Liu
Essa mina era mais zika que todos nós juntos
Eu morei com a Liu durante seis meses. A gente dividia um apartamento em Americana, quando eu passei um tempo trabalhando com bois por lá. Ela tinha saído de casa com 20 anos para morar sozinha, alugou um lugar perto do centro e botou um anúncio na internet dizendo que tinha um quarto vago para aluguel e só aceitava homens. O motivo estava descrito assim: “não existe ser mais abominável do que uma mulher Barbie e não quero gente assim dentro da minha casa”, e encerrava com o telefone. Eu liguei.
Imaginei que ela já devia ter recebido muitas ligações de homens tarados antes da minha porque quando nos falamos ela me tratou como um merda e isso não mudou nas primeiras semanas em que eu estava lá. A Liu tinha grana por causa da família, uma tradição de gente que plantava laranja, tinha altos lucros e olhos puxados. Ela ficou com uma fatia do dinheiro e decidiu que ia passar um tempo morando longe dos pais porque não os suportava mais.
A gente foi ficando amigo só lá pro segundo mês, quando ela percebeu que eu não olhava para sua bunda, nem para os seus peitos, nem puxava assuntos estranhos e com duplo sentido. Na verdade ela não tinha muitas curvas, mas isso não é importante, eu realmente tentava respeitá-la e respeitar seu espaço. O que importa é que a Liu matou um cara. Eu sei, fica parecendo piada, ou alguma coisa relacionada a “Meu Tio Matou Um Cara”, aquele filme bacaninha, mas não. A Liu matou um cara na raça, na unha!
Uma vez, quando ela tinha uns 16, por aí, um cara que trabalhava para o pai dela no negócio das laranjas tentou agarrá-la dentro de casa. Ela correu, mas não o suficiente, e aí deu merda. Ela não entrou em detalhes, eu também não quis saber, mas basta dizer que ela chorou muito quando me contou e posso garantir: ver a Liu chorando é a última coisa que você espera que aconteça quando tem o primeiro contato com ela.
Depois ela cresceu, saiu de casa, comprou carro e um dia decidiu voltar pra casa por um motivo que ninguém, até hoje, sabia. Chegou em casa, almoçou com a família, foi dar um rolê, encontrou o cara de novo, deu uns beijos safados nele, levou ele pra dentro do carro, foram pra um lugar afastado de noite, abriram uma garrafa de cachaça que ela tomou um gole e ele bebeu metade, ela chupou ele com todo nojo do mundo, ele dormir, ela jogou gasolina pelo carro todo, trancou as portas e tacou fogo. Loucura, né?!
De vez em quando ela me liga pra contar como andam as coisas, perguntar se eu não vou visitá-la, mas a nossa amizade anda meio abalada. Acontece que a namorada dela morre de ciúmes de mim.