Elise Haas
May 27, 2018 · 1 min read

existe um amor que seja maior que eu?
existe aquela decepção?

lembrei de um passado, não é nostalgia,
lembrei de promessas, não é amargura

lembrei de quando acreditava
em palavras que diziam pouco no dizer
e muito no não dito

queria dizer agora um perdão
mas não há como torná-lo verbo
perdoo?
perdoa?

não há sujeito
não há ação

há apenas a inevitabilidade
de alguma triste situação
em que não fui eu, não foi você,
nem eles

foi só lamento
quando o céu escureceu
quando os sons dormiram
e algo se perdeu

perda e perdão
embora irmãos
dificilmente moram sob o mesmo teto

é quando não sinto mais a perda,
a joia perdida
que o perdão
- sem sujeito, sem tempo, sem conjugação -
pode vir e me habitar

ou quem sabe, sou eu a sua hóspede
e ele, um gentil e silencioso anfitrião.

amar e perder
é uma canção tão banal
que a obviedade nos tira o tapete
seca os copos
e fecha as portas

ah, mas quando elas se abrem…
é poema novo,
quente e fresco como a primeira noite de verão

aí então,
como diz um certo alguém
é uma questão de se envolver
perder
o sono
é convidar para dançar
qualquer canção

linhas em cores

devolvo poemas quase meus

Elise Haas

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vivente por escolha

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devolvo poemas quase meus

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