linhas de raciocínio aplicado por cada um dos entrevistados.

A partir disso, fizemos uma nuvem de palavras que visa compilar os principais termos citados em cada entrevista e quais são os temas mais repetidos pelos presidenciáveis.

Em todos os debates ficou clara a intenção dos entrevistadores, William Bonner e Renata Vasconcellos, em questionar a coerência dos sabatinados em suas posturas, alianças e discursos políticos.

Também nota-se, como ponto comum, o protagonismo dos entrevistadores no tempo de fala, o que justifica por que expressões como “candidato” — típicas do questionador — aparecem com tanta relevância em todos os casos. Vejamos cada caso, na ordem das entrevistas.

Nuvem de Palavras do Candidato Ciro Gomes

Com Ciro Gomes, as palavras que receberam mais destaque nas respostas foram BRASIL, PRESIDENTE, LULA, CORRUPÇÃO, , MINISTÉRIO. A entrevista focou em aspectos referentes a relação de Ciro com o presidente do PDT, Carlos LUPI, dizendo que o mesmo teria “confiança cega” e que Lupi teria o espaço que quisesse em seu possível governo. Apesar de muito comentada nas redes sociais, a palavra SPC não aparece com tanta veemência na entrevista.

Estes dados comprovam a principal corda-bamba da campanha do ex-governador do Ceará: captar os votos da esquerda — em disputa direta com Fernando Haddad e Marina Silva — sem absorver a rejeição do ex-presidente Lula e os escândalos de corrupção que atacam os últimos governos petistas.
Vê-se que Ciro, desceu do muro, defendendo o “legado Lula”, com o claro objetivo de garantir um posto no segundo turno, apostando que o voto anti-bolsonaro superará, então, o voto anti-esquerda.

Análise da entrevista polêmica de Jair Bolsonaro

Em relação a BOLSONARO a pesquisa foi marcada por uma série de polêmicas. Fica evidenciado faticamente o enfoque da sabatina em questões morais e relativas aos direitos humanos, com ressalto às expressões HOMENS, MULHERES, DIREITO e GAY. As referências ao conselheiro econômico PAULO Guedes também merecem destaque.
A temática ressalta o single issue da campanha, a disputa moral e o posicionamento abertamente conservador do candidato que fortalece tanto seus apoiadores já conquistados como a sua rejeição.

Nuvem da entrevista de Geraldo Alckmin

Geraldo Alckmin — verificamos uma predominância evidente do termo SÃO PAULO, seguido de BRASIL. Isso se deve as citações do ex-governador em relação ao seu governo, demonstrando o mote de sua campanha de que ‘o que funcionou em São Paulo funcionará no Brasil” mas também se refere a predominância de propostas e talvez um pensamento muito paulista em relação ao país, tradicional nesta ala do PSDB.

Também se destaca as palavras CORRUPÇÃO, JUSTIÇA e GOVERNO, em especial por terem sido levantadas pelos entrevistadores como questionamento à estruturação de sua coligação e os casos de corrupção em seu partido e nos de seus aliados.

Muito foi falado sobre a questão da corrupção em relação ao RODOANEL, além disso foi levantada o questionamento de que o PCC controlaria o crime organizado de dentro dos presídios, Alckmin negou a afirmação dos entrevistadores.

Análise de Marina Silva ressalta a diferença de gênero.

Em relação a Marina Silva chama atenção a diferença de tratamento dos entrevistadores, que substituíram o candidato dos anteriores, não por candidata, mas por senhora. Um pronome mais formal, porém que dissocia a imagem da entrevistada da sua candidatura, reforçando o seu gênero, mais do que sua atuação.

O grande destaque das palavras REDE, PARTIDO(S) reflete o longo enfoque na questão da (escassez de) alianças da candidata e do questionamento sobre as diferenças (ou não) entre a Rede e os demais partidos possíveis.
Também houve forte debate entorno de como exercer a PRESIDÊNCIA, combater a CORRUPÇÃO e a realização das REFORMAS, destacando-se as respostas com baixa concretude, mais voltadas a um novo PROCESSO de GOVERNO baseado em DEBATER e não em propor ou impor.

Houve um destaque para a palavra REDE, PARTIDO, GENTE, PROCESSO, PARTIDOS. Isso se deve aos questionamentos feitos pelos entrevistadores A candidata se defendeu tentando mostrar coerência nas coligações e falando da necessidade e vontade de criar um partido em REDE, situação que fora inviabilizada pela diretriz e cultura do diretório do PV nacional.

LEONARDO VOLPATTI é cientista político e advogado (UnB, especialista em relações governamentais (FGV).

FABIO MONTEIRO LIMA é advogado (UnB),especialista em direito público (UNAMA).

Levels-Inteligencia

Startup candanga de relações governamentais baseada em análise de dados.

Fabio Monteiro

Written by

Advogado graduado pela Universidade de Brasília com atuação em Direito Público.

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