Dois dias de conversas sobre jornalismo

Meu breve relato sobre o VI Seminário Aberto de Jornalismo na Unisinos

O objetivo era reunir em dois dias pessoas que conversassem com as investigações que a linha de pesquisa Linguagens e Práticas Jornalísticas, da qual eu, o professor Ronaldo Henn e a professora Beatriz Marocco fazemos parte no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação na Unisinos. Por isso organizamos o VI Seminário Aberto de Jornalismo, que aconteceu nos dias 16 e 17 de maio, na Sala Conecta, no campus de São Leopoldo, na Unisinos.

Roselyne Ringoot, que recebeu a Bia para um estágio pós-doutoral na Universidade de Grenoble, na França, em 2015, abriu o seminário falando sobre autorialidade jornalística: tensões entre figuras coletivas e individuais. Roselyne fez um apanhado detalhado sobre como foi construindo sua pesquisa em torno desse conceito, relatando parcerias e apontando trabalhos resultantes dos estudos empreendidos no período dedicado ao assunto.

Em seguida, o professor Rogerio Christofoletti, da Universidade Federal de Santa Catarina abordou uma série de questões sobre a crise do campo e a ética no jornalismo, trazendo também vários exemplos de jornalismo independente que estão buscando alternativas e gerando oportunidades em meio a um cenário conturbado em termos de formatos de narrativa e modelo de negócio. Um exemplo citado é o coletivo Catarinas, que produz jornalismo na perspectiva de gênero e trabalha, entre outras formas, com modelo de financiamento coletivo.

A tarde foi dedicada para uma mesa coordenada por mim, na qual pensamos Práticas e Novos Modelos de Jornalismo Digital. Leandro Demori contou um pouco sobre a experiência como editor do Medium Brasil e agora como editor assistente da revista piauí. Leandro também é mestrando e meu orientando aqui no programa e vem problematizando questões sobre o Medium, que na mesa foram tensionadas com relação ao modelo de negócio que a empresa tenta construir em torno da produção de conteúdo na internet.

Em seguida, ouvimos a fala da Daniela Bertocchi, sobre startups de jornalismo, um tema ainda pouco discutido na linha e que foi super bem explorado pela Dani na sua apresentação, através de uma série de dados que expuseram um panorama sobre esse cenário no país. Ela ainda foi bem generosa deixando um conjunto de referências e questões de pesquisa para a gente pensar nas aulas e discussões dos grupos de estudos da linha.

O Leonardo Foletto compartilhou conosco algumas questões relacionadas à sua tese de doutorado, defendida recentemente na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sobre a rede de mediação entre humanos e não humanos na produção de informação do Mídia NINJA. Foletto mostrou fotos de casas da rede Fora do Eixo, falou sobre as dinâmicas de cobertura e problematizou algumas questões relacionadas ao jornalismo independente, apontando algumas caminhos para alguns problemas já tencionados anteriormente na discussão da mesa.

No segundo dia de atividades a mesa Crítica das Práticas Jornalísticas foi coordenada pela professora Beatriz Marocco. A primeira fala foi feita pela nossa ex-colega de linha professora Christa Berger, que emocionou a plateia com um relato sobre uma análise de dois textos de premiadas jornalistas, a Natália Viana (Agência Pública) e a Eliane Brum (El País). Em seguida, a doutoranda Júlia Capovilla, orientanda da Bia, falou sobre sua pesquisa de doutorado, sobre blogs de imagens, problematizando a questão da autorialidade no jornalismo através de uma análise de diversos blogs de veículos jornalísticos. A pós-doutoranda da linha, também supervisionada pela Bia, a doutora Márcia Veiga, abordou a ascensão do feminino nos livros de repórter. A mesa das quatro foi uma conversa que mostrou o entrelaçamento entre os estudos das pesquisadoras, mostrando como convergem em torno do tema da reportagem, conduzido pela Bia através de seus projetos dentro da linha.

Registro da transmissão da mesa Crítica das Práticas Jornalísticas

A última mesa, Jornalismo em Rede, foi coordenada pelo professor Ronaldo Henn, e teve a participação à distância da professora Raquel Recuero, que abordou o impacto para o jornalismo das bolhas nas mídias sociais. Raquel também falou sobre como é importante que os veículos percebam como é necessário incorporar às métricas análises que sejam mais aprofundadas sobre os dados que as redes produzem, ou seja, não adianta lidar de maneira superficial com as informações que as pessoas disponibilizam online e achar que se está fazendo jornalismo de dados, por exemplo. Uma série de outras questões foram levantadas também sobre a circulação de informações falsas, a polarização de discursos e pautas e a maneira como as pessoas se portam em sites de redes sociais compartilhando notícias e conteúdos sem verificar a procedência das mensagens.

Felipe de Oliveira, egresso do programa, que foi orientado pelo professor Ronaldo, trouxe dados de sua tese de doutorado, defendida em 2016, abordando a semiose da notícia e trazendo algumas questões sobre movimentos em rede, crise do jornalismo e uma reflexão sobre a constituição da noção de um interpretante em rede.

Moreno Osório é doutorando do programa, já qualificado, e em breve embarcando para doutorado sanduíche na Holanda. Moreno trouxe uma série de questões abordando curadoria para problematizar/valorizar o papel do jornalista diante da algoritimização (se é que eu posso usar esse termo) dos processos jornalísticos. Trouxe vários exemplos de como ferramentas de períodos anteriores do jornalismo digital vêm sendo recuperados em alguns contextos, como o caso da newsletter, trazendo como exemplo a Canal Meio, mantida por Pedro Doria, Vitor Conceição e Audrey Furlaneto.

Registro da transmissão da mesa Jornalismo em Rede

Fica aqui um agradecimento especial a todos que participaram nas mesas, com suas falas, contribuindo para que as conversas fossem um importante momento de discussão sobre temas de pesquisa que buscam mediar questões diversas, fazendo essa ponte entre academia e mercado que por vezes é tão difícil de estabelecer.

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