Como liderar uma equipe? Observe mais e reaja menos

Originalmente publicado em blog.runrun.it

Quando pensamos em escrever um artigo que oferecesse aos leitores um conselho de liderança, enfrentamos um desafio: fugir dos clichês. Mas, depois de pesquisar bastante, encontramos numa multidão de ecos uma voz singular: “Observe mais e reaja menos”. Esse é o conselho de Manish Chopra, líder de pesquisas na McKinsey e escritor que viu sua vida profissional se transformar por meio da meditação. De tal forma que ele decidiu contar sua experiência e contribuir com todos que desejam entender como liderar uma equipe. Veja a seguir como Manish chegou a essa conclusão e de que modo você pode aplicá-la à sua rotina estressante.

É fácil falar

Planeje-se com antecedência. Priorize suas tarefas. Foque-se no importante tanto quanto no urgente. Cuide da saúde. Durma oito horas. Alimente-se a cada três horas. Reserve um tempo para a família e os amigos. “São tantos imperativos povoando nossa mente, nos dizendo para não nos rendermos às tentações, às distrações. Mas quantos deles de fato somos capazes de seguir?”, Manish questiona.

Depois de um bom tempo errando em ser uma pessoa equilibrada, ele procurou, com certo ceticismo, a meditação Vipassana — em que o grupo não deve se falar, se olhar nem se tocar, apenas meditar. Depois de 10 dias de retiro, seu corpo estava revitalizado e ele sentia que havia desintoxicado sua mente (não deixe de ler nosso post “Como ter uma produtividade insana sem acabar com a saúde”).

Por que meditação?

Imersos nesta necessidade de estar sempre online, sempre conectados, estamos gradualmente mitigando nossa sensibilidade para nos comunicar e nos concentrar no que os outros nos mostram ou tentam mostrar. Mas, se você quer saber como liderar uma equipe, observe mais e reaja menos, ele pede.

Meditar não é a única solução para desenvolver esse hábito, mas é aquela sobre a qual Manish se sente confortável para falar. Você pode encontrar sua própria forma de escapismo do estresse. Winston Churchill, por exemplo, sendo o primeiro-ministro do Reino Unido em plena 2ª Guerra Mundial, decidiu ser pintor nas horas vagas: “Não fosse pela pintura, eu não conseguiria viver. Eu não conseguiria suportar tanta tensão”.

Três desafios de liderança

Manish compartilha como a meditação o ajudou (e a gente também já falou sobre isso aqui) a lidar com três desafios enfrentados por praticamente todos os líderes:
 1. a dependência do e-mail;
 2. as frustrações cotidianas, e
 3. a dificuldade para delegar.

Três soluções

1. A libertação do e-mail
 Manish conta que o hábito de checar o e-mail como a primeira atitude do dia foi o mais difícil de abandonar — ainda que ele notasse como era contraproducente. “Bastava um e-mail mal-educado de alguém importante para arruinar meu bom-humor e prejudicar minha relação com as outras pessoas. Passava o resto do dia tentando descobrir se havia feito algo de errado para merecer aquela grosseria”, ele conta.

Mas não, ninguém merece grosseria. Não faz sentido essa autoflagelação. A solução? Por meio da meditação, Manish passou a se conhecer melhor, além de dormir tranquilo à noite. E agora aproveita as primeiras horas da sua manhã de outra forma: meditando, e também escrevendo, se exercitando, planejando as prioridades e realizando tarefas de raciocínio mais complexo que, antes, ele postergava…

Ele checa seus e-mails após o almoço, quando, segundo ele, seus níveis de energia são mais baixos. E definindo essa sua forma de trabalho para seus colegas, ele conseguiu evitar que o e-mail tomasse toda a sua manhã, como acontecia antes. Além disso, superou tanto a ansiedade de conferi-los a todo momento como a culpa por não os responder assim que surgiam.

2. O positivo do negativo
 “Pouco depois de iniciar a meditação, cinco anos atrás, veio a notícia de que a McKinsey havia perdido uma excelente conta para um dos nossos principais concorrentes. Nós havíamos passado meses, entre colegas de todo o mundo, desenvolvendo o que julgávamos ser uma abordagem atraente”. Se Manish se lamentou? Na verdade, não exatamente:

“Se fosse antigamente, sentiria uma mistura de decepção e ressentimento em relação aos concorrentes, e tentaria minimizar qualquer dano para a empresa e minha carreira. Não é que hoje eu esteja livre desses sentimentos, mas depois de cinco anos de meditação, eu estava diferente. Reconheci para meus colegas que os concorrentes haviam ido melhor, e confesso que quase fiquei satisfeito com seu sucesso”. E ele conclui, de forma admirável:

“A vitória era uma porta de entrada para nossos rivais num mercado que disputávamos há algum tempo, mas também significava que seríamos mais racionais no futuro. Refletindo, comecei a ficar feliz pelo nosso cliente. Afinal, depois de um longo processo, encontraram um parceiro qualificado. Eu estava ciente de que a minha negatividade não havia sido magicamente removida de mim pela meditação, mas agora eu era capaz de responder de forma mais ponderada, sem me deixar consumir por ela, ou contagiar outras pessoas”.

3. O foco nos outros
 Embora a meditação seja um ato solitário, Manish diz que ela o ajudou a se concentrar mais nos outros e a entender como liderar uma equipe. “Costumava me sentir inseguro por ser ‘deixado de fora’ de certas reuniões ou discussões, e tinha receio de delegar, agora entendo em quais atividades eu de fato devo estar envolvido e percebo que as pessoas podem trabalhar sem minha participação direta. Isso me deu uns 10 ou 20% mais produtividade e reduziu meu estresse”.

Ele conta ainda como foi revigorante para sua equipe também, porque agora ela podia assumir mais responsabilidades e ter mais controle sobre seu trabalho — o que ele evitava, por insegurança e desconhecimento dos seus impulsos. E acrescenta que também mudou sua definição de ganho e perda: “Ainda reconheço a dimensão pessoal, mas hoje considero também como uma situação afetará outras pessoas ou o ambiente em que vivemos, e assim, defino o que é certo ou justo mais rápido”.

Apesar de receber as mesmas pressões no trabalho, senão maiores, Manish sente que tem sua rotina sob seu controle e vê mais sentido no trabalho. “Já não considero mais motivo de orgulho meu número de compromissos”. E enfim, ele resume sua experiência em quatro palavras: “Observe mais, reaja menos”. Este é o seu conselho para todo e qualquer líder. Procure se observar, de forma despretensiosa, natural, e você verá como pode evitar reações instintivas e nocivas, para você e seu time, em situações que antes te abalariam.

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