É suficiente apenas estar informado?

Estudo revela que jornal mineiro se empenha em manter leitores informados, mas não em formar cidadãos críticos diante dos acontecimentos científicos

Com o desejo de atrair um maior número de leitores, os meios de comunicação empenham-se em divulgar notícias cujas temáticas possam suscitar a atenção do público. Essa é a razão pela qual notamos a expansão da divulgação científica nos mais variados meios de comunicação, pois, além de haver seções destinadas a essas temáticas nos mais importantes jornais do país, hoje há programas televisivos e seções no jornal dedicadas especificamente temas relacionados à saúde e à ciência.

Tendo como foco esse contexto comunicativo, a pergunta que se faz é: como as informações sobre ciência são divulgadas para o público em geral e se esse conhecimento é apresentado de maneira que auxilia no desenvolvimento da capacidade crítica do leitor?

Foi em busca dessas respostas que eu e Elza Mayra de Oliveira, estudantes de Letras da Universidade Federal de Viçosa, juntamente com a nossa orientadora Profª Cristiane Cataldi S. Paes, desenvolvemos uma pesquisa no principal jornal impresso mineiro, Estado de Minas. O corpus da pesquisa foi formado por 29 textos publicados na seção Ciência do Estado de Minas, no período de agosto a setembro de 2013. No decorrer da pesquisa, observamos que os autores das notícias publicadas utilizaram importantes recursos linguístico-discursivos como expansão, redução e variação e estratégias divulgativas que auxiliam no processo de mudança do discurso científico para o discurso jornalístico.

A partir desses procedimentos e estratégias, as notícias explicaram, definiram e exemplificaram diversos conhecimentos de caráter científico para o público em geral. O uso desses recursos revelou o interesse do jornal Estado de Minas em tornar o conhecimento científico inteligível para o leitor leigo. Assim, constatamos que o jornal teve o objetivo de divulgar essas informações, mas não trouxe dados suficientes para o leitor tomar uma posição mais crítica em relação aos temas abordados. Isto é, há um preocupação de informar e mas não em discutir ou polemizar. Dessa forma, caberá a cada leitor buscar outras fontes para aprofundar o tema apresentado pelo jornal e se posicionar criticamente sobre ele.


Por Jéssica Ferraz, Elza Mayra e Cristiane Cataldi.

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