Acordo preliminar dos EUA e China, eleição de Alberto Fernández e Cristina Kirchner à presidência e novo adiamento do Brexit
Tour da Liga (07/Out a 05/Nov)

De modo a entender as movimentações do mercado mundial, nesse mês, o Tour da Liga leva a você questões sobre o novo acordo preliminar dos EUA e China, eleição de Alberto Fernández e Cristina Kirchner à presidência, novo adiamento do Brexit, e muito mais.

América do Norte
A segunda semana de outubro foi marcada pelas expectativas e reações do mercado a respeito da reunião de negociações comerciais entre China e EUA, a última desde julho, para tentar resolver a questão da guerra tarifária.
Na sexta-feira (11/10), o índice Dow Jones encerrou em alta (1,21%), fortemente influenciado pela notícia de que EUA e China chegaram a um acordo preliminar, que pode lançar as bases para um acordo comercial mais robusto. Dentre os pontos discutidos, encontram-se um aumento da compra de commodities agrícolas americanas por parte da China, que também se propôs a debater sobre certas medidas de proteção à propriedade intelectual e a realizar determinadas concessões de serviços financeiros. Além disso, os EUA suspenderam o aumento tarifário que era previsto para a semana subsequente à reunião.
A atenção do mercado também se voltou para a última reunião do conselho de política monetária americana. Na penúltima quarta-feira (30/10), o Federal Reserve (Fed) realizou o terceiro corte consecutivo na taxa básica de juros americana: A taxa foi cortada em 0,25%, atingindo a faixa de 1,50% a 1,75%, estimulando o aumento do índice Dow Jones, que encerrou o dia em alta de 0,43%. Entretanto, em uma entrevista coletiva, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que um novo corte de juros exigirá uma “reavaliação substancial” das perspectivas do Federal Reserve.
A eleição federal canadense, que renovou a câmara dos comuns, ocorreu no dia 21/10, segunda-feira. O primeiro ministro Justin Trudeau, do partido liberal (PL), conseguiu se manter no poder, apesar de uma margem muito pequena. O resultado mostrou um país dividido. O partido liberal conseguiu 156 das 338 cadeiras, enquanto o partido conservador saltou de 95 para 122 cadeiras. Os separatistas do bloco Quebecois, por sua vez, obtiveram 32 cadeiras, número muito superior as 10 cadeiras obtidas na última eleição.
Os resultados demonstram que o primeiro ministro conseguirá governar, mas dependerá do apoio de outros partidos, como o Novo Partido Democrático (NDP), partido mais à esquerda, para progredir com sua agenda progressista e sua política climática.

América do Sul
No penúltimo domingo (27/10), os argentinos foram às urnas e elegeram a chapa de esquerda de Alberto Fernández e Cristina Kirchner à presidência. O resultado do pleito já havia refletido no valor dos ativos argentinos desde agosto, quando aconteceram as eleições primárias. Na terça-feira seguinte às eleições (29/10), o Merval, principal índice da bolsa de Buenos Aires, fechou em 33.177 pontos, em uma queda de 3,90%.
As quedas resultam da preocupação de investidores com a volta de um maior intervencionismo econômico e com uma postura mais flexível em relação à divida pública, bem como as memórias da política de Cristina Kirchner, que incluem intervencionismo, controle cambial e restrição da remessa de lucros ao exterior.
De acordo com a gerente financeira da asset Merian Global Investors, Delphine Arrighi, o novo governo possívelmente procurará uma reestruturação da dívida que seja favorável ao mercado, e um pacote de medidas econômicas endossadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Ela reforça que os investidores analisarão o novo gabinete do governo e os responsáveis pela renegociação do acordo com o FMI.
Nas últimas três semanas, centenas de milhares de cidadãos chilenos foram às ruas para protestar contra a desigualdade social no país e para exigir reformas sociais mais profundas. As manifestações se iniciaram no dia 07 de outubro, num ato destinado a protestar contra o aumento da tarifa do transporte público, mas se estenderam com o descontentamento social. O presidente chileno Sebastián Piñera anunciou no dia 19 de outubro a suspensão do aumento, mas mesmo assim os protestos continuaram. No mesmo dia, foi instituído o estado de emergência, medida que cedeu a segurança às forças militares e recebeu duras críticas da oposição.
No dia 22/10, Piñera anunciou uma série de medidas para tentar conter os protestos, como aumentos em aposentadorias, inclusão de ajuda mínima a trabalhadores de baixa renda. Antes do anúncio, o presidente pediu perdão pela “falta de visão” de seu governo e dos anteriores. No dia 27/10, o governo suspendeu o estado de emergência.
Devido aos protestos, o governo anunciou na penúltima quarta (30/10) que o país não será mais sede da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2019 (COP-25) e do fórum da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico).
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-50214126
A Venezuela, país com as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, continua passando por uma profunda crise econômica expressa na hiperinflação, falhas nos serviços públicos e falta de medicamentos. A inflação acumulada nos nove primeiros meses de 2019 chegou a 3.326% no país.
O governo anunciou, no dia 14/10, a aprovação de um novo aumento no salário mínimo. Essa medida tem se tornado comum no combate ao aumento descontrolado dos preços, apesar de ser criticada por especialistas como apenas um esforço repetitivo e sem efeito.

Europa
O Conselho da União Europeia (UE) aprovou o terceiro adiamento do Brexit. Os líderes da UE concordaram em estender de 31 de outubro para 31 de janeiro a permanência do Reino Unido no bloco, de maneira flexível. A flexibilidade da extensão permite que o país deixe o bloco antes do previsto, desde que seu parlamento aprove um acordo de saída.
Donald Tusk, presidente do Conselho, escreveu, na penúltima terça-feira (28/10), em sua conta pessoal no Twitter que os 27 países membros aceitaram a solicitação e que ela deve ser formalizada por escrito.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, anunciaram ter chegado a um acordo sobre o Brexit no dia 17 de outubro. Dúvidas quanto a aprovação do acordo proposto contribuíram para a queda das bolsas européias no final do pregão e no dia seguinte. Entretanto, no sábado (19/10), o Parlamento aprovou uma emenda que adiou a votação sobre o acordo anunciado.
A votação ocorreu na terça-feira (22/10), em que os deputados britânicos aprovaram o referido acordo. Porém, o parlamento exigiu mais tempo para a analisar o acordo de separação, forçando Johnson a pedir o adiamento.
https://www.sunoresearch.com.br/noticias/brexit-conselho-ue-aprova-adiamento-31-janeiro/

Ásia
Brasil e China assinaram, no dia 25/10, acordos nas áreas de ciência e tecnologia e educação, economia e comércio, energia e agricultura, e política. O acordo foi assinado durante a estadia presidente Jair Bolsonaro no país asiático, durante a segunda viagem da comitiva presidencial pela Ásia e Oriente Médio para ampliar as relações comerciais brasileiras. Em declaração, o presidente brasileiro e o presidente chinês, Xi Jiping, demonstraram o interesse em ampliar as relações comerciais entre os países.
https://www.infomoney.com.br/economia/bolsonaro-e-xi-jinping-assinam-acordos-entre-brasil-e-china/
Na última terça-feira (04), o banco central da China cortou a taxa de juros de seu instrumento de empréstimo a médio prazo (MLF) pela primeira vez desde o começo de 2016. O corte visa impulsionar a economia, que sofre desaceleração devido a uma demanda mais fraca no país e no exterior. Os índices acionários do país registraram alta com os investidores comemorando o corte de juros.
A atividade industrial da China progrediu de forma inesperada no ritmo mais forte em mais de dois anos em outubro, de acordo com a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do Caixin/Markit, divulgada na última sexta-feira (01) que indica que as novas encomendas de exportação subiram e as fábricas expandiram a produção.
A filial da Microsoft no Japão conseguiu maior produtividade com menos horas de trabalho em um experimento recente. Em agosto, os escritórios concederam folga aos funcionários às sextas-feiras. A empresa também limitou as reuniões de trabalho a 30 minutos e no máximo cinco participantes, e incentivou a comunicação virtual. Como resultado, a produtividade por trabalhador aumentou 39,9% em agosto na comparação com o mesmo mês no ano anterior, o consumo de papel impresso caiu 58,7%, e o de energia elétrica em 23,3%.
A experiência aconteceu no momento em que o governo japonês está incentivando a flexibilização dos modos de trabalho. As iniciativas visam aumentar a taxa de natalidade, que está em queda, e combater as mortes por excesso de trabalho no país.

