
Marisinha
Marisinha desde criança esteve comigo. Hoje ela me acompanha nos momentos em que a casa está vazia. Sua voz doce sempre me encantou. Das palavras fáceis, que aconchegam o coração e podem afastar as lágrimas, ela tem um grande conhecimento sobre a vida simples.
Marisinha dança comigo de vez em quando apesar dessa não ser sua especialidade. Dançamos um pouco desengonçadas, mas dançar é sempre bom.
Quando eu era criança Marisinha me ensinou algumas coisas, mas não na ordem comum. Começando pelas cores: Verde, Anil, Amarelo, mas ela vestia rosa e carvão. Ao me ensinar essas cores aprendi que muitas pessoas de algum lugar lá em cima viviam na solidão e que esperavam o desabotoar do céu com a chuva.
Um tempo depois Marisinha me ensinou o que era um Barulhinho Bom. O tal do barulhinho vinha dentro de caixas com uns desenhos em preto e branco que eu não entendia o que eram, mas achava bonito. Só quando fiquei mais velha, que eu os entendi. O barulhinho me ensinou que os adultos se preocupavam demais com a morte.
Eu entrei na escola e teve Mais Marisinha! Eu tinha que escrever um trabalho sobre uma das coisas que Marisinha havia me ensinado. Só que ela me ensinou tão bem, de uma maneira tão linda que eu não sabia como colocar em palavras. E devido à essa minha dificuldade, as professoras não gostaram muito do que eu escrevi. Mas o que ela ensinou a gente não aprende na escola.
"Para você, o que você gosta, diariamente."
Um pouco mais tarde Marisinha estava mais romântica e escreveu algumas memórias, crônicas e falou sobre o amor. Muita gente gostou e eu também é claro. Mas o maior ensinamento que Marisinha me deu nesse período foi que temos de ser gentis e dar amor às pessoas. Por mais as pessoas fiquem tristes, que fique tudo cinza e apagado, basta um pouquinho de amor que a liberdade volta. Ás vezes as respostas não estão nos livros, mas na sabedoria que cada um traz consigo.
"Por isso eu pergunto a você no mundo, se é mais inteligente o livro ou a sabedoria. O mundo é uma escola, a vida é um circo. Amor, palavra que liberta, já dizia o profeta."
Marisinha ficou um bom tempo sem aparecer. Quando ela voltou contou tanto sobre o universo ao seu redor, mas eu não ouvi. Estava no meu mundinho, também conhecido como meu Infinito Particular.
"Eis o melhor e o pior de mim"
"Não é impossível, eu não sou difícil de ler."
"Em alguns instantes sou pequenina e também gigante."
"Olha minha cara, é só mistério não tem segredo. Vem cá não tenha medo, a água é potável daqui você pode beber."
“Só não se perca ao entrar no meu infinito particular”
Estava em meu infinito particular, quando anos mais tarde Marisinha me disse: "Atenção para escutar O Que Você Quer Saber de Verdade". E eu escutei:
"Ouça o barulhinho que o tempo no seu peito faz. Faça sua dor dançar. Atenção para escutar esse movimento que traz paz"
Eu aprendi que eu podia ficar em casa por um dia no sofá, pensar sobre e que isso não tinha problema algum. E eu pude dizer: Hoje Eu Não Saio Não.
Eu pensei na verdade e descobri que a Verdade é uma Ilusão, já que cada um tem a sua e ela é vinda do coração
Ela também me disse: Seja Feliz!
Era pra eu ser gentil com a minha figura e curtir a vida, porque ela era muito curta.
E eu disse para ela algo que queria ter dito quando a encontrei:
"Ainda bem que agora encontrei você"
Vi Marisinha mais de perto um tempo depois em uma apresentação. Com seu vestido branco que na dança das luzes brilhava, ela cantava com a sua voz doce e aconchegante. Ela me repetiu os vários ensinamentos que me deu ao longo da vida e me lembrou de um que eu não tinha escutado.
"Amar alguém só pode fazer bem."

Aquela noite foi inesquecível. Marisinha estava tão linda. Eu a aplaudi e a agradeci por aquele momento.
Esses tempos ela me mostrou uma Coleção que ela fez com alguns colegas. Alguns desses itens eu conheci pelos seus colegas, mas há sempre coisas novas a se ver. E aqui estou deitada na Cama apreciando sua coleção, lembrando que as pessoas ás vezes apenas necessitam de uma palavra de amor.
"Clama, como quem ama, uma palavra"