Voltar pra casa
Os últimos dias tem sido…inconstantes…
Estive viajando por lugares legais,lugares tediosos,memórias boas e memórias terríveis.
“Alimente um monstro,vire um monstro”
Essa frase fazia e talvez ainda faça muito sentido. Lembrei bastante de quando tu chegou aqui.
Porto Alegre,boa e velha,ou como disse alguém “um porto não muito alegre”. Eu amo essa cidade de um jeito ou de outro. Mas ultimamente com todas essas viagens e pensamentos sobre o passado lembrei o porquê da intensidade repentina e surpreendente dos últimos tempos em relação a ela.
No final,quando decidi te esquecer não foi sobre o passado,foi sobre o futuro.
As memórias se tornaram “o monstro” que eu estava alimentando,me impedia de seguir em frente e ter um novo horizonte. Por mais que eu lembrasse,não alimentava isso,com medo de que me dominasse da noite pro dia, e eu me pegasse triste ou apegado ao passado.
Te esquecer era uma garantia. E a cidade era uma ferramenta,para criar novas histórias e memórias pois mesmo depois de longos anos aqui,eu mantinha minhas memórias em locais distantes,na serra,em acampamentos,talvez mais longe.
Voltar para casa significava mais que conforto,que ter internet boa,que um bom café no final da tarde,que uma volta no parque,que a praticidade de uma capital;significava voltar pro lugar onde nada aconteceu,onde estão apenas minhas memórias puras e eu posso viver a melhor versão de mim.
Mas isso mudou. Quinta voltei pra casa,antes de ir pra estrada de novo. E dessa vez foi diferente…mas não tanto.
Mesmo com tudo que aconteceu,e foi muito forte,mudou muita coisa,ainda sinto o mesmo. Em Porto Alegre,me sinto bem,me sinto em casa. Estranho. Era pra essa cidade me deixar maluco agora. Era pra me deixar com saudade,mas me deixa feliz,mais feliz a cada dia,e toda vez que tenho que viajar,mesmo que por um período curto,sinto que um pouco de mim ficou lá.
Entendi o porquê; não são mais memórias.Não é o mesmo monstro aprisionado nelas. Eu estou vivendo ainda. É só o início de tudo.
Sei que talvez tudo isso mude,não posso controlar o futuro,mas o presente me alegra,todo aquele sentimento daqueles dias,teu ar em cada esquina que dobramos juntos no centro histórico,o jeito que tu estava linda à luz do céu nublado do inverno,aquelas livrarias,tudo isso não é memória,é vida. E além disso,inspira e impulsiona mais do que a cidade sozinha fazia.
Me lembro de ti em cada rua que passamos (felizmente passamos nas que eu mais frequento). E diferente de tudo que lembrei na serra,também momentos,esses,teus,não me assombram. Tenho todos os motivos pra ter medo do futuro. Não sei se duraremos nem mais um dia. Mas entendi que o futuro também era um “monstro” que alimentei por muito tempo. Não mais! Pelo menos não contigo…
Quero que todo dia seja um dia novo e isso baste. Não quero me importar com o tempo, não quero sofrer por coisas que passaram,nem temer o que vem pela frente,mas estar feliz que, agora,tu está aqui, e é a “minha guria”.
Já que tu gosta de clichês “viver um dia de cada vez”,talvez seja a frase. Gosto mais daquela do Rocky :“Um passo,um soco,um round de cada vez”.
Porto Alegre me alegra por isso. Se eu pensar muito sobre o seu passado,cheio de erros,e seu futuro,sem perspectivas,vou alimentar esse monstro,e consequentemente me tornar ele. Prefiro viver,o hoje,tirar o que posso das coisas,viver mais as pessoas, e isso aprendi contigo.
Quando estávamos na livraria aquele dia nada importava,quando nossas mãos se encontraram ao atravessar a rua nada importava.
Planejamento é ilusão,até contigo,mesmo sendo clichê,não sei o que esperar. Então não espero nada. Apenas confio,porque tu me ensinou que pessoas profundas mudam em tudo,menos o jeito que elas te olham e o que te fazem sentir quando se está com elas.
Ainda estou fora de casa,num lugar que na verdade eu nem gosto tanto,e estou louco pra voltar pra casa,pra lembrar de ti,na NOSSA cidade,sem remorso,sem medo,sem arrependimento. Me sentindo em casa por estar contigo. Porque tu é minha.

