O nível de dogmatismo que os liberais brasileiros chegaram é impressionante.
A famosa ideia de que desigualdade não é problema, e sim a pobreza, foi popularizada por Milton Friedman nas décadas de 60 a 80. Ao se deparar com o crescimento contínuo do aparato estatal de bem-estar que estava ocorrendo desde o pós-guerra nos EUA e mais ainda no Reino Unido, Friedman brilhantemente argumentou que esta “ação bem intencionada” teria efeitos perversos sobre os incentivos para gerar riqueza e acumular capital. O resultado de longo prazo seria estagnação econômica e todo mundo mais pobre ou, na melhor das hipóteses, menos rico do que seriam.
Muito diferente do próprio Milton Friedman, os liberais brasileiros não encaram a questão por essa ótica pragmática. Está se tornando praticamente heresia dizer em qualquer círculo liberal que a desigualdade brasileira é alarmante. Eles não se importam com os motivos que foram usados para defender a tese, apenas com a sua conclusão. Também não tem o espírito investigativo para reavaliar a conclusão em um caso extremo (como o brasileiro) de posse de (possíveis) novas evidências.
Bizarro.

~supremo
Post originalmente publicado em:
https://www.facebook.com/liberaisantilibertarios/posts/1916151755373239
Em 28 de setembro de 2017.

