
A luz no escuro
Viemos para iluminar o escuro. Dar voz ao silêncio, fazer brilhar o carvão.
Das sementes da alma, jogadas às traças, aos insetos, à repugnância. Como num jogo de búzios, onde a sorte está lançada. Ou ao invés disso, premeditada.
Nesse local, sujo, fétido, úmido. Da casca das sementes, os insetos se aproveitam Mas é de seus centros que surgem pequenos brotos de vida. De um lugar que só restam corpos em decomposição dos seres que ali habitaram. Ao lado, as sementes absorvem a água e lentamente vão dando vida aos brotinhos que brilham sozinhos nesse lugar escuro.
Dali não sairia nada. Que ser iria escolher um lugar como aquele para viver? Ao lado dos que rastejam, ao lado dos que vivem no escuro? Nenhum ser de luz escolheria tamanho disparate.
Ás vezes viemos para iluminar o escuro. Dar voz ao silêncio, fazer brilhar o carvão.
Nunca se sabe o que os seres escolhem.