Que líder sou eu

A primeira sensação que tive quando vi que estava realmente inserida nessa jornada da Liderança Evolutiva foi aflição. Isso mesmo aflição. Comecei a sentir isso à medida em que foram chegando os conteúdos para ler, estudar, fazer…parece que uma voz muito irritada me dizia “É muita coisa, você não vai dar conta, você não vai dar conta. Você já não está dando conta do que precisa, por que assumiu mais esse compromisso? Desiste enquanto é tempo”. Foi então que percebi que a sombra do medo estava pairando sobre mim, e decidi ouvir o recado que esses sentimentos me traziam. Deixei fluir. Fui para a primeira aula carregando tudo isso comigo. Ouvindo os outros participantes, vi que a maioria não tinha feito algumas das tarefas ou lido conteúdos. E foi aí que tive meio primeiro insight: “Eu não preciso fazer tudo com máxima perfeição, posso fazer o que é possível e tudo bem. E isso não significa não estar inteiro ou presente”. Parece tão óbvio, mas pra quem tem o número seis do eneagrama, não é. Rss.

E falando nele, no eneagrama, outros insights surgiram durante a prática. Ficou muito claro pra mim o momento em que estou, foi como quando coloquei um papel fotográfico no revelador pela primeira vez e a imagem foi magicamente surgindo. Quando olhei para os meus desenhos vi nitidamente a transição, a transmutação. Trazer luz às sombras, enfrentar os medos com coragem, soltar, deixar fluir, abandonar o perfeccionismo exagerado que julga demais, critica demais e, por isso, muitas vezes, trava. Trava o coração, trava os instintos, a intuição…trava a vida.

E indo pra vida agora, à medida em que fui fazendo a linha do tempo das minhas decisões, percebi outro aspecto muito interessante: a busca pela independência. Parece incrível, principalmente quando ela começa aos seis anos de idade. Porém, essa independência me colocou em vários momentos em um lugar de solidão, de isolamento, o que paradoxalmente me fez “buscar” (inconscientemente) a dependência, seja ela afetiva ou financeira. Ou seja, dois extremos se debatendo o tempo todo. E com tudo isso, percebo então o líder que sou hoje, que busca se libertar dos extremos e navegar pelo caminho do meio, do equilíbrio, da interdependência e da conexão, aceitando e usufruindo da beleza das diferenças, dos imprevistos, dos erros... E assim começa esse caminho — imperfeito, inconstante, integrado e livre.