Ser Rico ou ser Rei?

Paulo Scardine
Jul 16, 2015 · 4 min read

É raro ser ambos. Noam Wasserman escreveu um artigo na Harvard Business Review com os resultados de uma pesquisa onde foram analisadas 212 startups norte-americanas entre os anos 90 e os 2000 e poucos. O veredicto? Cerca de 75% dos fundadores abandona o controle da empresa antes da abertura do capital. Em metade das empresas pesquisadas o cargo de presidente deixa de ser ocupado por um dos fundadores antes de completar 3 anos. Segundo ele, 4 de cada 5 fundadores abdica do trono contra a própria vontade, forçados pelo board. Casos como o Bill Gates e Marc Zuckerberg que fundaram suas empresas e permaneceram no comando por muitos anos são exceções!

Aparentemente a ingenuidade e excesso de confiança característico dos fundadores é chave para o crescimento inicial da empresa, mas assim que ela atinge um determinado tamanho estas mesmas emoções passam a atrapalhar. É mais ou menos neste ponto que são chutados do controle pelos investidores.

O dilema do empreendedor

Um estudo publicado no Journal of Political Economy em 2000 (e dois anos depois no American Economic Review) constatou que os empreendedores enquanto classe ganham mais ou menos a mesma coisa que se tivessem permanecido como empregados (de fato ganham menos se computamos os riscos). Isso lá nos EUA, imagine aqui com o custo-brasil. Minhas conclusões são:

  • se você quer abrir um negócio com o objetivo de ficar rico, é melhor pensar duas vezes.
  • e se o objetivo é ter controle do seu destino (ser rei), não pegue dinheiro com investidores e nem abra o capital.

Mas o que é uma startup?

Segundo o Eric Ries, autor do livro “The Lean Startup” (tem uma edição em português entitulada “A Startup Enxuta”) a startup é uma organização que tem o objetivo de criar um modelo de negócios viável. A definição de viável varia mas em geral os primeiros investidores esperam um retorno de 100 vezes ou mais o capital investido.

Prefiro a definição do pessoal da Ycombinator: uma startup é uma empresa projetada para hiper-crescimento. E os caras sabem do que estão falando, é de lá que sairam empresas como AirBnB, Dropbox e muitas outras que são avaliadas em bilhões de dólares antes mesmo de abrir capital em bolsa. A fórmula é: 2 sócios fundadores, jovens, investidores anjo fazendo o seed round e apresentando a empresa para fundos de venture capital que por sua vez fazem rodadas de investimento, serie A, série B, etc. Ter investidores significa ter patrões, portanto este tipo de startup não é pra qualquer um, a cobrança e o ritmo costumam ser violentos por vários anos. É como se jogar de um avião e construir um paraquedas enquanto cai.

Um exemplo interessante é o Github, que cresceu exponencialmente mas foi capaz de faze-lo sem precisar de investidores externos porque era uma operação lucrativa desde os primórdios. Esse tipo de startup é chamada de “self-bootstraped”. O Github começou para solucionar um problema dos próprios fundadores, o chamado “scratch your ouw itch” — não me ocorre uma expressão que tenha o mesmo sentido em português, mas a ideia é construir um produto que resolva seu problema porque não existe nenhum no mercado. Se você não for um bicho muito raro, a quantidade de pessoas que tem um problema semelhante será suficiente para deixa-lo milionário.

E se o mercado não for tão grande assim? Ai você não vai ver aquela curva de crescimento em formato de taco de hockey. Mas existe uma grande chance de ter nas mãos um negócio lucrativo e que permite levar uma vida confortável! Estes são chamados de “Lifestyle Business”.


Blue Ocean x Red Ocean

Um dos melhores motivos para fundar uma startup é se você tem um problema que só pode ser resolvido através da criação de um produto, como o pessoal da Github. Nestes casos, você não tem um concorrente direto, o que é chamado de “blue ocean”. Quando já existe um ou mais concorrentes, o mercado é chamado de “red ocean” (tem sangue na água).

O que é melhor, blue ocean ou red ocean? Ambos tem vantagens e desvantagens: enquanto no blue ocean você tem a vantagem de ser o primeiro (first move advantage), por outro lado você não sabe se a ideia vai funcionar até começar a vender. Já no caso do red ocean, a presença de competidores indica que existe um mercado disposto a pagar por aquele produto, assim o risco é muito menor.

Programadores, designers e outros profissionais criativos olham com desdém para os red ocean porque originalidade é um valor que eles presam por formação — mas é uma distorção cognitiva. Se você quiser um lifestyle business, provavelmente o meio mais seguro é copiar e melhorar a ideia de um concorrente que está sozinho no mercado.

Pensamentos finais

Minha operação de consultoria já é um lifestyle business, porem eu não consigo crescer porque o negócio depende da minha presença. Meu objetivo de vida é construir algum sistema onde o faturamento é independente do quanto eu trabalho pessoalmente na empresa.

E você? Quais são os seus sonhos? Qual é sua maior dificuldade? Comenta ai no medium ou escreve uma resposta! Se gostou do texto recomenda para os amigos, se não gostou recomenda para os inimigos!

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ganhar a vida sem vender a alma

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