Liga de Mercado Financeiro Bauru

Criada em 2016 por alunos de Engenharia de Produção da UNESP Bauru, a LMF busca difundir conhecimentos sobre o mercado financeiro, economia e finanças no meio universitário.

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Bear market silencioso? O que o índice Nasdaq tem a nos dizer nos últimos meses

O índice Nasdaq está a apenas 5% de suas máximas históricas, enquanto 60% das empresas que o compõem estão em Bear Market.

Após o Crash do Coronavírus em março de 2020, tivemos uma recuperação em V da bolsa americana. A queda das taxas de juros e aumento de estímulos monetários proporcionaram uma injeção de liquidez nos mercados globais, que gerou uma maior busca por ativos de risco, como ações e criptomoedas. Porém, nas últimas semanas o mercado vem se mostrando com mais aversão ao risco, principalmente de olho na forma como o FED — Banco Central Americano — irá lidar com a política monetária nos EUA, já que isso impacta diretamente os ativos de risco de todos os países.

Nesse caso, o FED se mostrou hawkish na reunião da última quarta-feira, dia 15/12, ou seja, irá adotar uma política monetária contracionista com foco no combate à inflação, em detrimento da preocupação com a atividade econômica. Isso será feito através da aceleração do Tapering (retirada gradual de estímulos à economia) e possível aumento nos juros americanos já em 2022.

Mas o que a Nasdaq tem a ver com isso?

A Nasdaq é um mercado de ações americano, o segundo maior do mundo, só atrás da bolsa de Nova York. A Nasdaq se caracteriza por reunir empresas de alta tecnologia, telecomunicações, etc. Sendo assim, uma forma de se investir nas 100 maiores empresas dessa bolsa, é através do ETF QQQ — via corretora americana. A imagem 1 abaixo mostra as 10 maiores empresas dentro desse ETF, sendo que quanto maior a capitalização de mercado, maior a porcentagem que essa empresa representa no ETF.

Imagem 1 — fonte: www.etf.com

Como podemos observar, o índice possui 100 empresas, sendo que as 10 maiores têm um peso de 55% do índice, o que mostra um alto grau de concentração, principalmente nas FAANG’s.

Segundo uma análise do @GavinSBaker no Twitter, ele observou que o ETF QQQ está subindo 24% esse ano, porém se excluirmos as 5 com maiores retornos esse ano (Apple, Microsoft, Google, Tesla e Nvidia), o retorno do QQQ ficaria de apenas 6% esse ano. Ou seja, o ETF possui 100 empresas, mas só 5 são responsáveis por 75% do retorno deste ETF.

Então, uma das consequências disso é que como observamos na imagem 2 abaixo, há um bear market ocorrendo com diversas empresas da Nasdaq — dado que há várias quedas maiores que 20% do topo histórico, representadas pelos valores em vermelho —, porém ofuscado devido ao excelente desempenho de poucas empresas com grande peso no índice.

Imagem 2 — fonte: Twitter, @LanceRoberts

Para ficar mais claro, mostrei como fazer a interpretação através de um indicador do trading view (Imagem 3).

Imagem 3 — gráfico comparativo entre retorno do QQQ e porcentagem de ações em tendência de alta

Na parte de cima do gráfico, temos o retorno do QQQ e na parte de baixo, em laranja, um indicador que mostra qual a porcentagem de ações desse ETF que estão em tendência de alta. Como podemos observar, após o crash em março de 2020 até março de 2021, houve uma grande valorização do QQQ e também do indicador, mostrando que a maioria das empresas estavam se valorizando. Desde março de 2021 até hoje em dia, também houve uma valorização do QQQ, mas desta vez o indicador recuou até o valor de 40, demonstrando uma divergência, ou seja, a valorização está em apenas 40% das ações, comprovando a seletividade do mercado atualmente, enquanto diversas ações da Nasdaq caem mais de 30% (o que não costuma ser algo positivo).

Portanto, a explicação para esse evento incomum é que o mercado já se antecipou ao aperto monetário e subida de juros do FED, que impacta diretamente no valuation das ações de crescimento, fazendo com que houvesse esse ‘’sell-off’’ de ações de tecnologia e alto crescimento — evento que aconteceu também no Brasil, como vemos em MGLU, BIDI, CASH — , e migração para as Big Techs que possuem um valuation coerente, gerando essa distorção.

Conforme os motivos citados acima, a interpretação da política monetária dos bancos centrais é essencial. Em primeiro lugar porque grandes mudanças na politica monetária e no cenário macroeconômico geram rotações setoriais, que beneficiam alguns setores mas é ruim para outros. Em segundo lugar, porque conseguimos observar que as ações de alto crescimento e altos múltiplos são mais sensíveis a mudanças de juros, e que podem ocorrer quedas maiores de 50% mesmo em empresas líderes do setor — como observou Mark Minervini com a regra 50/80, onde empresas líderes de mercado tem 50% de chance de cair 80% e 80% de chance de cair 50%. Portanto, cuidado com seus investimentos em ações de crescimento, pois elas são muito voláteis, apesar de poderem entregar retornos exponenciais. Diversifique e sempre foque em gerenciamento de risco!

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