Let’s rock

11.07
11.07
Jul 21, 2017 · 7 min read

Bom,sobre mim,tudo que tenho pra falar é tudo que me faz querer ficar em silêncio.

Quero ser direto.Tenho meus motivos pra isso e acho que tu vai entender,afinal,só tu vai saber de tudo na íntegra(ou quaisquer pessoas que lerem isso,afinal é público).

Pra começar quero ir desde o início. Sempre tive uma relação complicada com meus pais. Em casa tudo é direto e reto,sem questionamentos. Quase militar. Em parte é bom,da certo,mas eu sei desde criança que a relação dos meus pais não é tão perfeitinha assim. Eles sempre venderam essa imagem,tanto pra mim e pra meu irmão quanto pros outros, e fico curioso em saber se eles acreditam que cola ou não. Mas enfim,passando por cima dos detalhes que um dia pretendo te contar com mais tempo; já vi cenas realmente assustadoras involvendo eles.

É fácil olhar pra mim como a maioria faz e dizer “ah,ele tem uma boa família,pais juntos,talvez alguns problemas financeiros mas nada pesado demais”. Na verdade,é muito mais complicado que isso.

A primeira coisa que aprendi a fazer bem quando era criança era mentir. Não sei até hoje esconder sentimentos mas sei inventar uma boa história.Devo ter aprendido com eles. Mas isso me trouxe muitas coisas,na verdade me formou e formou muitas das minhas escolhas pois eu queria ser diferente dos meus pais,não importava quanto isso ia custar.

Eu queria uma escapatória melhor do que as mentiras,por mais que eu mentisse bem,uma hora meus pais acabavam descobrindo e tudo vinha por água abaixo. E nada pra mim parecia verdadeiro,não gostava de video games,de ficar pensando nas gurias,das músicas que a galera ouvia,não me encaixava em lugar nenhum,então criava os meus próprios lugares sozinho…

(Sei que estou passando por cima mas essas coisas não importam tanto assim,são só contexto).

E achei uma alternativa.

Eu comecei a buscar alguns significados em algumas coisas,por causa de um cara comecei a curtir rock. Comecei a ouvir outras coisas e com o tempo fui vendo uma coisa; eu possso ser quem eu sou,seguir meu coração e aproveitar a vida,não preciso me prender ao mundo dos meus pais e das falsidades deles,não sou esse cara bonitinho,estudioso e “feliz” que eles querem que eu seja. Comecei a buscar ter uma identidade própria. E isso me acompanhou muito durante os anos,mesmo que na prática eu continuasse vestindo as fantasias necessárias em lugares como igreja,com parentes e em casa.

Mas ali por volta dos meus 15 anos,tudo voltou a mudar radicalmente. Conheci pessoas que na verdade não me fizeram tão bem. E no meio de tantos “encontros” e “festas”, me ensinaram que o próprio rock tem um significado maior que uma “identidade”,tem um estado maior,um estilo de vida,e que o Nirvana do rock era o que eles estavam prestes a me oferecer de forma abundante e gratuita:sexo e drogas.

Mas eu recusei,parecia uma má ideia,afinal sempre ouvimos que isso era “errado” e sempre nos recomendam que fiquemos longe disso.Fiquei longe,de certa forma eu vivia dizendo ser um pra meus pais e dizendo ser outro pros meus amigos.

Depois que tudo aconteceu entre nós lá em 2015,tudo isso parecia atrativo demais,eu podia ser quem eu quisesse,e aproveitar coisas incríveis,sem me prender a esses idealismos.

Percebi que tinha que tirar mais uma máscara. E tirei mesmo,sem medo de ser feliz,liguei pra garota mais bonita e mais louca que eu conhecia,sem pretenção nenhuma de que desse certo,convidei ela pra ir em uma festa na garagem de um amigo. Naquela noite,eu,ela, a música e a bebida éramos um só. Era tudo real de novo,sem fingimentos,sem falsa modestia. Tinha entendido o que significava estar vivo e o que queriam dizer todas aquelas letras sobre “ser livre”.

O rock foi mais que um estilo musical pra mim nessa época. Era um estilo de vida. A vontade de quebrar tudo foi a única sensação que importou pra mim por uns dois ou três meses.

Depois disso,de novo,percebi que as coisas não eram bem assim. Que isso tudo era passageiro, e que na verdade essas pessoas não se importavam nem um pouco com quem eu era e na verdade nem eu com quem elas eram. Eu não era ninguém,pra ninguém,nem ninguém era nada pra mim. Tinha perdido aquela vibe de identidade,de ser alguém,me preocupava só em sentir mais e mais. Mas uma hora acaba.E eu voltei,pro único lugar que ainda me restava,mesmo que fosse um festival de falsidades. Voltei a ligar mais pra igreja. E como se Deus soubesse que eu estava quebrado mesmo sem eu admitir,enviou alguns caras pra me ajudar.

Eu me converti. De novo. Entendi de novo o que tudo isso significa. E tudo mudou. Em novembro eu voltei,fui no show do Pearl Jam,mas com uma cabeça totalmente restaurada. E foi um dos melhores dias da minha vida. Como se um ciclo fechasse,eu estava realmente amadurecendo e entendendo que o mundo é muito mais que o rock,mas que o rock ainda é incrível.

Daquilo em diante passei a procurar o que realmente importava,ter o caráter de Cristo. E Deus me ensinou muito nesse período,acho que foi decisivo.

E tu veio de novo. Eu tinha mudado,e pela primeira vez,eu era eu mesmo no PV. Sem falsidades,sem ocultações,estava arrependido de fato e mais que isso,perdoado pela Graça. Vivi mais uns meses bem de certa forma,com algumas lutas mas firme.

E então,tudo de novo. Sobre aquela garota que citei antes,tu conhece ela,sabe de quem estou falando,muita coisa tinha mudado. E ela tinha mudado também. Aparentemente,tínhamos seguido pro mesmo lado,crescer e entender que a vida é mais que momentos de “prazer”. Começamos a conversar e as coisas foram indo até que um dia ela me convidou pra ir na casa dela,e eu aceitei. Bom,papo vai,papo vem,acabamos ficando e uns quatro dias depois eu tive uma brilhante ideia;vamos namorar,somos perfeitos um pro outro. E assim foi. Mantemos em segredo e seguimos adiante. Com o tempo fomos nos depravando,cada vez mais,nosso relacionamento fazia mal pra nós mesmos,individualmente. Estávamos indo por um ótimo caminho sozinhos,juntamos e estragamos tudo.

Uma semana depois vieram as férias de inverno e nessa altura já tínhamos tirado Cristo da jogada fazia tempo. Resolvemos viajar. Esquematizamos tudo,contamos pra nossos pais que íamos viajar com amigos e esses amigos tinham tudo planejado pra nos ajudar. Deu tudo certo. Uma casa só nossa.

Foi maravilhoso em um primeiro momento e nem queriamos saber do relógio. Mas fomos longe demais. Na verdade,não tão longe assim. Mas chegar perto de realmente chutar o balde e fazer o que nossos corpos mais queriam foi o que me acordou. Uma noite ela entrou no quarto,colocou uma música e lentamente me convidou com poucas palavras e poucas roupas,mas muitos gestos e olhares. Eu ia cair,a tentação era grande demais e estava tudo certo. Mas naquele exato momento uma coisa muito forte passou pela minha cabeça. E como se de uma hora pra outra um desgosto por ela tomasse conta de mim,eu saí do quarto correndo e comecei a chorar escorado na parede. Voltei a mim mesmo em alguns minutos e ela estava ali tentando entender o que tinha feito de errado pra que eu fizesse aquilo. Fomos dormir. Depois disso tudo ficou cinza. Não conseguia nem olhar pra ela por muito tempo,muito menos beija-la.

Ela sumiu,na verdade,até hoje nem chegamos a terminar formalmente,só esquecemos.

Ao voltar pra casa o caos ainda estava aqui. Meus pais eram os mesmos e as falsidades também.

Foi tenso. Tenso nem é a palavra. Eu simplesmente não entendia mais nada. Não entendia como Deus tinha permitido isso. Um dia tudo perfeito e no outro,tudo um inferno. Mas com o tempo Deus foi me mostrando aos poucos tudo que Ele queria me mostrar. Passei a entender que tem muito mais em jogo do que “estar bem”. Passei a entender quem eu era e entender que era eu que tinha que mudar,internamente,me render. E aos poucos Ele me restaurou,de novo. Dessa vez foi diferente. Me senti como o filho que volta pra casa do pai e é recebido com festa,mesmo depois de tudo que fez.

E aos poucos fui mudando. Passei por várias provações e percebi que EU tinha mudado e não minhas ações. E minhas ações mudaram porque eu tinha mudado.

Passei a procurar mais sentido nas coisas,mais objetivos pra vida.

O interesse por uma carreira ou algo assim foi curioso. Tudo que eu criticava,os “porcos capitalistas”, se tornaram uma coisa normal. E eu me acostumei com essa ideia,amadureci muito nesse sentido. E como um ciclo,Deus me ensinou mais uma coisa através de pessoas. Mas dessa vez sem que eu errasse,mandou aquela chance na praia,mandou amigos fortes na palavra,e mandou uma missão;mudar de novo.

E mudei,e muito. E então tu veio,de novo. E por causa de tudo isso,fiquei relutante,não queria que eu fizesse tudo errado de novo. Mas Deus acalmou meu coração e me mostrou que em todo esse tempo eu busquei coisas em pessoas e lugares,mas que na verdade tudo que eu precisava tava ao meu alcance.

E em alguns dias tu mudou tudo,o jeito que eu enxergo as coisas aqui, a profundidade que senti quando estava contigo. E me apaixonei,não por um sentimento,não por uma falsa identidade,não por um corpo,mas por uma guria,que me fez entender que a vida tem muito mais a oferecer,e que mesmo depois de vários erros,um abraço verdadeiro e um olhar profundo resolvem tudo,com sinceridade,sem máscaras,sem segundas intenções…

Acho que o que me faz não me arrepender tanto do que não fizemos é isso. O que sentimos é mais que isso…e talvez isso tenha seu tempo,e seja muito melhor do que pensamos que teria sido se fosse dessa vez.

Odeio clichês mas,me apaixonei pela tua alma,antes mesmo de me apaixonar pelo teu corpo.

Te amo minha guria #11.

Libraries

A vida é uma biblioteca…

)

    Written by

    11.07

    Libraries

    A vida é uma biblioteca…

    Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
    Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
    Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade