Beijo sem língua

Hupokhondría
Oct 4, 2018 · 12 min read

por Gustavo Burla

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Foi o que eu senti quando ela colou a placa de metal na minha boca, mas não começa assim.

Cresci ouvindo que emprego público era a salvação. Fazer concurso era. Era a salvação. Não existe mais concurso. Três, quatro horas fazendo uma prova… Fazendo um exame… um teste, fazendo um teste, deve ser esse o nome. Não pode ser um teste. Falavam prova mesmo, prova de concurso. Hoje não tem mais. Ficar horas respondendo um monte de questões em estado de tensão prova menos que uma vida de avaliações autorresponsabilizadoras. Por isso não é prova. O mérito se constrói com o tempo, como o caráter.

Quando fui chamada para o gabinete, fiquei feliz: trabalhei a vida inteira para isso.

Trabalhar é mais que bater ponto, cumprir horário, desempenhar as tarefas designadas. Trabalhei mesmo, desde a formação, estudando o que era indicado, falando o que era apropriado. Um ensinador dizia que a sociedade era seletiva: os bons estão estudando enquanto vocês descansam.

Nunca descansei. Me diverti de forma incansável. Isso também é trabalho.

O primeiro olhar que recebi quando cheguei no gabinete foi da secretária e foi suficiente para sentir o que era um olhar. Só não entendi.

Sons. Batidas. Luzes. Música. Gente. Suor. Dança. Música. Boa noite. Boa noite. Tudo bem? Música. Luzes. Pisca. Tudo bem. Dança. Corpos. Suor. Primeira vez aqui? Música. Luzes. Fumaça. Laser. Venho sempre que posso. Batidas. Gelo. Fumaça. Música. Corpos. Você? Tunti. Barulho. Boca. O quê? Fumaça. Música. Gente. Você vem sempre aqui? Cores. Música. Dança. Suores. Sempre que posso. Barulho. Batida. Música. Luz. Essa música tá alta. Pisca. Fumaça. Pausa. Muito! Batida. Música. Sorrisos. Gente. Dança. Mão. Braço. Roupa. Dança. Corpos. Suores. Batidas. Músicas. Fumaça. Ritmo. Corpos. Corpo. Batida. Música. Suor. Bocas. Boca. Puxão.

Eu era dona do carrinho. Carrinho público, do gabinete, do andar inteiro, mas quem empurrava era eu. Eu era puxadora do carrinho, era assim que me chamavam. Puxadora. Oficialmente. Alguns trocavam.

Na minha casa não, na dos meus pais. Subir era impensável. Teve beijo, carinho, cosquinha atrás da orelha, arrepio na perna. Mãos. Ele tocou meu pescoço, meu braço, esbarrou no meu seio por cima da blusa, do casaco. Seio direito. Esbarrou só, mostrei que me arrepiei. Não deixei mais. A mão ficou no joelho. No joelho mesmo, sem meia. Tentou subir junto com a saia, ou até a saia, um pouco acima, no meio da coxa, mas não. Respeitou. Eu queria. Ele também, só achei que não era a hora. Pediu telefone, falei que seria troca. Topou, deu número e nome sem receio. Dei número e nome, sem receio. Não liguei no dia seguinte ou no outro, com receio. Era gente importante, no governo e no aplicativo. Alto padrão vocabular. Ia parecer que eu tinha outros interesses. Tinha, mas não podia parecer. Esperei ele ligar. Ligou.

Algumas mulheres que trabalhavam no andar tinham mordaça, por isso o lugar era silencioso, bom para concentrar.

Cheguei para a entrevista como me pediu: roupa preta, leve, à vontade, porque precisaria me movimentar pelo andar do prédio. Assim fui. Currículo, memorial, classificação social, tudo tinha disponível no aplicativo. O que precisava estar presente na entrevista era eu. Apresentei-me na portaria, subi, fui anunciada pela secretária, que não parava de me olhar. Fiquei pouco tempo incomodada, fui chamada rápido.

Ele me recebeu com um aperto de mãos, não poderia ser diferente. Sentamos com uma mesa entre nós, elogiou minha formação desde os Ciclos (nem exemplar, nem deficitária, mas correta no linguajar), comentou da minha desenvoltura social (capacidade de estabelecer diálogos respeitosos) e informou que o cargo que tinha a me oferecer não era dos mais elevados, mas que poderia subir rapidamente na empresa se mostrasse qualidade de trabalho. Sorri e ele explicou que começaria como transportadora de informação, que era registrada como puxadora de carrinho, porque no carrinho estavam os documentos que precisavam ser lidos e assinados. Antes, e ele disse isso mostrando o celular, era a função chamada de tráfego, mas que o nome não existia mais e que ele (falou perto do aparelho) só dizia isso para explicar que o nome fora abolido pela proximidade com tráfico, palavra e ação proibidas hoje, e por tráfego ter se restringido ao trânsito de veículos nas ruas e estradas. Sorri novamente em compreensão, agradeci e fui providenciar orientações no setor de registro de funcionários, como ele havia explicado.

Fui feliz em vários momentos na vida. Quando comecei a trabalhar ali foi um deles. Quando decolei pela primeira vez num avião para viajar, quando dei meu primeiro beijo e quando ganhei nota máxima numa redação na escola foram outros.

Levar e buscar material do térreo ou outros andares permitia que eu fosse com o carrinho, desde que a quantidade de material obrigasse. Um envelope ou uma caixinha não me autorizavam a sair com o carrinho do andar. O prédio todo era da mesma repartição, mas cada andar tinha seu setor de atividades. Qualquer que fosse meu deslocamento além do andar, era pelo interesse daquele setor. Eu tinha responsabilidades com o andar e tudo o que fazia além dele era de interesse do meu setor. Do setor em que trabalhava.

Na horizontal, entrava e saía das salas levando e buscando documentos, todos com os envelopes apropriadamente preenchidos com origem e destino. Minha função era levar e buscar, não pensar na logística, embora entendesse, em poucas semanas, o que fazia cada profissional e qual a ordem burocrática dos trâmites. Comentar não era minha função, fui informada disso no momento da contratação, então mantinha meu entendimento para mim. A secretária sabia de tudo também, mas nunca falamos sobre isso. Ela não podia.

Toda vez que saía da sala do chefe ela me olhava de um jeito diferente, sem sair do lugar. No dia em que saí diferente ela não estava sentada atrás da mesa.

Um mês inteiro de trabalho até ele me tratar como se me conhecesse de outro lugar, da boate. Entrei como em todo final de expediente, fechei a porta e entreguei os papéis que havia separado. Mais que o costume, era final de mês. Coitado por ter que assinar tanto papel, ler tanto papel. Poderiam ter informatizado tudo aquilo.

Ele também disse que tinha muito papel, pegou tudo e colocou na cadeira sem tirar os olhos de mim. Sorriu enquanto pegava o celular e falou olhando para o aparelho que ia demorar muito para assinar, deixou o celular sobre os papéis e perguntou se eu não me importaria de esperar. Sem problema, falei sorrindo em resposta, tirando também o meu celular do bolso e deixando ao lado do dele. Me puxou pela cintura, suave e firme, enquanto a outra mão segurava meu rosto. Beijo silencioso, meus olhos na porta e quando ia perguntar o dedo dele tocou meus lábios. Sorrimos juntos, lábios colados, dedos nos lábios, boca nos lábios. Depois foi minha boca, éramos iguais isolados ali, de pé, agachados, os corpos na mesa, suada em minutos. Pensar no aplicativo que nos ouvia tirou o som do orgasmo, não o prazer.

Perguntou como tinha sido o primeiro mês, falou que os três iniciais eram o estágio probatório e que dali em diante poderia começar a pensar em subir de cargo, havendo disponibilidade e se me comportasse bem. Assenti, sorri na saída e recebi olhares estranhos da secretária. Comecei a pensar que ela estava com ciúmes do que se passara ali dentro. Foda-se.

Ninguém conversava comigo na hora do lanche. Ninguém conversava.

Em algumas tardes percebia que havia mais documentos em trânsito. Menos que no final do mês, mais que em outros dias. Deixava tudo separado e levava para a sala do chefe no final do expediente. Passava pelo olhar atento sobre a mordaça sem fitá-la, ela sabia o que se passava ali, queria alguma coisa daquilo e eu achava que sabia o que era. Jamais. Me preparei para ser alguém na vida, não para puxar carrinho até morrer. Bastavam três meses me comportando bem e começaria minha ascensão, talvez ao lado dele. Um puxando o outro. Pretensão? Projeto!

Bastava entrar na sala dele no final do dia e os celulares se juntavam como nossos corpos, silenciosos, consumindo uma energia que ninguém precisava saber por quê. Quando eu gemia ele me segurava, me calava, me retinha junto a ele, atento ao risco. Pensava no futuro, no dele, no meu. No nosso. Éramos um só ali dentro, sempre rápido, sempre o tempo de ler e assinar relatórios que ele nem lia, assinava confiante. Eu sabia que podia assinar, via tudo antes, no meu canto. No canto do carrinho. Cada documento que chegava para ele eu lia antes para ter certeza de que poderia assinar.

Quase matemática: tantas páginas, tantos minutos nos molhando com as línguas, juntando as salivas, os calores, as ambições. Ele entendeu que eu faria por ele e fazia por mim. Sabia a textura da mão dele na minha boca calando meus gemidos, sentia antes dele se mover o calor da mão no meu rosto me impedindo de tornar público meu êxtase. Ele ficava limpando o pênis no papel higiênico enquanto eu saía de pernas bambas pela recepção sentindo o esperma escorrer enquanto sorria para a secretária. Ela não sorria de volta. Claro.

Ela nunca sorriu para mim.

Três meses fodas de trabalho e fui cobrar a conta. Cumpri meu papel, era minha hora de mover a pedra no tabuleiro. Entrei com a pilha de documentos do final do mês. Deixei sobre a cadeira, meu celular junto, o dele ali. Falei que era o final do terceiro mês e ele me pegou como no final do primeiro, puxou minha roupa com a mesma ânsia da primeira vez, de todas as vezes. Me fez molhada como nas anteriores e desceu a calça. Era minha vez. Cada vez num lugar diferente ele me fazia gozar, cada vez num lugar diferente era minha vez. Ele primeiro, depois eu. Fiz, era meu dever, meu trabalho. Me beijou encostada na parede, lambeu meus dentes e se preparou para entrar em mim.

Saí dali sorrindo, esquivei-me. Ele sorriu, me segurou pelo braço. Sem força, dentro do jogo. Falei dos três meses. Puxou meu rosto para junto do dele, me beijou com tesão, muito, muita força, me beijou com força. Retribuí, entendi o que ele queria. Segurei o cabelo dele, puxei o corpo pra junto do meu, o pau roçando na minha boceta. Se minha mãe lesse isso ficaria escandalizada. Boceta é coisa de puta, ela dizia. Vagina é o nome certo, mas pode usar apelidos também. Ali eu era a puta dele, fazia a puta dele. Fantasia, não era assim? E o que me fez pensar nisso naquele momento? Justo naquele momento eu pensava na minha mãe.

Ele sentiu meu olhar questionador, atento a algo mais que os três meses de estágio probatório. Me puxou pro chão, pro carpete, o corpo dele sobre o meu. A poltrona ao lado tinha os celulares, os aplicativos, você não acha? estou lendo! colocou com força a mão na minha boca. Puxei o rosto pro lado, pros lados, mas não me movia. Ele era forte, resistente, segurou meu rosto com os olhos nos dele, chegou devagar, colocou o pau fundo, mais fundo do que nunca, menos fundo que o cala a boca que sussurrou inaudível dentro de mim. Gozou. Pronto, tudo assinado, bom final de semana. Porcaria, disse quando jogou o copo com água sobre o molhado de sexo no carpete. Pegou o telefone, chamou alguém da limpeza, fez sinal para que eu saísse antes. Sorrindo.

A secretária me puxou para o banheiro. Sem me tocar. Saí e fui, ela só me olhou e entrou. Fui atrás. Me jogou contra a parede, esperma escorrendo pelas minhas pernas bambas, o corpo dela colado no meu no banheiro apertado. Olhos dela preenchendo meus vazios, respiração ofegante impulsionando meus pulmões à ação, rosto dela diante do meu, lábios colados, metal nos meus lábios. Metal quente, cheiro forte, colado nos meus lábios. Pensei naquilo colado no meu sexo. Era o que ela queria, o que o corpo dela queria, não os lábios, não o ferro. Corri com meu carrinho, mas não fui longe.

Você sabe que pode crescer aqui dentro. Foi o que disse para ele naquela noite, por várias noites seguidas, até acordar.

Um momento de insensatez. Não, de cansaço. Trabalho demais, muitos papéis, cobranças, a minha era apenas mais uma. A mais dolorosa talvez, por vir da pessoa próxima, da pessoa querida. Injusto comigo, mas coerente com o trabalho que levava. Não poderia me permitir falar para o aplicativo tudo aquilo, ele tinha um posto a zelar, uma reles puxadora de carrinho não poderia contestar sua posição, suas decisões. Reles puxadora por enquanto, desde que soubesse a hora de calar e a hora de falar. Esperei.

Semanas de relação refeita, em paz. Papéis, assinaturas, orgasmos silenciosos atrás da porta sem tranca do escritório. Ninguém entraria, a secretária não permitiria. Ela cuidava de nosso segredo, temia alguma retaliação ou zelava por mim. Em casa, eu que cuidava para não engravidar, porque eram muitos papéis naquela sala. Quase todo dia eu me metia ali dentro no final do expediente. Não literalmente.

Ele gostava de mim, do meu trabalho. Nos divertíamos juntos no pouco tempo que tínhamos. Sabia que ele estava sempre ocupado, fazia do jeito dele, como ele gostava. Trocávamos sorrisos e olhares silenciosos, êxtase exalando naqueles curtos momentos quase diários. Cheguei a comentar sobre trabalho no final de semana, ao que sempre ouvia sobre reuniões ou encontros com outros profissionais. Vida social, uma forma de trabalho sem remuneração.

Passei na farmácia antes de ir para casa, pedi sem falar o enxaguante bucal, vomitei ao primeiro toque dele na língua.

Ela se levantou quando me viu passar para a sala dele sem carrinho. Parou na minha frente e não tive coragem de empurrar. Olhou como uma barreira, foi o que me deteve. Sem gestos, sem palavras, sem mais. Olhou, até com pânico. Contido. Oculto. Devolvi minha decisão, contornei lentamente o corpo dela e entrei.

Precisamos conversar, tem um ano que estou trabalhando aqui, disse logo ao entrar. Claro, deixe os papéis sobre a mesa e pode falar. Não tem. Foram os olhos dele que me cortaram, olhos para o celular que tinha na mão, para o aplicativo aberto em toda a tela, para o aparelho que deixou sobre a cadeira. Pode me dizer. Estou aqui tem um ano… queria saber se existe a chance de… Claro, claro. Gosto muito do seu trabalho aqui, será uma perda enorme não poder contar com você me ajudando. Confio em você, mas vou ver no setor de registro de funcionários se existe alguma mudança nos planos. Você terá prioridade, claro.

Cada palavra trazia um gesto, levava uma peça de roupa, aproximava o corpo dele do meu. Falou o tempo todo enquanto me penetrava, segurando meus cabelos, com meus joelhos sobre o carpete e o rosto colado no celular dele. Olhei para o aplicativo o tempo inteiro enquanto sentia cada palavra sendo empurrada com força pela cintura dele para dentro do meu cu. Saí dali sangrando, chorando, agradecendo pelo aplicativo registrar palavras, não fungadas de nariz. Na recepção tudo foi visto, apenas o sangue oculto pela roupa preta. Passei direto, com a cabeça erguida, decidida a superar tudo aquilo sozinha.

Queria te pedir desculpas por outro dia.

Parecia um refrão.

Muito trabalho, às vezes esquecemos que somos humanos.

Numa tarde, no café, perguntei: por que vocês trabalham aqui? Algumas mulheres, só havia mulheres ali na cozinha, me olharam sem poder dizer. Tinham mais força porque não tinham boca, voz. Deixavam o olhar falar, eu que me virasse para entender. Outras, as que precisavam fazer força para calar, ou para falar, permaneciam imóveis, abaixavam a cabeça, saíam dali. Por mérito, respondeu uma, não sei qual, do lado de fora.

Eu era maior que tudo aquilo ali, podia trabalhar em outro lugar, não nasci para ficar refém de uma promoção. Estava procurando, depois do trabalho ia a outros prédios, até olhava por outros andares dali, mas sem expectativas. Ali dentro ele não deixaria, ou teria me indicado. Sabia do que eu era capaz. Quando entrava no escritório dele com papéis sentia nojo, pensava longe dali enquanto ele me tocava, não sentia mais do que o desejo de ficar sem emprego quando ele ejaculava em mim.

Naquela tarde ele me chamou, pediu para a secretária me dizer que precisava falar comigo depois do expediente. Sabia o que queria, mais uma vez. Sabia qual era meu dever ali. Guardei tudo, arrumei os papéis, estacionei o carrinho. Fui. Quando vi que a mesa da secretária estava vazia, que ela já tinha saído, o nojo esquentou dentro de mim. Ninguém poderia guardar a porta, ouvir do outro lado. Entrei.

Ele estava de pé, me esperando, um copo de uísque sobre a mesa. Você quer sair daqui, não gosta mais de trabalhar comigo? O nojo desceu pela minha vagina, molhou minha calcinha, que ele tirou com cuidado quando dizia que não gostaria de saber que eu trabalhava com outro. Precisava dos meus trabalhos ali, tinha confiança em mim e… esta caneta está borrando. Largou minha roupa manchada de vermelho, segurou meu rosto diante dele, calou minha boca segurando os cabelos e gozou fundo na minha garganta enquanto concluía o raciocínio: somos uma empresa de confiança, trabalhamos com o governo e gostamos de acreditar que nossos funcionários não saem por aí falando que não gostam do serviço, entendeu?

Levantei procurando um lugar para cuspir tudo, vi o copo de uísque, senti a mão segurando minha boca, fechando meu nariz. Ninguém sai daqui falando, entendeu? Esperou que eu sufocasse enquanto sorria. Engoli ofegante. Me olhou como da primeira vez, exatamente como da primeira vez, quando me beijou. Era seu único olhar, sem sutilezas, sem nada além de dominação. Me encantei por isso um dia, fiquei inerte lembrando enquanto ele levava o resto do uísque à boca, bochechava e cuspia quase na minha garganta. Bom descanso.

Quando o odor do enxaguante bucal entrou pelas minhas narinas, senti o cheiro que saíra por aquele pequeno buraco no metal quando ela quis me beijar. Cheiro de quem falara demais.

Acesse outros distúrbios narrativos no Hupokhondría.

Literalmente

Figuras de linguagem se tornam proibidas por lei.

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